Síntese da história da Fenarreco – parte I
Outubro se aproxima, e em poucos dias estaremos vivendo mais uma edição da Fenarreco, a festa mais gostosa do Brasil que chega a 38ª edição e conta 40 anos de história e tradição. E você, conhece a história da Fenarreco?
Na década de 1980 em Brusque surgiu a vontade de fomentar o turismo como opção econômica, impulsionando a ideia de realizar uma festa tradicional na cidade. A Comissão Municipal de Turismo de Brusque – COMUTUR, propôs a realização da Fenarreco, uma festa gastronômica que também homenageia os colonizadores alemães e sua rica gastronomia.
Assim como o “Eisbein” (joelho de porco), as salsichas, o chucrute, o “spätzle” e outras iguarias muito tradicionais da gastronomia alemã, o marreco recheado é símbolo da culinária alemã no Brasil, sendo especialmente popular nos Vales do Itajaí e associado a cidades onde originalmente predominaram os imigrantes alemães, como Pomerode, Blumenau e Brusque.
Tendo como ponto de partida a gastronomia, elo que une gerações ao preservar e transmitir a ancestralidade e a identidade cultural através de receitas e práticas alimentares que conectam o passado, o presente e o futuro, surgiu a Fenarreco, cujo nome é uma junção de “Festa Nacional do Marreco”.
A festa se tornou realidade a partir do envolvimento ativo da comunidade de Brusque. Moradores locais se dedicaram incansavelmente para organizar e executar a festa que há 40 anos celebra a alegria, a família e as tradições alemãs.
A primeira edição aconteceu entre os dias 10 e 19 de outubro de 1986, pouco tempo depois das enchentes que, em 1984 e 1985, deixaram mais de 20 mil pessoas desabrigadas e afetaram muito a economia das famílias e das empresas. Com solidariedade e determinação, a população brusquense viu na Fenarreco a oportunidade de celebrar a vida, a superação, a união, a alegria e as tradições. A festa passou a ocupar espaço privilegiado no calendário turístico, e atualmente é considerada um dos símbolos da vida social do município.
As quatro primeiras edições da Fenarreco aconteceram no Clube de Caça e Tiro Araújo Brusque, que também havia sido afetado pelas enchentes de 1984 e 1985 e foi reformado com a ajuda de empresários locais. Fundado em 1866 a partir do espírito de associativismo dos colonos alemães, o Clube de Caça e Tiro Araújo Brusque é o mais antigo clube do gênero em atividade no Brasil. A Fenarreco não poderia ter surgido em lugar mais adequado, pois historicamente esses clubes foram o ambiente das confraternizações, ideal para a conservação dos hábitos, costumes e tradições. Superando todas as expectativas de público e consumo, o Clube de Caça e Tiro Araújo Brusque abrigou a Fenarreco até a edição de 1989.
A partir de 1990 a Fenarreco passou a ser realizada junto à rodovia Antônio Heil, e até a estrutura ficar completamente pronta, a festa acontecia em grandes lonas de circo. Ainda no ano de 1990 foi iniciada a construção da estrutura do novo pavilhão. Em 1992, foi inaugurado o Pavilhão Maria Celina Vidotto Imhof.
Uma curiosidade sobre o prato típico que empresta o nome a Fenarreco: conhecido na Alemanha como “Gefüllte Ente”, o marreco (ou pato) que os imigrantes alemães consumiam na terra de origem eram de uma raça que não existe no Brasil. Então, aqui nos Vales do Itajaí, ele foi substituído por uma raça semelhante: o pato de Pequim (animal branco de bico amarelo), hoje também conhecido como “pato brasileiro”, que continua sendo preparado e consumido de maneira semelhante ao pato recheado da Alemanha. Ou seja, o nome o marreco é típico da nossa região.
Continua...