Pronegócio estreia rodada internacional de negócios

Compradores de diversos países da América Latina buscam fornecimento de empresas de Brusque e região

Pronegócio estreia rodada internacional de negócios

Compradores de diversos países da América Latina buscam fornecimento de empresas de Brusque e região

A 47ª Pronegócio tem sido marcada pela rodada internacional de negócios, uma iniciativa que trouxe 14 lojistas de diversos países da América Latina para tratar com fornecedores da região e começar exportações.

Com cursos de capacitação do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), parceira no projeto, pequenas empresas buscam a ampliação do seu quadro de clientes. Compradores de países como Paraguai, Argentina, Uruguai, Paraguai e Costa Rica participam, visando a coleção Outono-Inverno, foco da edição que dura até esta quinta-feira, 15, e está sendo realizada na Sociedade Santos Dumont.

A proposta iniciou em março, com empresas associadas e não-associadas. O Sebrae contratou uma empresa especializada na internacionalização de empresas. Em junho, foi iniciada a capacitação com 11 empresas, explorando as dificuldades de cada participante da capacitação.

“Costumo falar que a empresa tem que se adaptar à mentalidade do comprador. Se você vai vender para o Uruguai, por exemplo, é necessário entender e negociar da forma do uruguaio. Foram feitas consultorias individuais, feitas nas partes burocrática e comercial”, explica o CEO da Strategizers, Douglas Cândido.

Cândido acredita que o resultado é satisfatório, visando o médio e longo prazo, e que os reais efeitos serão vistos no próximo ano. A ideia é que as empresas mantenham o relacionamento com os estrangeiros e que nas edições seguintes mais compradores do exterior cheguem para fechar negócio. “Começamos por um mercado mais acessível, que é América Latina, com cultura e padrões próximos ao brasileiro, que exigem menos adaptações de produto.”

A rodada internacional organizada em parceria com o Sebrae conta também com o auxílio da Father, empresa de Blumenau que participou da busca por compradores internacionais. Para a diretora, Sheyla Pereira, é surpresa que os estrangeiros estejam fazendo pedidos desde o primeiro dia de Pronegócio.

“Nesta rodada temos desde clientes que possuem lojas de supermercados, lojas de departamentos, até distribuidores e lojistas finais. Percebemos que os compradores estão motivados e para nossa surpresa, já estão efetivando pedidos nesse primeiro dia. Estamos percebendo o interesse dos compradores tanto em comprar as coleções prontas, como pelo desenvolvimento exclusivo de peças.”

O diretor da Fofuxa Pijamas, Giovanni Matos, vê na capacitação uma oportunidade de crescimento a longo prazo. “Não serve apenas para a Pronegócio. É algo que nos permite manter contatos com o comércio exterior, que abre portas. Hoje estamos capacitados para outros mercados, recebemos uma boa preparação.”

A representante da Rohe Jeans, da Costa Rica, Tatiana Vargas, afirma que a empresa já tem relações comerciais com o Brasil. Toda a matéria-prima vem do país. No entanto, agora também há a busca pela importação de roupas, além da confecção. Ela conversou com duas empresas, e fechou negócio com uma confecção de camisetas.

“A qualidade é muito superior a da China, por exemplo, mas o preço também é muito acessível. Queremos coleções completas, algo que não temos como produzir por nós próprios”, afirma.

Walter Alvarado também trabalha na Rohe. Em sua visão, a indústria do vestuário precisa focar em produtos de aparência fina a baixo custo, algo que ainda não é muito trabalhado na América Latina. A Rohe deu o voto de confiança à Pronegócio buscando qualidade superior e produtos diferentes no mercado.

“Entendo que multinacionais produzem roupas de qualidade em nossos países, e que a qualidade do nosso produto local precisa ser semelhante. Não tenho encontrado, e torço para encontrar aqui. Por exemplo, nós fizemos um primeiro pedido. Este fornecedor nos apresenta um produto diferente no mercado, mais artesanal. Se for industrializado demais, se exige que tenha a qualidade das grandes marcas. Se for mais artesanal, tem mais possibilidades.”

Rodada nacional
Na Pronegócio nacional, 100 fabricantes negociam com 180 compradores de todas as partes do Brasil. De acordo com o presidente da Associação de Micro e Pequenas Empresas de Brusque (Ampebr), Ademir José Jorge, os dois primeiros dias já tiveram aumento de 15% das vendas em relação ao mesmo período da edição anterior.

Em sua visão, o inverno um pouco mais longo de 2018, com temperaturas mais baixas até depois de setembro, fez com que alguns lojistas tivessem uma saída melhor de seu estoque de coleção outono-inverno. Por isso, é previsto um reforço para 2019, com a expectativa de uma estação com duração e temperaturas semelhantes.