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Projeto incentiva servidores da Secretaria de Obras de Brusque a retomarem os estudos

Além de ensinar a ler e a escrever, programa Volta às Aulas propicia crescimento profissional

Projeto incentiva servidores da Secretaria de Obras de Brusque a retomarem os estudos

Além de ensinar a ler e a escrever, programa Volta às Aulas propicia crescimento profissional

Os servidores da Secretaria de Obras de Brusque têm a oportunidade de retornar aos estudos por meio do projeto Volta às Aulas, criado em 2014 pela pasta em parceria com a Secretaria de Educação, por meio da Educação de Jovens e Adultos (EJA).

O projeto tem o objetivo de alfabetizar e finalizar os estudos daqueles que não concluíram na idade correta. A diretora da EJA, Clair Felipim Kleemann afirma que a receptividade por parte dos funcionários é grande. “Já formamos três turmas e as três foram para o ensino médio”.

As aulas são ministradas por professores da EJA na própria sede na Secretaria de Obras, durante o contraturno do serviço. Além disso, a pasta fornece lanche para os alunos.

Apesar do projeto só contemplar o ensino fundamental, os alunos demostraram interesse em continuar os estudos e “foram feitas duas turmas de ensino médio através do Ceja”, revela.

Alfabetização
A aula da turma de alfabetização, que tem o intuito de ensinar o aluno a ler, escrever e realizar as operações básicas da matemática, acontece no período da tarde, de segunda a quinta-feira, das 13h30 às 16h30. Clair explica que os interessados em matricular-se não precisam respeitar o ano civil.

“Se o aluno chegar na aula em maio, junho ou outubro, ele pode entrar”. Além disso, não existe tempo determinado para finalizar a fase inicial. “O aluno permanece na alfabetização até se sentir preparado para ir pro sexto ano”.

Segundo a diretora da EJA, há vários níveis de aprendizado na mesma sala e, nessa hora, o aprendizado da infância pode ajudar. “Aqueles que frequentaram a escola na idade certa, que aprenderam algo quando crianças, aprendem mais rápido. Quem chega agora para aprender a ler e escrever, demora mais”.

A professora Luci Pedrini Imhof explica que é preciso cativar os alunos para que eles continuem nas aulas. “Eles já chegam com medo de infância, porque naquela época não deu certo. Alguns têm aquela ideia de que o professor não é amigo”.

Para driblar esses bloqueios, Luci relata que é necessário se doar integralmente e trabalhar aos poucos. “Têm aqueles que não sabem assinar o próprio nome, por isso, geralmente começo por isso. Já a matemática é preciso trabalhar de uma forma fácil”.

Quando um aluno possui mais dificuldade que o outro, a professora procura dedicar uma atenção especial. “Nós fazemos jogos e saídas de campo até o mercado para verificar os preços. Temos que buscar alternativas para chegar na alfabetização”.

Anos finais
Os últimos anos do ensino fundamental, do 6º ao 9º ano, são ensinados em um formato diferente da alfabetização. Os alunos têm o prazo de dois anos para concluir as aulas que acontecem de forma semestral, ou seja, um ano é reduzido em um semestre. Além disso, as inscrições devem ser feitas em fevereiro e as aulas são realizadas no período noturno, também de segunda a quinta-feira, das 18h às 21h.

“Nesta época do ano começam a entrar muitos servidores na Secretaria de Obras. Estamos realizando um levantamento para oferecer os anos finais”, explica a diretora do EJA.

Vera Lucia Silva Miguel concluiu em 2017 o ensino fundamental por meio do projeto. “Foi muito bom voltar a estudar, mesmo com as dificuldades, por ter 43 anos, ser casada, trabalhar e estar muito tempo fora da escola”, revela.

A aluna percorreu todo esse caminho junto com o marido, que também não havia concluído o ensino fundamental. “Me formar ao lado do meu marido me encheu de orgulho”, relembra com alegria.

Agora ela iniciou os estudos no ensino médio e afirma que apesar de ser cansativo, continua firme com os estudos. “É outra etapa que pretendemos cumprir rigorosamente”.

Oportunidade de crescimento
Diretor geral da Secretaria de Obras, Nik Imhof explica que os servidores procuram as aulas para conseguir alcançar outros cargos. “Tem servidor que é agente de obras e é excelente eletricista, mas não pode exercer a função se não tiver ensino médio completo. Eles correm atrás para conseguir essa promoção”.

É o caso da Vera, que começou na Secretaria de Obras varrendo as ruas. “Com as aulas eu fui pro setor de limpeza do refeitório e depois fui promovida para recepção da Secretaria de Obras”.

Luciano Batisti, 41 anos, concluiu o ensino médio recentemente e atua como eletricista na secretaria. “Foi bem proveitoso, os professores fizeram um resumo bem explicativo. Consegui aprender bastante coisa em pouco tempo”.

Iniciativa aprovada
A professora Luci avalia que essa “foi a melhor coisa que a prefeitura fez, por dar todo o apoio ao aluno que quer voltar a estudar”.

Luciano também analisa a criação do projeto positivamente. “A maioria dos efetivos é pessoal de idade e alguns são do interior e, portanto, não tiveram a oportunidade de estudar. Esse projeto inclui as pessoas”.

Nik afirma que o projeto é extremamente importante para os servidores. “Nós podemos perder tudo nessa vida, menos o ensino, que ninguém pode nos tirar”.

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