Parque Leopoldo Moritz sofre com a falta de manutenção adequada

O Samae, responsável pelo local, diz que o acesso ao parque está proibido em função de obras de revitalização

Parque Leopoldo Moritz sofre com a falta de manutenção adequada

O Samae, responsável pelo local, diz que o acesso ao parque está proibido em função de obras de revitalização

Quem chega ao Parque Leopoldo Moritz, popularmente conhecido como Parque da Caixa D’Água, em Brusque, se decepciona com o que encontra logo na entrada do local. A área – que abriga um avião North American T6-D, da Segunda Guerra Mundial, doado pela Força Aérea Brasileira (FAB) – está repleta de mato, lixo, e ainda serve de depósito para os cabos de aço que sobraram da manutenção feita no teleférico que faz a ligação com o parque ao Zoobotânico. O material está todo jogado pelo chão e contribui para a sensação de abandono do local.

Ainda na entrada, outro objeto chama a atenção dos visitantes. Um dos dois reservatórios que formavam o Brusquarium – conjunto de 25 aquários, com 1,7 mil peixes de 70 espécies diferentes, inaugurado em 2002 – está danificado. O outro, localizado mais aos fundos, está na mesma situação.

Galeria

Ao entrar no parque, o visitante se depara com uma área privilegiada em meio ao centro da cidade, mas que carece de manutenção. Dentro do parque, o mato também está alto, os viveiros que abrigam os animais não seguem um padrão e, em alguns pontos, é possível encontrar lixo jogado no chão. A roda d’água, um dos principais atrativos do parque, está desativada há cerca de 10 anos, e com sua estrutura danificada. As cascatas que rodeavam o lago também estão paradas e a ponte pênsil passa insegurança aos visitantes. A decoração de Natal permanece no parque desde 2012 sem funcionamento e a fiação elétrica está ao alcance dos visitantes, que ficam expostos ao risco de choques.

A área é da Prefeitura de Brusque, mas a manutenção do parque está sob os cuidados do Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae) – que é vizinho do local. “Dentro do planejamento do governo nós discutimos e abriu-se a possibilidade de o Samae assumir o parque, já que estão mais perto”, explicou o chefe de gabinete da prefeitura, Cedenir Alberto Simon.

Em nota, autarquia diz que o acesso ao local está proibido por causa da revitalização e que a placa avisando sobre o fechamento temporário foi arrancada. 

Sem ajuda

Há 20 anos morando no local, José Valmor Vogel e o filho, Fred Vagner Vogel, cuidam do local. A área é da prefeitura, sob responsabilidade do Samae, mas os dois é quem alimentam os animais, e procuram manter o parque limpo para os visitantes. “Meu pai trabalhava aqui na época da Colcci. Depois que a Colcci saiu, ele continuou morando aqui e cuidando do local. A prefeitura assumiu, mas nunca cuidou. Fazemos o que podemos, ganhamos pouco aqui na lanchonete e compramos ração e os materiais da limpeza do nosso bolso”, diz Fred.

De acordo com ele, todos os animais que fazem parte do parque foram comprados pelo pai. “Cada animal que tem aqui foi o meu pai que trouxe e nós que cuidamos. Nunca ganhamos nada com isso”, declara.
Dentro das possibilidades, Vogel também realiza a limpeza do local. “Faço o que posso. Sabemos que faltam cuidados, mas não podemos cuidar de tudo. Na área do teleférico, não é nossa responsabilidade, mas a cada mês passo a roçadeira lá. O problema é que não consigo mais fazer isso, porque os cabos do teleférico estão jogados no meio da passagem”.

Segundo ele, parte dos viveiros que abrigam os animais também foram construídos com recursos da família. “Gastamos uns R$ 6 mil para refazer o viveiro. Tudo dinheiro do nosso bolso. Os animais quando ficam doentes também têm atendimento particular. Nenhum funcionário do Zoobotânico vem até aqui para ver como eles estão”, diz.

Vogel conta também que apesar dos problemas, o parque ainda é muito frequentado. “Escolas da região toda vêm aqui. Nunca aconteceu nenhum acidente, as professoras se sentem seguras em deixar as crianças brincarem aqui. Muitas famílias também vêm aqui no domingo, para que as crianças possam ter contato com os animais”, declara.

Briga judicial

Além dos problemas na estrutura, o Parque Leopoldo Moritz também está no centro de uma briga judicial. Em 2012, a Prefeitura de Brusque conseguiu uma ordem judicial para que a família Vogel saísse do local. O advogado da família, no entanto, entrou com recurso, e em 26 de dezembro do ano passado, foi publicada a decisão do desembargador Rodolfo Tridapalli, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC) favorável à manutenção dos Vogel no local.

Segundo informações do processo, no recurso, Vogel alegou que cuida do imóvel há mais de 19 anos e que de lá tira o seu sustento, fixou sua moradia e que realiza no local um serviço em benefício do município. Já a prefeitura usou a justificativa de que Vogel utiliza de bens públicos para fins comerciais sem autorização e regulamentação específica, razão pela qual fixou-se o prazo de 30 dias para a desocupação do imóvel.
“Contudo, observa-se que a situação de fato não é singela, porque o agravante (Vogel) não apenas explora comercialmente o local, mas principalmente parece cuidar e preservar aquilo que é considerado ponto turístico daquele município, inclusive com indicação em sites turísticos”, relata o desembargador, na sentença.

Revitalização

A revitalização do parque iniciou no mês de outubro do ano passado. O projeto compreende a construção de novos quiosques, banheiros, passeios, revitalização dos equipamentos e brinquedos que recebem moradores, visitantes e grupos escolares para atividades ao ar livre.

A conclusão das obras estava prevista para dezembro, mas até agora somente os quiosques estão prontos. Segundo a autarquia, o parque está em processo de revitalização com investimentos de aproximadamente R$ 100 mil, que serão pagos pelo Samae em conjunto com duas outras empresas privadas de Brusque.

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