Superintendente interino da Fundação Municipal de Esporte diz que jogo partidário emperra avanço do esporte

"Mais técnica, menos política", diz Delmar Tondolo, superintendente interino que está disposto a ficar à frente da pasta

Superintendente interino da Fundação Municipal de Esporte diz que jogo partidário emperra avanço do esporte

"Mais técnica, menos política", diz Delmar Tondolo, superintendente interino que está disposto a ficar à frente da pasta

O superintendente interino da Fundação Municipal de Esportes (FME), Delmar Tondolo, completou duas semanas à frente da pasta após a saída de Deivis Silva. Nos bastidores, houve a especulação de que Tondolo apenas ‘esquentaria a cadeira’ para um membro do Partido da República (PR), com Alessandro Simas sendo apontado como o nome mais forte. Isso faria parte de outro capítulo de um jogo político que, segundo o superintendente interino, prejudica o avanço do esporte brusquense.

Tondolo é o terceiro gestor diferente da FME em três anos. Em 2013, para retribuir o apoio do PP na chapa que elegeu Paulo Eccel o prefeito então anunciou o vereador Simas como superintendente, abrindo a cadeira de suplência na Câmara. Em 2014, Simas saiu do governo e voltou para a Câmara, assumindo outro vereador, Deivis da Silva (PTC). Agora, com a gestão interina de Prudêncio Neto e a ‘limpa’ no secretariado formado por Eccel, Tondolo, até então diretor técnico da pasta, passou à superintendência. “Esta troca constante de gestão é ruim para o município. Não consegue se chegar a um foco. Não dá pra definir o que se quer do esporte. Cada superintendente que assume administra da maneira que acha certa”, diz Tondolo.
Apesar de não ter certeza de sua permanência até a eleição indireta – marcada para 30 de abril – Tondolo diz que Prudêncio Neto lhe deu liberdade para trabalhar. “Ele me convidou para assumir o comando da FME, e eu expus todos os problemas. Mesmo assim, falou para que eu gerisse da melhor forma”, explica.

Nome à disposição
Apesar de ser apontado como um profissional transitório na gestão da FME, Tondolo afirma que está à disposição de qualquer prefeito a ser eleito no próximo mês para seguir comandando a pasta. O interino quer usar a experiência na gestão esportiva como um ponto a seu favor. São 32 anos dedicados às pastas que administraram o desporto em Brusque. Ex-técnico e árbitro de handebol, é autor do livro “Arbitragem : uma nova visão”.

Na sua percepção, o esporte no município só vai avançar se a gestão for mais técnica e menos política, e se essa for a decisão da próxima administração, Tondolo se diz pronto para o desafio. “Conheço a estrutura, tenho experiência e também o respaldo de entidades como a Fesporte, que sempre elogia nossa postura. Se o novo prefeito acreditar em um trabalho feito por alguém mais técnico, meu nome está disponível”, explica.

Para o superintendente interino, a aposta precisar ser no esporte de base. “Não pode haver imediatismo, cobranças por medalhas em competições como o Jasc do dia para a noite. Também não concordo em contratação de atletas de fora do município, que custam mais caro. Tem que ser investido em atletas locais”, diz.

No entanto, Tondolo reconhece que no meio político a exigência por resultados é imediata. “Dou murro em pontas de faca para explicar a importância do esporte de base. E são muitas facas. Mas vou até o fim lutando por estes ideais, até depois de aposentado vou seguir aconselhando nesse sentido”.

Planejamento segue

O novo gestor da FME deu a certeza de que até o próximo dia 30, quando ocorrerá a eleição interna para prefeito, tudo seguirá como planejado anteriormente. Segundo Tondolo, todos os projetos elaborados por Silva entre o fim do ano passado e o início deste continuarão em vigor. Ele destaca o início do campeonato amador de campo no fim de semana, e a entrega recente de materiais para o Programa Arthurzinho. “Tudo seguirá como o planejado. As ações da FME são idealizadas para o ano todo”, observa.

O superintendente afirma que atletas e representantes de entidades esportivas chegaram a procurá-lo quando assumiu a fundação para requisitar apoio. “As pessoas pensam que com esta mudança de gestor no meio do ano vai haver mais dinheiro ou novos investimentos, mas isso não acontece. Muda a administração, mas o orçamento segue igual e o programado não pode ser alterado”, explica.
‘Contas não vão fechar’
O superintendente afirma que ainda não tem o valor exato da dívida da FME, restante de anos anteriores, mas a estimativa feita não é positiva. Segundo ele, quem quer que assuma a pasta a partir do mês de maio precisará lutar para buscar mais recursos para a fundação. “Vai precisar ser feita uma renegociação. Em função dos compromissos que a FME firmou para este ano e os custos para que a pasta se mantenha, as contas não vão fechar”, revela.

Para Tondolo, um erro recorrente nas administrações da FME acontece no momento de preparar o orçamento para o ano seguinte. “As requisições são feitas ignorando a existência de dívidas. Então o pagamento de valores atrasados é feito com o dinheiro que deveria ser usado em outras atividades da fundação”, diz.

No início deste ano, representantes de modalidades esportivas de Brusque chegaram a reclamar de atrasos de compromissos por parta da prefeitura através da FME, como por exemplo no pagamento do Bolsa-Atleta. O superintendente da época, Deivis Silva, chegou a refutar a informação, mas admitiu que a última parcela prevista para ser paga em dezembro foi repassada aos atletas apenas em fevereiro. A solução é elaborar o orçamento para o ano e acrescentar o valor das dívidas. “Só assim vamos conseguir fechar um ano sem pendências”, observa Tondolo.

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