Ir para o conteúdo

Turismo é receita: a reforma vai premiar quem fizer o visitante ficar

A reforma tributária muda a lógica da arrecadação. ISS e ICMS saem de cena. Entra um IVA dual: CBS – Contribuição sobre Bens e Serviços (federal), e IBS – Imposto sobre Bens e Serviços (compartilhado entre estados e municípios), com transição até 2033. Em Brusque e região, isso tem endereço: Serra do Itajaí, Santa Paulina (Nova Trento), compras e Parque das Esculturas, e Guabiruba. Se o visitante fica mais tempo e consome aqui, a receita tende a ficar aqui.

Turismo não é enfeite. É economia real. Move hotelaria, alimentação, transporte, eventos, comércio e serviços. A conta é simples: mais pernoites e mais experiências significam mais dinheiro circulando – e mais atividade formal registrada no território. O salto não está só em “atrair gente”. Está em reter, organizar e qualificar a experiência.

A reforma pode ser uma vantagem para o turismo regional. Simplifica regras e incentiva formalização, especialmente num setor de micro e pequenas empresas. Mas exige gestão. O IBS será arrecadado e distribuído por um Comitê Gestor. Na prática, municípios precisarão medir e demonstrar o que o turismo movimenta. Sem dados, perde-se força. Com dados, planeja-se melhor, priorizam-se investimentos e sustenta-se a relevância econômica do setor.

E aqui entra uma palavra que decide tudo: atrito. Atrito é o que encurta a visita sem ninguém anunciar. É chegar e não entender onde ir. É placa que falta. É acesso confuso. É estacionamento improvisado. É não ter banheiro, água, sombra e acessibilidade. É calçada ruim. É horário desencontrado e informação espalhada. O lugar pode ser bonito; se for difícil, o turista vai embora cedo. E quando ele vai embora cedo, o consumo vai junto.

O papel do poder público municipal é crucial: reduzir atritos e dar condições para o empreendedor trabalhar. Começa pela previsibilidade: alvarás e licenças com checklist, prazo e canal único; via rápida para eventos e experiências; regras claras para uso de espaços públicos. Burocracia confusa esvazia agenda, trava investimento e derruba fluxo.

A segunda frente é o básico bem-feito: limpeza, iluminação, sinalização padronizada, acessibilidade, segurança e manutenção urbana nos pontos de maior visitação. Estrutura mínima nos atrativos e mobilidade que funcione. Parece detalhe. É o que faz o visitante circular, consumir e recomendar.

A terceira frente é apoio direto ao setor: capacitações com entidades e universidades; orientação para formalização e emissão correta de notas; qualificação de atendimento; estímulo à inovação e à criação de experiências vendáveis. A prefeitura não precisa “fazer turismo”; precisa destravar quem faz.

E dá para ver, na prática, como se faz o visitante ficar mais dias.

Exemplo: transformar o “bate-volta” em fim de semana com roteiro pronto. Por exemplo; sexta à noite circuito do Parque das Esculturas em Brusque e jantar. Sábado, manhã de compras e, na sequência, Guabiruba com a Sta. Catharina Chocolateria e seus chocolates produzidos do grão a barra e outras paradas de experiência, seguido de gastronomia local. À tarde, Serra do Itajaí com trilha leve guiada ou mirante, fechando o dia com gastronomia regional. Domingo, Nova Trento e Santa Paulina, com cafés e produtos típicos. No Natal, o Pelznickel entra como âncora para estender a estadia. Tudo com mapa, horários, estacionamento indicado e um canal único (QR/WhatsApp).

Por fim: medir para governar. Um painel mensal com fluxo, ocupação, gasto médio, satisfação e impacto de eventos muda o jogo. A reforma abre uma janela: organizar produtos conectados (24h/48h/72h), melhorar a experiência e profissionalizar a cadeia local. Quando o visitante fica, o consumo fica. A arrecadação entra pela porta da experiência — e precisa ser bem governada.