Editorial: Vigilância constante é necessária
Nesta semana, foi noticiado que uma comitiva de Botuverá envolvendo políticos, empresários e representantes da Associação Empresarial de Brusque (Acibr) foram até a capital do estado para se informar a respeito dos trâmites para a construção da subestação da Celesc no município.
No encontro, diretores da Celesc foram questionados sobre os prazos e as necessidades de todos os processos necessários para lançamento da licitação, como por exemplo a aquisição de um transformador que poderia levar mais de um ano para ser entregue.
A subestação é uma reinvidicação antiga, mas ao que parece, só agora está tendo andamento adequado. Esse episódio serve para constatar algo que não deveria ser, mas é a realidade do nosso estado: para conseguir com que as coisas andem no ritmo adequado no governo do estado, é preciso de vigilância constante.
Entidades empresariais e políticos de Brusque e região necessitam visitar a capital com frequência, para observar de perto como cada uma das suas demandas está sendo tratada. A alternativa de deixar com que os trâmites andem naturalmente, sem cobrança e acompanhamento, inevitavelmente levaria ao atraso do desenvolvimento.
O governo estadual, ao concentrar na capital a administração de demandas de 295 municípios, obviamente não consegue dar a todas a mesma celeridade e importância, até porque não há caixa infinito para tirar todas as obras do papel ao mesmo tempo.
Com isso, é estabelecida uma ordem de prioridade, que eventualmente segue critérios técnicos, mas que também é bastante influenciada pela cobrança e pela força política de quem cobra.
A falta de disposição em receber e atender às entidades e aos prefeitos para falar de obras locais foi um dos pecados que levou a gestão de Carlos Moisés a se tornar tão impopular a ponto de sequer disputar a reeleição. No governo de Jorginho Mello, muito mais experiente, a abertura para o diálogo é considerada crucial no desenho político, e por isso se tornam muito mais importantes as visitas à capital.
Infelizmente, não há como deixar que as coisas andem naturalmente, sem aquele empurrãozinho que faz as obras saírem do lugar. Na política, quem não é visto não é lembrado, e as entidades e políticos de Brusque precisam continuar seguindo o exemplo da Associação Empresarial, mantendo um pé em Brusque e outro em Florianópolis.
O desenvolvimento da nossa região depende dessa vigilância, que não pode ser afrouxada, sob pena de que projetos importantes deixem o começo da fila.