Francês, alemão ou brasileiro: qual era a nacionalidade de Carlos Renaux?
A personagem de maior relevância para Brusque em 2025, na minha opinião, é Carlos Renaux, empreendedor que promoveu a industrialização, cuja cidade foi denominada por Pe. Reitz Berço da Fiação e Tecelagem. Após o período na Fábrica de Tecidos, e os conflitos com o filho Otto (leia Otó), em 1936, ele se afastou e foi cuidar da vida, primeiro a saúde de Mama Goucky, e depois na solidão do Palacete Vila Goucky, sem o convívio dos filhos! Ao morrer fora de Brusque (!), em 1945, a casa será administrada pelo próprio Otto que lacrou as portas e despejou o velho jardineiro Quander (leia Cônda) e Margarida, residentes na edícula.
Ambos mudaram-se para Rua das Carreiras. A casa passou para a filha, a viúva Selma Gommersbach e filhos Egon e Gerd. Egon casou-se com uma brasileira da Guabiruba e ambos retornaram a Arnhem, Holanda. Gerd foi engenheiro da Cia. Hering. Selma faleceu em 1988 e a Vila será ocupada pela bisneta Bia Renaux Hering. Na concordata, foi herança de Vitor Renaux Hering que a vendeu a Luciano Hang, em 2025. Hoje está em obras de restauro para abertura de centro de cultura empreendedora. Pronunciando-se o nome ‘Carlos Renaux’, pode-se perguntar qual foi sua nacionalidade? O coração batia por qual das bandeiras?
Ao nascer foi batizado como Karl Christian Renaux a 11 de março de 1862, em Loerrach, fronteira de França e Suíça, divisa da Alemanha. São poucas as informações dos pais, era de família francesa que fugira das guerras napoleônicas e da pior delas, a Revolução Marxista de 1848. Isto explica o sobrenome ‘Renô’ na Alemanha.
Formou-se contador e estagiou em banco, enquanto aguardava o serviço militar. Mas, reprovado, emigrou para o Brasil. Veio trabalhar em Blumenau e conheceu Selma, a filha de Peter Wagner. Os dois se casaram na Paróquia Luterana Blumenau em 1884. Transferiu-se para a Vila Brusque e comprou a filial Wilherding com o dote da mulher. Ergueu mansão junto à Prefeitura, e será nomeado Deputado Constituinte de 1892. Antes, em 1887, ele requereu a Certidão de Naturalização do Brasil. Afirmo, assim, que Renô é também brasileiro naturalizado, passando a assinar Carl Renaux até o final da vida.
Em 1918, durante a Nacionalização pela Guerra Mundial, Carl foi agredido pelo noticiário da capital, acusando-o de estrangeiro que ocupava a Prefeitura de Brusque. Pois ele tinha reformado o prédio e deixado seu retrato na Sala do Juizado. As reportagens mostravam risco de agressão física. Então, a esposa embarcou para Petrópolis e Carl retornou a Brusque para transformar a Fábrica Têxtil, natureza Limitada em Sociedade Anônima e, em 1919, o casal encontrou-se no Rio para emigrar à Europa. Tiveram em Baden Baden e seguiram para Arnhem, onde residia a Corte do Kaiser Guilherme, exilado da 1ª Guerra. Lá abriu o escritório de emigração e contratou uma secretária para a administração. Tinha amizade com a Corte Imperial do Kaiser e também de Paul von Hindenburg. Ao retornar a Brasil, em 1932, será homenageado com a medalha ‘Cruz de Ferro’ e a estatueta da Prússia. Portanto, Carl tem um coração alemão!
Assim, a nacionalidade francesa é aderente a Carl Renaux pela descendência paterna. Residindo em Brusque, ele se naturalizou brasileiro. E residindo em Arnhem, sua bandeira de coração é a do Império Alemão e Reino da Prússia. Contudo, pensando melhor em sua biografia, julgo que ele deva ser considerado um empresário brasileiro, aqui gerou uma cidade têxtil, aqui morreu e aqui foi enterrado!