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Brusque: turismo pedagógico e pertencimento

Quando a cidade vira sala de aula, o olhar muda. A rua deixa de ser só caminho, a praça vira cenário de descobertas e o museu passa a ser uma conversa viva entre passado e presente. Essa é a ideia do Turismo Pedagógico: viver Brusque com intenção — não como “passeio para distrair”, mas como experiência que transforma curiosidade em conhecimento. E, de quebra, convida toda a comunidade a redescobrir a própria cidade.

Brusque está pronta para esse papel. No roteiro do vídeo “Visite Brusque: um destino que vale viver — e repetir”, produzido recentemente pela Unifebe como material paradidático para Turismo Pedagógico, a cidade se apresenta como um livro aberto. O Rio Itajaí-Mirim ajuda a entender por que Brusque cresceu aqui: o vale, os caminhos, a vida organizada ao redor da água. No centro, a Praça Barão de Schneeburg preserva memórias e homenageia o Cônsul Carlos Renaux, figura decisiva na história local. A poucos minutos dali, o Centro Cívico reúne Prefeitura, Câmara, Fórum e a Praça do Sesquicentenário — um lugar para perceber como as decisões públicas acontecem e, ao mesmo tempo, caminhar, descansar e observar a cidade em movimento.

E há um capítulo que combina história, economia e identidade: a tradição têxtil, que marcou e transformou Brusque. Graças às Indústrias Renaux, a cidade recebeu o título de Berço da Fiação Catarinense — símbolo do trabalho, da industrialização e das mudanças que vieram com ela. Essa memória também pode ser visitada: o Complexo Schlösser preserva marcas da antiga indústria têxtil e, hoje, se reinventa como um espaço moderno de lazer, gastronomia e serviços — ponto de encontro que revitalizou uma área histórica e mostra, na prática, como a cidade se transforma sem apagar suas raízes.

O roteiro também lembra que educação é parte da identidade brusquense. A Escola Feliciano Pires, o Colégio Cônsul Carlos Renaux, a Faculdade São Luiz e a UNIFEBE aparecem como marcos de memória e de futuro. Visitar esses espaços é reconhecer como a força transformadora da educação ajuda a fazer de Brusque uma cidade inovadora, segura, desenvolvida, humana e sustentável.

Na prática, uma visita bem conduzida muda o jeito de aprender — e pode ser prazerosa para qualquer idade. Crianças observam formas, cores e materiais; fazem perguntas; registram em desenho, foto e legenda; comparam “antes e depois”; escutam histórias da família; escrevem pequenos textos ou montam mapas do trajeto. Assim, aprendem a “ler a cidade como texto”: lugares, paisagens, monumentos, modos de vida e histórias que se revelam nos detalhes.

E Brusque tem memórias que falam. A Igreja Matriz São Luís Gonzaga chama atenção pela arquitetura. A Igreja Luterana Bom Pastor, com seu conjunto centenário, remete à colonização alemã. No Cemitério Luterano, as lápides revelam a passagem do alemão para o português — marcas do tempo. Para situar a origem, vale lembrar: fundada em 1860, Brusque é reconhecida como berço da imigração polonesa no Brasil. Primeiro chegaram os alemães, aos quais, em 1869, somaram-se os poloneses e, a partir de 1875, os imigrantes de fala italiana.

Turismo, na escola e na vida, não é apenas “cartão-postal”. Pode ser a árvore da praça, a capelinha do bairro, um riacho, uma trilha curta – tudo aquilo que ganha sentido quando alguém para, observa e cuida. E há um ganho silencioso: pertencimento. Quando a escola convida as famílias a compartilhar memórias — “como era a cidade? ”, “que festas marcaram? ”, “que lugares vocês levavam para passear? ” — a criança entende que patrimônio é história vivida. Espaços como o Museu Casa de Brusque aproximam documentos e objetos do cotidiano, potencializando pesquisas e produções autorais.

Fica o convite: escolha um desses pontos do roteiro, vá com calma, repare nos detalhes e leve alguém junto. Brusque se revela quando a gente decide olhar de novo.