Ir para o conteúdo

Fornos de cal perto das cavernas de Botuverá entram nos planos da prefeitura para investir no turismo

Estruturas preservam história da economia do município

O interior de Botuverá abriga marcas históricas da atividade econômica do município, à base da fabricação de cal. Dois fornos no bairro Ourinhos estão nos planos da prefeitura para investimento no turismo.

A área de terras que compreende os fornos de cal, perto do Parque Municipal das Grutas e Cavernas de Botuverá, pertence à empresa Votorantim Cimentos. A Secretaria de Turismo, Cultura, Esporte e Juventude encaminhou um ofício em que solicita a doação do espaço.

De acordo com o secretário Marcos Fonseca Junior, a revitalização e exploração turística dos fornos faz parte de um plano de expansão do Parque das Grutas. Uma consultoria ambiental de Curitiba atualiza o plano de manejo do parque e orientou a ampliação da área ao Executivo municipal.

O ofício à Votorantim foi encaminhado em setembro. Além dos fornos, trata de outros espaços de propriedade da empresa de cimentos. Segundo Marcos, a administração da Votorantim verifica a viabilidade do pedido para apresentar devolutiva.

“Mesmo caso a doação não seja possível, a prefeitura se colocou à disposição de um diálogo para viabilizar a conservação dos fornos. É um local de extremo interesse turístico, histórico e cultural”, valoriza o secretário.

Marcos não descarta aderir a outras formas de exploração turística dos fornos de cal se a doação não for concretizada. Ele cita também a possibilidade de um termo de cessão temporária ou até a aquisição do futuro equipamento turístico.

WhatsApp

As notícias chegam antes para quem está no grupo de WhatsApp do jornal

Toque aqui e entre

Em abril do ano passado, a vereadora Jakeline Hodecker (PP) tratou do assunto em sessão da Câmara de Botuverá. Ela é autora de uma indicação encaminhada à prefeitura, em que solicitava justamente a elaboração de um pedido de doação da área dos fornos de cal.

“O objetivo [da doação] é a integração da área dos fornos ao Parque das Grutas, promovendo a ampliação da proteção ambiental da região, o uso sustentável do patrimônio natural e o fortalecimento do turismo ecológico, científico e cultural”, defendeu, no ofício.

Fornos na história

O escritório da Cal Rio do Ouro, que operava os fornos, funcionava em frente às estruturas históricas. O imóvel ainda está lá e com o letreiro preservado. Foi ali que Ivo Barni teve seu primeiro emprego, com apenas 12 anos.

Os fornos de cal foram construídos em 1955. Segundo Ivo, a empresa funcionava 24 horas por dia, sem parar. A operação durou quase uma década, em 1964, até que o desenvolvimento econômico de Santa Catarina como todo forçou a desativação da fabricação de cal no local.

“Na época, a BR-101 entre Santa Catarina e o Paraná começou a funcionar e passou a ser mais econômico o cal vir de Curitiba para o estado. Já havia asfalto e os caminhões para transporte tinham mais potência. Isso inviabilizou a fabricação de cal na região”, afirma.

Durante o período de funcionamento da Cal Rio do Ouro, a produção era comercializada principalmente para Florianópolis, Itajaí e Blumenau. Havia dificuldades. Os caminhões eram de pequeno porte e a estrada precária. Porém, a fabricação seguia a todo vapor. Eram produzidas 12 toneladas por dia.

Hoje, restaram os fornos e o antigo escritório desativados no bairro Ourinhos como marcas da principal atividade econômica de Botuverá na época.