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Rosemari Glatz

Reitora da Unifebe

Carta de Anita Garibaldi – Parte I

Rosemari Glatz

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Carta de Anita Garibaldi – Parte I

Rosemari Glatz

Batizada como Ana Maria de Jesus Ribeiro e conhecida mundialmente como Anita Garibaldi, nasceu em Laguna em 1821 e faleceu em Ravenna, na Itália, em 1849. Considerada a “heroína dos dois mundos”, em sua memória ergueram-se monumentos no Brasil e na Itália. Seu nome denomina as cidades catarinenses Anita Garibaldi e Anitápolis. Em 1972 foi criada a Medalha do Mérito Anita Garibaldi, honraria concedida a pessoas que hajam se distinguido e contribuído para o engrandecimento de Santa Catarina. Em 2012 seu nome foi inscrito no Livro dos Heróis da Pátria, que registra perpetuamente nomes que tenham oferecido a vida à pátria, para sua defesa e construção, com excepcional dedicação e heroísmo.

Em homenagem a nossa guerreira, nesta e nas próximas três colunas apresento ao leitor a síntese biográfica de Anita. Escrito em primeira pessoa, como se ela relatasse sua própria vida, o artigo foi fundamentado nos escritos dos historiadores Adílcio Cadorin, Wolfgang Ludwig Rau, e Andrea Antonioli, especialistas no tema.

Era o dia 30 de agosto do ano de 1821, uma quarta-feira e a lua estava “quarto minguante” quando, em Morrinhos, então Laguna, meus escuros olhos de menina viram a luz do mundo pela primeira vez. Minha mãe, Maria Antônia de Jesus Antunes me agasalhou em seus braços e pediu que me mostrassem ao meu pai, Bento Ribeiro da Silva, um modesto comerciante descendente de família portuguesa vinda dos Açores. Fui a terceira de uma família numerosa.

Papai e eu sempre fomos muito próximos e tive a oportunidade de acompanhá-lo em tropeadas até Lages, onde morava nosso tio paterno. Tropeiro lageano que conduzia gado da Província do Rio Grande do Sul até a Feira de Sorocaba, em São Paulo, tio Antônio se declarava republicano e, ainda na minha adolescência, com ele adquiri consciência republicana e desenvolvi o ideal de liberdade contra o centralismo da Monarquia.

Meu pai morreu cedo, eu tinha apenas 13 anos. Sua morte inesperada deixou nossa família com o sustento comprometido. Eu já era, então, uma bela jovem, de peitos avantajados e com mais de 1,60 m de altura. Adulta, alcancei 1,66 m. Em 1833 sofri assédio sexual, consegui me livrar e, indignada, fui às autoridades policiais denunciar o assédio. É claro que não me levaram a sério! E vejam: a primeira Delegacia da Mulher no Brasil foi criada somente em 6 de agosto de 1985, passados mais de 150 anos da experiência de assédio sexual que vivi na juventude. É.… às vezes são necessários muitos anos de luta para que nossos direitos sejam reconhecidos, mas não podemos esmorecer na luta.

Com a morte prematura do pai, nossa mãe se viu sozinha com 10 filhos para alimentar. Todos ajudávamos no que era possível, mas a situação realmente era muito difícil. Uma solução socialmente aceita, à época, era o casamento. E assim, também eu fui obrigada a me casar. Meu casamento com o sapateiro Manuel Duarte de Aguiar foi realizado na igreja Matriz de Santo Antônio, em Laguna, no dia 30 de agosto de 1835, data em que eu completava 14 anos de idade.

Fui vestida de noiva, com um traje simples, na casa típica colonial luso brasileira construída por volta de 1711. A residência era de Anacleto Mendes Braga, que confeccionava vestidos de noivas e, muitas vezes, servia de espaço para as próprias recepções dos casamentos. Localizado na Praça Vidal Ramos, em Laguna, atualmente o edifício sedia a Casa de Anita Garibaldi, um museu em minha memória.

No pátio da Casa de Anita está plantado uma exuberante muda rosa, de cor rosa claro, linda, e cheirosa, que honra a minha memória. Ela integra o projeto “Dois Mundos e uma Rosa para Anita” e é o símbolo das comemorações do bicentenário do meu nascimento. Foi criada pelo botânico italiano Giulio Pantoli. Inclusive, há um lindo exemplar da “Rosa de Anita” plantado nos jardins da Unifebe, em Brusque.

 

 

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