Lojistas reclamam de urina e fezes deixadas por moradores de rua no Centro

Comerciantes sentem-se prejudicados com a sujeira deixada pelos sem-teto

Lojistas reclamam de urina e fezes deixadas por moradores de rua no Centro

Comerciantes sentem-se prejudicados com a sujeira deixada pelos sem-teto

Terra sem lei: é assim que lojistas do Centro falam sobre o município quando o assunto são os moradores de rua, em especial na praça Barão de Schneeburg e próximo à Galeria São José. A situação dos andarilhos é um assunto polêmico há algum tempo e desde a última semana ganhou mais força, devido a revolta dos lojistas.

A Câmara de Dirigentes e Lojistas (CDL) recebe, frequentemente, reclamações dos comerciantes insatisfeitos com a prefeitura. Alguns lojistas alegam que após o bloqueio à sede da agência dos Correios, local em que os sem-teto costumavam ficar, eles migraram para a praça principal. “Está uma situação sem controle, ninguém toma uma atitude. O turista que chega no município vê a praça cheia de moradores de rua, causando muita sujeira”, esbraveja um lojista.

O presidente da CDL, Michel Belli, conta que devido às inúmeras ligações recebidas resolveu ir pessoalmente até a praça na manhã de sexta-feira, 30. Para sua surpresa, encontrou um grupo de moradores de rua fazendo churrasco no meio da praça. “Eles improvisaram uma fogueira no local e, com isso, a fumaça começou a adentrar as lojas ao entorno da praça”.

A Polícia Militar também foi acionada pela CDL para fazer abordagem e, inclusive, capturou um foragido da justiça, que estava há quatro dias em Brusque e possuía um mandado de prisão por roubo.

Belli informa que o órgão já encaminhou dois ofícios à prefeitura, inclusive fez uma denúncia ao Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC). “A gente participa das reuniões, mas não tem poder para determinar nada. Tudo depende de ações da prefeitura para a situação, que é um problema social”, diz.

Urina e fezes
Outra situação que perturba os comerciantes é a urina e as fezes deixadas pelos moradores de rua durante a madrugada. Uma lojista próximo à praça diz que não se incomoda pelo fato de dormirem em frente à loja, mas sim pela sujeira. “A gruta, na subida da escadaria da igreja matriz, virou banheiro deles. Não tem mais como entrar lá, porque fede a xixi e cocô”.

Ela acrescenta que o comércio tem sido prejudicado com a presença constante dos moradores de rua na área central, pois os consumidores têm evitado circular por aquela região com receio. “Cada dia tem mais moradores de rua, chega a lembrar de uma cracolândia em miniatura. Respeito o direito de ir e vir, mas o direito deles vai até onde começa o nosso. Eles também precisam respeitar nosso espaço”, analisa.

Na última semana, a lojista conversou com uma cliente que chegou a ser abordada por um casal na escadaria da igreja matriz. “Nem para rezar as pessoas têm sossego, pois usam as escadas para dormir também. E a questão é: cadê o prefeito dessa cidade? Os vereadores?”.

Outro lojista diz que já reclamou na prefeitura, mas nada foi feito até o momento. “Eles bebem, ameaçam quebrar as vitrines das lojas, de jogar fezes nas vitrines. É bem complicado”. A maioria dos moradores de rua ainda vivem acompanhados por um cachorro, o que gera ainda mais medo nas pessoas, por não se saber como será a reação do animal ao ser aproximar.

Abrigo superlotado
A secretária da Assistência Social, Mariana Martins da Silva, reconhece que a situação é delicada e garante que o que está ao alcance do poder público, está sendo feito. O alberque provisório, montado na Arena Brusque, por exemplo, não estava previsto no orçamento da prefeitura, mas se tornou uma necessidade e agora, está superlotado.

Além disso, a secretaria realiza constantemente abordagens sociais para fazer o encaminhamento para o abrigo, porém, é opção dos sem-teto permanecer na rua. “Não podemos obrigá-los a ir para o abrigo e muitos, inclusive, não querem ir para lá, pois têm regras que precisam ser seguidas e eles não são adeptos a regras”.

Sobre o local em que escolhem para ficar, Mariana ressalta que também não podem impedi-los de frequentar a praça, pois é um espaço público. “Eles optam por esses locais pela facilidade para vender seus artesanatos e até mesmo de receber ajuda das pessoas”.

A secretária garante que desde o começo do ano até agora, a chegada de novas pessoas em situação de rua diminuiu.

 

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