Para tornar-se um Posto Avançado da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, o local que recebe o título da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) precisa desenvolver atividades nos campos da proteção da biodiversidade, do desenvolvimento sustentável e do conhecimento científico e tradicional sobre a Mata Atlântica.

De quatro em quatro anos, os responsáveis pela RPPN precisam descrever as atividades desenvolvidas no espaço, elaborando uma auto avaliação do trabalho. O relatório é imprescindível para a manutenção do status.

A RPPN Chácara Edith, único Posto Avançado de Santa Catarina desde 2006, costuma atualizar no período indicado os relatórios descrevendo tanto os projetos escolares quanto os projetos científicos desenvolvidos no local.

Antes mesmo de ser transformada em RPPN, a Chácara Edith já recebia pesquisadores. A partir da década de 30, cientistas nacionais e internacionais especialistas em botânica e em ecologia começaram a visitar o local.

Passaram pela RPPN pesquisadores ilustres como o naturalista e agrônomo Augusto Ruschi, falecido em 1986, o ornitólogo e naturalista Helmut Sick, falecido no início dos anos 2000, o botânico e historiador Raulino Reitz, falecido em 1990, e o engenheiro e ornitólogo Johan Dalgas Frisch.

Quando o plano de manejo da área foi divulgado, em 2011, quatro pesquisas científicas eram produzidas, todas elas sobre a fauna. Até aquele ano, 12 trabalhos de conclusão de curso, teses e dissertações haviam sido elaboradas por meio de informações adquiridas na chácara.

Atualmente, nenhuma pesquisa científica é desenvolvida na RPPN Chácara Edith / Foto: Wilson Moreli
Atualmente, nenhuma pesquisa científica é desenvolvida na RPPN Chácara Edith / Foto: Wilson Moreli

Para o engenheiro florestal João Paulo de Maçaneiro, que desenvolveu pesquisas sobre as florestas da RPPN entre 2012 e 2014, como o local abriga significativa porção de Floresta Pluvial Subtropical Atlântica e variedade de ambientes florestais bem conservados que retratam Brusque antes de sua colonização, é importante monitorá-la continuamente por meio de pesquisas.

“Estudos sobre vegetação devem ser desenvolvidos continuamente na reserva, de modo a monitorar a dinâmica de populações e comunidades de plantas. Por exemplo, pesquisas sobre essas florestas podem servir de base e auxiliar na tomada de decisão para a gestão e o manejo da reserva, no planejamento de atividades de manejo florestal sustentável em outras áreas, na educação ambiental, na silvicultura de espécies nativas e projetos de restauração florestal, entre outros”, afirma.

Maçaneiro conta que decidiu elaborar as pesquisas na RPPN para contribuir com os estudos sobre a Floresta Atlântica do Vale do Itajaí.
“Após se passar mais de 60 anos desde o primeiro levantamento florestal na RPPN Chácara Edith, decidimos retornar ao local e estudar as florestas remanescentes, de modo a contribuir com as pesquisas sobre a Floresta Atlântica do Vale do Itajaí. O objetivo desta pesquisa foi analisar a composição, estrutura e o estado de conservação das florestas remanescentes, bem como verificar sua relação com o solo e a topografia do terreno”, diz.

Doutora em Ecologia, Yve Gadelha trabalhou durante dois anos (2013 e 2014) na reserva para elaborar sua tese sobre interações entre insetos (formigas e cigarrinhas) e plantas na Mata Atlântica. Assim como Maçaneiro, ela também afirma que há muito a explorar na Chácara Edith.

A partir da década de 30, cientistas nacionais e internacionais começaram a visitar o local / Foto: Wilson Moreli
A partir da década de 30, cientistas nacionais e internacionais começaram a visitar o local / Foto: Wilson Moreli

“O nosso projeto de doutorado com insetos e plantas foi apenas o começo do estudo de interações ecológicas na Mata Atlântica. Seria bem interessante ter mais palestras sobre a reserva em polos de educação superior como as universidades da região, Furb e demais campi da UFSC e Udesc. Essas palestras poderiam abranger a divulgação do trabalho de educação ambiental que é feito com os escolares da região de Brusque e também fomentar a pesquisa de alunos de graduação e pós-graduação”, avalia.

Para Yve, há diversos temas para serem explorados no local, como ecologia, biodiversidade, riqueza de espécies de animais e plantas e diversidade de fungos. A doutora conta que decidiu realizar a pesquisa por três razões: ter cobertura vegetal de Mata Atlântica com bom histórico de preservação ambiental, servir de corredor ecológico para o bioma e dispor de fácil acesso aos pesquisadores.

“Além disso, as trilhas principais já eram de uso para aulas de educação ambiental, onde nós realizamos nosso trabalho de campo do projeto de doutorado. Portanto não foi necessário intervir/interferir no ambiente estudado”, acrescenta.

Embora os pesquisadores aconselhem estudos e afirmem que o local ainda precisa ser mais explorado, atualmente, nenhuma pesquisa científica é desenvolvida na Chácara, segundo a bióloga da Prefeitura de Brusque que trabalha no local, Gisele Buch.

Até 2011, 12 trabalhos de conclusão de curso, teses e dissertações haviam sido elaboradas no local / Foto: Wilson Moreli
Até 2011, 12 trabalhos de conclusão de curso, teses e dissertações haviam sido elaboradas no local / Foto: Wilson Moreli

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