Brusque faz de três a quatro coletas de células-tronco por mês

Pacote para envio e armazenamento do material pode custar R$ 3,8 mil, mais o valor anual obrigatório

Brusque faz de três a quatro coletas de células-tronco por mês

Pacote para envio e armazenamento do material pode custar R$ 3,8 mil, mais o valor anual obrigatório

As células-tronco podem ser utilizadas no tratamento de doenças hematológicas, como a leucemia. Em razão disto, a procura pela retirada do material e pelo armazenamento tem crescido nos últimos anos em Brusque. Um dos laboratórios do município registra, atualmente, de três a quatro coletas por mês de sangue do cordão umbilical de recém-nascidos. Em paralelo, cerca de 4% do total dos clientes de Santa Catarina da Cryopraxis – primeiro banco de sangue de cordão umbilical do Brasil – são moradores de Brusque.

O Verner Willrich é o único laboratório da cidade que coleta as células-tronco nos três hospitais, segundo a responsável técnica do local, Adriana Helena Sedrez. Ela explica que o próprio ginecologista da paciente retira o material após o parto. Antes disto, porém, o serviço é contratado diretamente com o laboratório.

“Atendemos os três hospitais de Brusque. Já fizemos um treinamento direcionado aos ginecologistas para que eles estejam aptos a realizem as coletas”, afirma Adriana. “O número de coletas varia conforme a temporada. Quando há muitas gestantes chega a ter cinco por mês. Mas em períodos comuns, são de três a quatro por mês”.

Parceiro da Criovida, banco de sangue de cordão umbilical de Belo Horizonte (MG), o laboratório Verner Willrich envia as coletas de Brusque à capital mineira. De acordo com Adriana, o município é um dos que mais remetem material à Criovida. Hoje, o pacote com a coleta do material, o envio para o banco de células-tronco e um ano de armazenamento custa R$ 3,8 mil. Depois da primeira anuidade, as próximas custam R$ 550. E o contratante pode reincidir o contrato caso não queira mais armazenar o material.

“Às vezes a pessoa já fica tranquila e acha que os filhos não vão desenvolver alguma doença, então cancelam o contrato”, diz. “Mas com certeza aumentou a procura, até pelo poder aquisitivo da cidade que é muito bom. E as pessoas se informam cada vez mais sobre os benefícios de armazenar”, completa.

Assim como a Criovida, a Cryopraxis também armazena células-tronco de moradores de Brusque. Do total de 1.273 amostras coletadas em Santa Catarina nos últimos 14 anos, 4% são de clientes do município. Atualmente, a empresa armazena cerca de 40 mil materiais de todo o país.

“Em Santa Catarina, a procura pelo armazenamento na empresa mais que dobrou entre 2010 e 2014 em comparação aos cinco anos anteriores. O armazenamento de células-tronco do sangue de cordão umbilical está se expandindo no país, porque as pessoas têm mais acesso às informações e a inovação quando se fala da utilização dessas células na terapia celular. A cada dia surgem novas terapias que podem ser beneficiadas com o uso dessas células”, afirma a gerente de produção da Cryopraxis, Janaína Machado.
Banco público

Além dos bancos de armazenamento privados, há, no estado, um banco público desde 2009. Trata-se do Banco Público de Sangue de Cordão Umbilical e Placentário (BSCUP), espaço de responsabilidade do Centro de Hematologia e Hemoterapia de Santa Catarina (Hemosc). O local tem, atualmente, registro de cerca de 500 amostras armazenadas.
No entanto, diferente dos bancos privados em que a pessoa armazena o material para uso dos próprios familiares, o banco público recebe material através de doações e as células-tronco podem ser utilizadas em qualquer pessoal compatível. A bioquímica responsável pelo setor de Criobiologia do Hemosc, Janete Lourdes Cattani Baldissera, explica que após o nascimento do bebê, o cordão umbilical é cortado separando o recém-nascido da placenta. Ela diz ainda que de 70 a 100 milímetros de sangue que permanecem no cordão e na placenta são drenados para uma bolsa de coleta.
O que são as células-tronco?

As células-tronco do corpo humano podem ser classificadas como embrionárias (encontradas na fase de desenvolvimento do embrião) ou adultas (o tecido humano já formado). As células-tronco adultas podem ser obtidas de diferentes tecidos, sendo as fontes mais conhecidas a o sangue do cordão umbilical e a medula óssea. As células-tronco embrionárias são obtidas através de embriões. Toda célula-tronco tem a capacidade de se multiplicar, dando origem a novas células. As adultas dão origem a células do mesmo tipo. As embrionárias são mais versáteis, podendo converter-se em qualquer um dos tecidos do organismo, porém a extração dessas células-tronco podem prejudicar sua fonte, no caso o embrião.
As células-tronco auxiliam no tratamento de quais doenças?

Podem ser utilizadas da mesma forma que aquelas oriundas da medula óssea. Classicamente estas células têm sido usadas para a regeneração da medula óssea, principalmente, em doenças hematológicas. Atualmente, inúmeras pesquisas clínicas, com o uso destas células, vêm sendo desenvolvidas em todo o mundo, na tentativa de ampliar as possibilidades de tratamento para doenças não hematológicas como é o caso de algumas doenças cardíacas, doenças neurodegenerativas, doenças autoimunes, dentre outras.

Informações da gerente de produção da Cryopraxis, empresa de armazenamento de células-tronco, Janaína Machado.

 

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