Brusquense ganha nova chance de viver após receber transplante pulmonar

Kátia Bohn, 24 anos, tem fibrose cística e recebeu os órgãos de uma doadora de 14 anos

Brusquense ganha nova chance de viver após receber transplante pulmonar

Kátia Bohn, 24 anos, tem fibrose cística e recebeu os órgãos de uma doadora de 14 anos

Após um ano e oito meses longe de casa, Kátia Regina Bohn, 24 anos, finalmente retornou para Brusque no último sábado, 17, para receber o apoio da família e dos amigos.

A jovem ficou tanto tempo longe de casa para se submeter a um transplante de pulmão. Kátia é portadora de fibrose cística – doença genética que compromete o funcionamento das glândulas exócrinas que produzem substâncias (muco, suor ou enzimas pancreáticas) mais espessas e de difícil eliminação.

A fibrose cística não tem cura e afeta os aparelhos digestivo, respiratório e as glândulas sudoríparas (que produzem suor). No caso de Kátia, o pulmão foi o órgão mais afetado pela doença, por isso, após um longo tratamento sem reagir aos medicamentos e com muitas complicações, sua única esperança seria o transplante.

A brusquense, então, precisou mudar-se temporariamente para Porto Alegre (RS). Lá, na Santa Casa, hospital de referência em transplante pulmonar, passou por uma bateria de exames com o objetivo de entrar para a lista de espera para receber o órgão.

“Comecei a fazer os exames em janeiro de 2016 e, no dia 5 de julho, eu entrei para a lista”, lembra a jovem.

De 5 de julho de 2016 até 17 de março de 2018, Kátia permaneceu em Porto Alegre. Mesmo sem saber quando receberia o órgão, ela não poderia voltar para Brusque, já que, assim que o órgão chega, o tempo para realizar a cirurgia é escasso.

“A vontade que eu tinha era de voltar para perto da minha família e amigos, mas eu não podia. A partir do momento que eu recebesse a confirmação de que teria um pulmão para mim, eu teria que estar no hospital em meia hora para iniciar os exames e a preparação para a cirurgia”.

Prestes a completar um ano de espera, no dia 18 de junho de 2017, Kátia foi avisada de que poderia realizar a cirurgia, porém, após fazer os exames, os médicos constataram que o órgão não estava bom o suficiente para ser transplantado e ela voltou para a lista de espera.

Mesmo com a decepção, Kátia nunca perdeu a esperança e a fé. No dia 30 de julho de 2017, um ano e 25 dias após entrar na lista, a brusquense finalmente recebeu o tão esperado pulmão. “Quando recebi a notícia eu tremia igual vara verde”, conta.

Kátia passou por uma bateria de exames para confirmar que estava apta para receber o novo órgão. Após os exames, o médico fez a pergunta padrão, se ela aceitaria se submeter ao transplante. “Eu disse que era o que eu mais queria na vida”, lembra com lágrimas nos olhos.

A jovem entrou na sala de cirurgia às 15h daquele domingo, 30 de julho. A cirurgia iniciou às 17h e terminou às 23h45. Ela recebeu os dois pulmões de uma doadora de 14 anos, de Curitiba (PR).

Recuperação
A cirurgia foi um sucesso. Dos dois primeiros dias após a cirurgia, Kátia não lembra de nada. Somente no terceiro dia ela acordou, de fato. A recuperação foi bastante longa, a jovem ficou bastante fraca, perdeu toda a musculatura e teve que ter muita força de vontade para superar. Ainda durante a recuperação, sofreu uma rejeição do novo órgão, que foi contornada com medicação.

Após mais de 20 dias, ela teve alta do hospital, mas ainda não poderia voltar para Brusque. “Tive que fazer a reabilitação pulmonar. Toda segunda, quarta e sexta-feira eu estava no hospital passando por exames e tratamento”.

O retorno para a casa só foi autorizado oito meses após a cirurgia. Ainda assim, Kátia terá de voltar periodicamente a Porto Alegre para avaliações.

A recepção em Brusque foi recheada de amor e carinho. Familiares e amigos prepararam uma festa de boas-vindas para a jovem guerreira que mesmo diante de todas as dificuldades, nunca desanimou.

“Quando eu ainda estava no hospital, uma pessoa perguntou se eu não tive medo. Eu disse que não, que eu tive fé”.

Convivendo com a doença
Kátia descobriu a fibrose cística com apenas nove meses. A mãe, Maria Lionete Cassaniga Bohn, estranhou o fato de que a menina tinha muita pneumonia, vomitava e evacuava muito. “Isso me deixava muito preocupada porque com o meu filho mais velho não era assim, eu sabia que não era normal”.

A mãe foi em busca de vários médicos até que encontrou o pneumologista Márcio Martins, que recomendou o exame de suor na menina. “Ele foi o anjo dela. Fomos para Curitiba para fazer o exame que confirmou a doença. Naquela época, a fibrose cística se diagnosticava somente pelo teste do suor. Agora também é pelo teste do pezinho”.

Kátia cresceu convivendo com a doença, tomando uma série de medicamentos e fazendo inalações mais de uma vez por dia. Entretanto, a situação de seu pulmão começou a se agravar a partir de 2013. “Peguei uma bactéria e fui decaindo. Primeiro, me diagnosticaram com tuberculose, fiz seis meses de tratamento e só piorou, depois foi descoberta a bactéria, tive pneumonia e, em 2015, o médico falou que a única opção seria o transplante”, lembra.

Até esta época, Kátia trabalhava e estudava normalmente. Após entrar para a lista do transplante teve de desistir da faculdade de Pedagogia. Agora, com novos pulmões, ela já faz planos para o futuro. “Quero voltar a estudar, ter uma vida normal. Talvez fazer faculdade de Fotografia”, diz.

Um salva oito
A jovem afirma que será eternamente grata à família de sua doadora, já que em meio ao sofrimento de uma perda tão precoce – a doadora tinha 14 anos – não pensou duas vezes em proporcionar uma nova chance de viver para outras pessoas.

“A doação de órgãos de uma pessoa pode salvar até oito vidas. Sou muito grata a minha doadora e a família dela. Ganhei a chance de uma vida nova e espero que as pessoas se conscientizem sobre a importância de autorizar a doação de órgãos”.

Em 2017, Santa Catarina registrou taxa recorde de doações de órgãos. Foram 282 doadores de múltiplos órgãos, três vezes mais que a média brasileira comparando ao número de habitantes.

Kátia mantém a página Dias de Fibra – Transplante Pulmonar, no Facebook, onde atualiza seu estado de saúde e também fala sobre a importância da doação de órgãos.

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