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La Niña entra em fase final e indica retorno do El Niño

Análises apontam mudança no padrão oceânico com reflexos em Brusque e região

O fenômeno La Niña está entrando em sua fase final no Oceano Pacífico e já apresenta sinais consistentes de enfraquecimento; nesse cenário, os registros de janeiro de 2026 reforçam essa tendência.

A informação consta na análise da MetSul Meteorologia, com sede em Porto Alegre (RS), assinada pela meteorologista Estael Sias, com base em dados oficiais da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (Noaa), dos Estados Unidos.

La Niña de fraca intensidade

Segundo a MetSul, o atual episódio caracteriza-se por intensidade reduzida e limitada capacidade de sustentação, reforçando o quadro de enfraquecimento observado nas últimas semanas.

Nesse contexto, os boletins mais recentes da NOAA, analisados pela equipe da MetSul, indicam que o padrão térmico que sustenta o evento começa a ceder, abrindo espaço para um processo de transição no sistema climático global.

Possível El Niño

Com efeito, Estael destaca que mudanças já são observadas nas camadas abaixo da superfície do Pacífico, sinalizando que o oceano passa por uma reorganização térmica, típica do fim de um evento de La Niña.

Conforme explica a meteorologista, esse tipo de comportamento costuma anteceder a transição para a neutralidade climática e, na sequência, pode favorecer o desenvolvimento de um novo episódio de El Niño.

De acordo com a MetSul, a projeção mais segura neste momento é de neutralidade entre o fim do verão e o início do outono, com possibilidade de evolução para uma fase quente ao longo do segundo semestre.

A Noaa, que monitora continuamente o Pacífico Equatorial, acompanha o mesmo cenário de transição.

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O que representa a mudança de fase

O fenômeno La Niña, conforme explica a MetSul, é uma das fases do sistema climático conhecido como El Niño–Oscilação Sul (Enos) e exerce influência direta sobre os padrões de chuva e temperatura em diversas regiões do planeta.

No Brasil, os impactos variam conforme a região.

Durante a fase fria, o Sul tende a registrar períodos mais secos, enquanto o Norte e o Nordeste costumam apresentar volumes de chuva acima da média.

Já o El Niño, segundo análises conjuntas da MetSul e da Noaa, costuma provocar o efeito oposto, com aumento expressivo das chuvas no Sul e maior risco de eventos extremos.

Ainda conforme a MetSul, as transições entre essas fases são, historicamente, períodos de maior instabilidade e mudanças rápidas no comportamento do clima.

Reflexos recentes no Sul do Brasil

A atenção em torno dessa mudança se intensifica diante dos impactos deixados pelo último El Niño.

O fenômeno esteve associado a enchentes de grandes proporções no Rio Grande do Sul, além de sucessivas cheias em Santa Catarina.

No Vale do Itajaí, os reflexos também foram severos. Em Brusque, o rio Itajaí-Mirim saiu da calha diversas vezes ao longo de 2023.

O ápice foi registrado em novembro, quando o nível atingiu 8,96 metros, provocando alagamentos, prejuízos econômicos e transtornos em diferentes bairros brusquenses.

Segundo a MetSul, esse padrão de extremos é compatível com o comportamento típico do El Niño, que favorece episódios de chuva persistente e volumosa no Sul do Brasil.

La Niña sob monitoramento

Conforme reforça Estael, com base nos boletins semanais da Noaa, a La Niña está em processo de enfraquecimento, e o Pacífico já apresenta sinais claros de reorganização térmica.

Esse comportamento costuma marcar o encerramento da fase fria e o início de uma nova etapa do ciclo climático global.

Portanto, a projeção aponta para um período de transição, cujo desfecho poderá influenciar diretamente o regime de chuvas, a frequência de eventos extremos e o comportamento das temperaturas no Sul do Brasil nos próximos meses.

Fontes:
MetSul Meteorologia/Estael Sias
Noaa — Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (EUA)


O tempo na madrugada na madrugada

Dando continuidade à edição deste sábado, o foco agora destaca as informações sobre o monitoramento do tempo na região brusquense durante a madrugada que passou.

A tabela abaixo apresenta o levantamento das temperaturas mínimas registradas logo após o romper da aurora, correspondentes a cada local indicado em vermelho.

A análise também evidencia que, no período compreendido entre a meia-noite e as primeiras horas do dia, não foram registradas ocorrências de chuva, conforme destacado nos campos em azul.

La Niña

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Foto: Ciro Groh/O Município

Fotos dos leitores

A pauta deste sábado se encerra com fotografias encaminhadas por leitores, que ilustram como o início da manhã se configurou em diversos pontos do Vale do Itajaí-Mirim.

Confira deslizando para o lado.

Veja fotos do bairro Gabiroba em Botuverá | Fotos: Marcos e Sonia Bianchessi


Veja as fotos do bairro Tirivas em Presidente Nereu | Fotos: Amilton e Margareti Petry

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