X
X

Buscar

Primavera e os telhados dourados da Mata Atlântica

Este ano, a primavera tem sido chuvosa, o sol se escondendo na maior parte do tempo e os dias sombrios, nebulosos, cinzentos, carregados de tristeza. Tem sido uma primavera encharcada, de muita chuva caindo sobre as ruas da nossa cidade, sobre o quintal e o telhado das nossas casas. É uma sensação estranha, inexplicável. Mas, […]

Este ano, a primavera tem sido chuvosa, o sol se escondendo na maior parte do tempo e os dias sombrios, nebulosos, cinzentos, carregados de tristeza. Tem sido uma primavera encharcada, de muita chuva caindo sobre as ruas da nossa cidade, sobre o quintal e o telhado das nossas casas. É uma sensação estranha, inexplicável. Mas, ao cair sobre o telhado e escorrer pelo beirado da casa, parece que a chuva enche a nossa alma de tristeza. Para mim, dia sombrio e chuvoso, dia de gente entristecida.

Felizmente, a natureza continua forte. Não se afasta do seu calendário nem da sua rotina circular de mudança sazonal. A chuva caiu, a água rolou, mas os pássaros estão de volta para cantar ao lado dos seus ninhos, berços de palha e plumas da renovação, do milagre da vida, da transformação de pequenos ovos em novas asas voadoras, a cada estação primaveril.

Todas as manhãs e de todos os lados desponta o maravilhoso canto de sua majestade, o sabiá-laranjeira. Empoleirado no galho de uma árvore do quintal e ainda dormitando, o mestre do cântico das aves entoa seu belo concerto matinal, cujos acordes chegam aos nossos ouvidos ainda de madrugada, tão cedo que nos encontra na cama. Não é apenas o sabiá-vermelho. Tem, ainda, o sabiá-preto e outros pássaros quase desaparecidos de nossos quintais e jardins. Felizmente, a natureza parece estar vencendo o perigoso duelo da vida e da esperança contra o desmatamento e a morte no gatilho da espingarda, nas mãos do caçador que vai fazendo parte de um passado sem retorno.

Veja também:
Casarão de Hugo Schlösser será ocupado por empresa portuguesa 

Família de Brusque realiza bingo para custear tratamento de menina que teve complicações após pneumonia

Cinco servidores comissionados são afastados do cargo em Brusque

As flores também estão de volta, nos jardins das nossas casas, nas ruas e nas praças da cidade. E, mais importante, nas nossas matas, que precisam de preservação sem radicalismo, para a vida saudável, sustentável, respirável, num ambiente de razão humana e de equilíbrio.

No último domingo, vi outra vez a natureza mostrando toda a sua força. A bela cobertura florestal da Serra do Mar está de volta, em franco processo de restauração. Vi, também, a beleza dos telhados dourados que despontam das copas do arvoredo da nossa Mata Atlântica, ao longo da BR-101. São os garapuvus, com suas flores amarelas, brilhantes, cintilantes, destacando-se no meio da folhagem, cobrindo de ouro, iluminando a exuberância da floresta verdejante.

Nossos catarinas litorâneos, vindos num tempo de imigração e fome das isoladas ilhas açorianas, pescadores de profissão, navegadores por precisão, encontraram no garapuvu, essa extraordinária árvore de tronco imenso, madeira mole de fácil escavação, a matéria-prima abundante para o entalhe da canoa de um pau-só, a rústica embarcação da pesca artesanal, marcada pelo heroísmo de enfrentar as águas, nem sempre calmas, da imensidão oceânica. Graças a essa majestosa árvore, nossos antepassados açorianos garantiram a sobrevivência nos primeiros e duros anos de arribados em terras desconhecidas e, ainda, desertas da presença humana. E o garapuvu, por uma boa causa, porque viver é preciso!, quase desapareceu da nossa Mata Atlântica.

Agora, tempo de preservação, desmatamento proibido, a cada primavera, podemos contemplar novamente o maravilhoso espetáculo da natureza, os garapuvus renovando suas imponentes e frondosas copas de ouro, porque faça sol ou chuva de molhar, esta é a estação das flores e a vida não pode morrer.

Veja também:
Helicóptero Arcanjo-03 foi utilizado para mais de 50 atendimentos em Brusque desde 2016 

Procurando imóveis? Encontre milhares de opções em Brusque e região

Bandidos agridem e atiram em idoso durante tentativa de assalto, em Blumenau