Com diagnóstico tardio, morador de São João Batista morre de H1N1

Loreno Leocir da Silva, 44 anos, contraiu outras doenças respiratórias após pegar a gripe

Com diagnóstico tardio, morador de São João Batista morre de H1N1

Loreno Leocir da Silva, 44 anos, contraiu outras doenças respiratórias após pegar a gripe

O morador de São João Batista, Loreno Leocir da Silva, 44 anos, morreu no domingo, 31 de julho, no Hospital Nereu Ramos, em Florianópolis, com o vírus influenza A (H1N1). Ele é um dos 91 casos de morte no estado pelo vírus somente neste ano, de acordo com dados da Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina.

A esposa Cláudia Werner conta que o marido começou a passar mal na quarta-feira, 27, quando chegou em casa com febre alta. Porém, só na quinta-feira é que decidiu ir ao hospital da cidade. “A médica dignosticou como sendo pneumonia e receitou alguns medicamentos”. No dia seguinte, Silva acordou ainda pior, mas esperou até o fim do dia para ver se os remédios fariam efeito.

Já sem conseguir falar por conta da respiração ofegante, o homem voltou ao hospital e outro médico receitou novos medicamentos. “Eu perguntei se não era o caso de tirar um raio-X, mas ele me respondeu que ele era o médico e sabia o que estava fazendo”, lamenta Cláudia.
No sábado, ao chegar em casa, Cláudia encontrou o marido caído e pedindo socorro. Foi então que uma vizinha disse que havia a Fundação Hospitalar de Canelinha, cidade vizinha. Ao chegar no local, o homem já foi entubado e diagnosticado com o vírus H1N1. “Nesse hospital ele teve uma parada cardíaca e foi encaminhado às pressas para o Hospital Universitário, em Florianópolis, mas como era grave, mandaram para o Hospital Nereu Ramos”, detalha.

Na unidade hospitalar, Silva contraiu ainda a doença Sara (Síndrome da Angústia Respiratória Aguda). Como o diagnóstico foi tardio, o caso passou de grave para gravíssimo e no domingo, 31, ele não resistiu e morreu devido à gripe A, com os agravantes de choque séptico refratário, pneumonia bacteriana e insuficiência renal aguda.

Como o vírus foi diagnosticado em Canelinha, o caso foi contabilizado para o município. Segundo a esposa, Silva contraiu o vírus na região do Vale do Rio Tijucas, pois fazia três anos que o casal não viajava. “Eu não peguei, mas um rapaz que estava no mesmo quarto que ele no hospital em São João Batista pegou, e o pessoal de Canelinha pediu para ele ir logo no hospital para tratarem a tempo”, comenta Cláudia.
Com a morte do marido, Cláudia culpa o hospital de São João Batista pelo diagnóstico errado do caso. Por isso, entrará com um processo por negligência médica contra a unidade.

Em contato com a diretora do Hospital Municipal Monsenhor José Locks, Rudilene Hermes, quando o paciente deu entrada na unidade, foram feitos os exames laboratoriais e um raio-X, onde foi diagnosticado uma pneumonia. “Como não havia alteração e nunca tivemos um caso de H1N1 no hospital, não foi pedido exame específico do vírus. Como ele também não estava tão ruim, não quis ficar internado, foi liberado pelo médico”, explica.

Segundo Rudilene, sempre quando um exame apresenta alterações, os médicos transferem os pacientes para o hospital de referência em Florianópolis. Porém, no caso dele não havia necessidade até aquele momento.

A diretora ressalta que ainda não foi procurada pela esposa de Silva ou pelo advogado, mas diz que estará à disposição e investigarão o caso. “Vamos nos posicionar para resolver da melhor maneira possível. Mas o que estava ao nosso alcance nós fizemos”, informa.

Aumento de casos

Segundo o diretor da Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina, Eduardo Macário, com a constatação de que o vírus influenza está circulando por todo o estado, existe o risco de um aumento na ocorrência de casos graves e hospitalizações por gripe nas próximas semanas.

Um dos motivos para isso, é devido o período de baixas temperaturas. “Por isso, continuamos reforçando o alerta para todos os serviços de saúde frente à conduta adequada a casos de gripe. Também, para que a população se proteja tomando atitudes positivas de prevenção, como a etiqueta da tosse e a lavagem das mãos, além de procurar os serviços de saúde caso apresente sintomas de gripe, preferencialmente nas primeiras 48 horas a partir do início dos sintomas”, destacou.

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