Após quinta participação em Olimpíadas, brusquense Murilo Fischer anuncia aposentadoria

O atleta completou, em 2016, 13 anos de ciclismo profissional

Após quinta participação em Olimpíadas, brusquense Murilo Fischer anuncia aposentadoria

O atleta completou, em 2016, 13 anos de ciclismo profissional

“É como se um chinês fosse contratado para jogar no Flamengo”. Nas próprias palavras, o brusquense Murilo Antonio Fischer descreveu a presença de um brasileiro em uma equipe europeia de ciclismo. Lutando contra a lógica ele chegou lá, chamou a atenção de um clube francês, participou de cinco Jogos Olímpicos na prova de ciclismo de estrada, mas agora está próximo de encerrar a sua carreira profissional.

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Incansável, contudo, o atleta de 37 anos já pensa na atividade pós-carreira. Apaixonado pela modalidade que lhe trouxe praticamente tudo o que tem na vida, Fischer pretende deixar um legado para as novas gerações. “Penso em trabalhar como treinador de ciclismo. Claro que vou depender das oportunidades que surgirem, mas um desejo é trabalhar com os novos valores da Seleção Brasileira de Ciclismo”, afirma.

Pendurando as luvas

Durante a entrevista, entre um gole e outro de café, Fischer precisou atender o telefone. Era o chefe da equipe a qual ainda é atleta contratado, a Française des Jeux. Respondeu em francês, uma das línguas que aprendeu como atleta internacional, confirmando presença em sua última competição pelo clube, a popular e disputadíssima Volta da Espanha. “Vou porque tenho amigos por lá, e o clima é bom. Pra falar a verdade, estou esgotado”, completa, confirmando que, por ele, já anteciparia o pendurar das luvas.

A pressa é justificável. O ano foi puxado para o atleta que completou, em 2016, 13 anos de ciclismo profissional. Começou em janeiro, na Austrália, seguindo para uma série de treinamentos e competições europeias, como o intenso Giro d’Italia, até finalmente a Olimpíada.

Apesar de todo o esforço, o desempenho na prova de estrada não saiu como o previsto. O 64º lugar estava fora dos planos do brusquense. “O circuito foi duro e muito seletivo. Eu esperava e queria mais. Não é fácil ficar três meses longe da família treinando e não alcançar o objetivo, mas o ciclismo é assim. Já ganhei corrida, já perdi corrida e não me abalo tanto por isso”, completa.

Olhando para trás, o brusquense acredita que não tem do que se arrepender. “Não teria feito nada diferente. Sou muito realizado com o que o ciclismo me trouxe. Talvez uma medalha olímpica me deixaria ainda mais satisfeito, mas não fico me lamentando por isso”, diz. Fischer vai além, falando sobre as primeiras pedaladas da carreira e o apoio que encontrou em casa. “Minha família sempre me deu suporte, e isso ajudou muito. Com 17 anos eu saí de casa para buscar meu sonho de ser ciclista, com o incentivo de meus pais”.

Antes do fim da carreira, contudo, o ciclista pode dar as últimas pedaladas em uma competição representando a cidade a qual é natural. Segundo Fischer, existe a possibilidade de ele participar dos Jogos Abertos de Santa Catarina (Jasc), em Tubarão, no mês de novembro.

A parede de casa estampa o período de glórias de Fischer / Foto: Cristóvão Vieira
A parede de casa estampa o período de glórias de Fischer / Foto: Cristóvão Vieira

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Experiente em Olimpíadas – antes do Brasil, Fischer participou de Sidney (2000), Atenas (2004), Pequim (2008) e Londres (2012), o atleta acredita que a organização da competição no Rio de Janeiro não deve nada para nenhum país. “O clima está bom, o respeito aos atletas também. Quando cheguei na Vila Olímpica, nem parecia o Brasil”, brinca.

A maior preocupação no circuito e os treinamentos era com a presença de automóveis na pista, mas na hora da prova tudo correu muito bem, como explica o ciclista. “Houve bastante respeito e o nível de organização foi excelente. O espírito olímpico está muito forte na cidade”.

Projetos para o futuro

Fischer sempre se preocupou com as condições do ciclismo brasileiro. Só o fato de ter que treinar e competir em um clube fora do país já indica que não é fácil ser um atleta da modalidade por aqui. Depois dos 16 anos competindo em Olimpíadas, o brusquense construiu uma boa relação com membros da Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC) e do Comitê Olímpico Brasileiro (COB).

Isso aliado à experiência de vida do atleta pode fazer com que ele possa, de fato, contribuir com a evolução do esporte no país. “Eu aprendi no melhor ambiente do ciclismo no mundo. Aqui nós ainda não temos essa visão de técnica. Seria um grande desafio para mim, mas estou disposto a enfrentá-lo”, diz. Fischer pretende, inclusive, trabalhar com a nova leva de ciclistas de Brusque, com André Gohr e Áquila Roux. “É com esses atletas que penso em trabalhar e gostaria de ajudar a preparar para as competições que virão pela frente”.

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