Secretaria de Saúde de Brusque tem quase 30 mil consultas, cirurgias e exames atrasados

Secretário quer novo modelo de atendimento; quase 40% da frota da pasta precisa de reparos

Secretaria de Saúde de Brusque tem quase 30 mil consultas, cirurgias e exames atrasados

Secretário quer novo modelo de atendimento; quase 40% da frota da pasta precisa de reparos

O secretário de Saúde, Humberto Fornari, disse ontem, em coletiva de imprensa, que o objetivo imediato da pasta é estancar uma demanda reprimida de procedimentos, que atualmente é de pouco mais de 28 mil em Brusque, entre exames, consultas e cirurgias.

Entre esses procedimentos, há 14,3 mil consultas com especialistas, outros 6,7 exames especializados e 1,5 mil cirurgias já agendadas e não realizadas.

Segundo o secretário, é complicado reduzir a demanda represada porque, além dela, há a demanda mensal, que também é crescente. “Precisamos reorganizar a casa”, disse.

Conforme Fornari, o laboratório da Secretaria de Saúde está sem reagentes para manutenção básica dos exames realizados mensalmente, o que contribui para a fila de espera por exames aumentar. Assim como os laboratórios que prestam serviços para a prefeitura, que foram pagos recentemente, após negociação, e voltarão a prestar os serviços.

Para as cirurgias, ele pretende fazer mutirões e zerar a demanda reprimida em até seis meses. Para isso, irá pactuar serviços com hospitais e clínicas privadas. Serão 350 cirurgias realizadas nos hospitais Azambuja e Dom Joaquim até o fim de março.

“Não queremos achar culpados, mas de maneira bastante enfática tenho que dizer que muito do que a gente está em dificuldade é reflexo de um passado recente”, diz o secretário.

Um dos problemas que dificulta reduzir a demanda reprimida é um déficit de R$ 1,7 milhão nas contas da secretaria, o qual segundo o secretário foi gerado por atrasos de pagamentos devidos aos fornecedores. “As compras emergenciais emperram em saldar as contas anteriores”, explica.

Apesar do discurso, nem tudo está ruim na secretaria, segundo Fornari. Conforme o secretário, o que ele verificou até o momento como melhor situação na pasta é a das vigilâncias Sanitária e Epidemiológica, as quais, nas suas palavras, “estão funcionando maravilhosamente bem”.

O secretário também lamentou as perdas na unidade de saúde do bairro Nova Brasília, atingida por enxurrada em janeiro. Segundo ele, é possível recuperar sua estrutura física, mas os prontuários de pacientes foram perdidos. Restou apenas o histórico dos últimos três anos, que era armazenado online.


Secretário quer novo modelo de atendimento

O secretário da Saúde disse que pretende modificar o modelo de atendimento utilizado hoje, deixando cada vez menos os procedimentos sob responsabilidade das unidades de saúde dos bairros, e centralizando-os em quatro macrorregiões: Dom Joaquim, Santa Terezinha, Centro e Águas Claras, que terão seus horários de atendimento estendidos.

Pela proposta da secretaria, haveria mais três unidades de atendimento com horário estendido, além da Policlínica / Foto: Arquivo Município
Pela proposta da secretaria, haveria mais três unidades de atendimento com horário estendido, além da Policlínica / Foto: Arquivo Município

Nessas quatro unidades, o interesse da secretaria é aumentar a estrutura para atendimentos diretos, como os que são realizados atualmente na Policlínica central. A ideia é abrir essas unidades até as 22 horas.

A secretaria quer que a população que vai à unidade de saúde do bairro para esses atendimentos diretos seja atendida preferencialmente nas unidades dessas quatro macrorregiões, deixando os postos do bairro com foco em estratégia de saúde da família, na prática, o trabalho preventivo de acompanhamento.

Nessa nova estratégia, a intenção é implantar também o plantão de pediatria das 14 às 22h, mas ainda não há informações sobre datas em que isso passa a funcionar.

O secretário informou ainda que pretende implantar nas unidades dos bairros estratégias de consultórios particulares, nas quais os pacientes são acompanhados inclusive com consultas preventivas, marcadas por definição da equipe, e não mais por solicitação do paciente.

Para isso, entretanto, é necessária a contratação de pelo menos 50 novos agentes comunitários de saúde.

O secretário explica, ainda, que as equipes das unidades também deverão trabalhar na investigação das causas de doenças e seus agravamentos.

“Se a pessoa que tem diabetes tiver que ser internada no hospital, vamos investigar o que aconteceu, por que a unidade não conseguiu dar conta? O que faltou? É muito mais do que atendimento imediato”, diz.

Apesar disso, ele ressalta que as unidades básicas de saúde não vão suspender totalmente esses atendimentos imediatos. “Se está com dor de barriga, vai ser atendido”, exemplifica.


Frota da secretaria

Atualmente, a Secretaria de Saúde possui 45 veículos, dos quais três estão em “estado de abandono” e 14 precisam de reparos. Segundo o secretário, estão sendo feitos orçamentos e ainda se busca recursos para pagar os fornecedores e prestadores de serviço, cujos pagamentos estão em atraso e, portanto, não tem sido feita a manutenção.

Há ainda três ambulâncias que estão “em estado de destruição”, conforme Fornari. Uma nova ambulância deve chegar do governo federal, e a Prefeitura de Brusque solicitou, nesta semana, mais duas ambulâncias ao governo estadual.


Estoque de medicamentos

A Secretaria de Saúde possui, atualmente, também déficit na quantidade de medicamentos necessários para atender a população. A Farmácia Básica possui apenas 60% dos remédios da listagem da secretaria.

O secretário avalia que ainda vai levar pelo menos mais um mês para a situação se regularizar. Havia uma licitação engatilhada, feita pelo governo Bóca Cunha, que teve de ser deixada de lado, por incompatibilidade financeira.

A licitação contemplava a compra de R$ 11 milhões em medicamentos, mas no caixa da secretaria havia orçamento de R$ 4,5 milhões para compra. Com isso, a licitação foi refeita, baseada no orçamento disponível.

A situação deve estar normalizada somente no mês de março.


Possibilidade de falta de médicos

A prefeitura está em vistas de ficar alguns médicos a menos do que o número normal do seu quadro de funcionários neste ano.
Fornari explica que janeiro, fevereiro e março são meses considerados críticos para a saúde, porque há um êxodo de profissionais da medicina do setor público.

Os médicos são chamados para residência nas especialidades deles. Dois pediram afastamento recentemente e, além disso, a unidade de saúde do bairro São João também está sem médico. Em março, a prefeitura irá abrir concurso público para preenchimento das vagas, e também se inscreveu para receber profissionais do programa Mais Médicos.


UPA no Santa Terezinha

O diagnóstico inicial é de que a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), em construção do bairro Santa Terezinha, custaria R$ 1,2 milhão mensal para mantê-la em funcionamento. O valor é considerado inviável pelo secretário. “Não vamos levar adiante o projeto. Informações de outros municípios relatam grande dificuldade de manter as UPAs em função do custo”.

A pasta ainda avalia o que será feito no local, por isso pediu prazo de seis meses ao governo federal. Também é necessário finalizar a obra, que está paralisada por falta de recursos. “Não podemos mexer, o governo deve ainda R$ 500 mil, mas só virá se a prefeitura abrir a UPA”.

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