Pátio abandonado da Oi em Brusque tem entulhos, fiações abandonadas e foco de Aedes aegypti
Empresa recebeu notificação de sete dias para realização de mudanças no ambiente
Na terça-feira, 3, a Prefeitura de Brusque realizou a retirada de telefones públicos, apelidados nacionalmente como "orelhões" que estavam abandonados no antigo pátio da empresa Oi, no Centro. O contrato de manutenção dos telefones públicos, firmado em 1998, chegou ao fim em dezembro de 2025 e a maioria deles começou a ser retirada das ruas em janeiro de 2026.
Os orelhões foram lançados em 1972 em todo o território nacional e possuem design assinado pela arquiteta Chu Ming Silveira, chinesa radicada no país. A rede, que já obteve mais de 1,5 milhão de terminais, era mantida por concessionárias de telefonia fixa, com a contrapartida obrigatória do serviço para a realização da manutenção necessária.
A retirada dos telefones públicos acontece em todas as cinco regiões brasileiras, por parte das empresas que participaram dos contratos de 1989: Algar, Claro, Oi, Sercomtel e Telefónica. Porém, em cidades onde não há rede de celular disponível ou a rede existente é pequena, os orelhões têm permanência obrigatória até 2028.
Em contrapartida pela desativação, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) determinou que as empresas citadas deverão realizar investimentos em infraestruturas de telecomunicações para ampliar as tecnologias no país inteiro, principalmente em locais sem tais infraestruturas.
Retirada dos orelhões em Brusque
Desde 2020, a empresa Oi de Telecomunicações vem retirando os seus orelhões das vias públicas. As estruturas acabaram descartadas no pátio da marca, no Centro, entre as ruas Barão do Rio Branco e Paes Leme. Entretanto, ao longo do tempo, o pátio se tornou um depósito ao ar livre de peças de postes, fios, cabos e lixo.
Uma moradora do edifício Fernando, localizado ao lado do terreno, falou sobre a situação. “O descuido tem se agravado, antes eram materiais como cabos de aço e estruturas metálicas, mas agora vemos caixas de papelão, sacolas e garrafas plásticas, e continuam sendo depositados”.
“Temos percebido aumento de insetos e pragas como mosquitos, baratas e ratos, além da péssima visão ao abrir a janela e se deparar com a capoeira tomando conta e o lixo a céu aberto”, complementou a munícipe.
Ela revelou que anteriormente os moradores do edifício tentaram procurar a empresa proprietária do local, mas não obtiveram sucesso, e que também informaram a Prefeitura de Brusque sobre a situação durante os últimos anos.
Assunto na Câmara de Vereadores
Na sessão da Câmara de Vereadores da última terça-feira, o assunto sobre o pátio da Oi foi debatido pelo vereador Joubert Lungen (Podemos). Ele informou que o terreno é de proprietário de massa falida. A empresa Oi passa por um processo de falência decretado em novembro de 2025 e a sua telefonia móvel foi vendida em 2022 para a Claro, TIM e Vivo.
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Toque aqui e participe!O vereador sinalizou que foi até o local alguns dias antes da sessão e que agentes de combate a endemias também estiveram no terreno para realizar a coleta de água parada e verificar a existência de vírus. O resultado deu positivo para a presença do Aedes aegypti, o mosquito transmissor de doenças virais como dengue, zika vírus e chikungunya.
Com a retirada dos orelhões, principais depósitos para a água parada, o vereador relembrou a existência de caixas de postes que também podem conter água parada e que ainda estão no pátio.
“Além disso, tem lixo e marmitas sendo despejadas ali, com portão aberto, podendo ocasionar em quem quiser passar e deixar o seu lixo, pode deixar, porque está virando um lixão no centro da cidade”, expôs Joubert.
Por fim, o vereador anunciou que foi realizado um requerimento para a prefeitura, para que tomasse providência junto à empresa e realizassem a limpeza necessária. Também foi efetuada uma notificação à empresa Oi, com prazo de sete dias para haver mudanças no ambiente.
Joubert anunciou que pretende acompanhar e trazer o assunto novamente à Câmara na sessão da próxima terça-feira, 10.