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EXCLUSIVO – Defesa de acusado de homicídio em Brusque diz que facada foi reação a soco no rosto

Acusado foi xingado de "corno" e "outras palavras impublicáveis", afirma advogado

A defesa do homem acusado de matar Waldinei Dias a facadas em Brusque, no dia 15 de fevereiro deste ano, falou com exclusividade ao jornal O Município na manhã desta quinta-feira, 21.

O advogado Sergio Bernardo Junior, da Bernardo & Fachi Advocacia, apresentou a versão da defesa e explicou os motivos do recurso contra a decisão que levou o réu a júri popular.

Ele afirmou que, após o inquérito e o oferecimento da denúncia, novos fatos surgiram durante a tramitação do processo, indicando que "muitas das informações veiculadas" estavam "em alguma medida" distorcidas.

O recurso ainda aguarda julgamento no Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC).  Enquanto o recurso segue em análise, não há previsão para a data do júri.

O crime ocorreu no bairro Primeiro de Maio, em Brusque. A vítima, de 31 anos, foi atacada na saída do estacionamento de uma casa de shows.

O nome do acusado não foi divulgado pela defesa.

Versão da defesa


Segundo a defesa, na noite dos fatos, o acusado, natural de Caçador, acompanhado da esposa, foi à casa noturna apenas para se divertir e se aproximou de uma mesa com outras mulheres.

Em determinado momento, conforme a versão apresentada, um homem que estava com Waldinei, entre outras pessoas na mesa ao lado, ofereceu flores a todas as mulheres que acompanhavam o acusado, inclusive à esposa dele, que recusou o presente.

"Depois de uns minutos encarando o acusado, possivelmente inconformado com a desfeita, o tal homem, junto com os amigos, dirigiu-se à mesa daquele e o grupo passou a proferir graves ameaças, ofensas e humilhações ao acusado, com dedos em riste e insultos como 'corno' e outras palavras impublicáveis".

A defesa afirma que o clima ficou "extremamente tenso", o que fez com que o acusado e sua esposa "se sentissem constrangidos" a deixar o local.

Após deixá-la em casa, o acusado, "acometido de violenta emoção", teria retornado ao estabelecimento para "devolver as ameaças e humilhações", levando consigo uma faca, já que "estava sozinho e o grupo de amigos de Waldinei era numeroso".

"Waldinei, porém, não era o alvo da retaliação e pouco havia sido notado pelo acusado, que estava especialmente revoltado com dois amigos da vítima que haviam sido mais agressivos nas hostilidades. No entanto, quis o destino que vítima e o acusado se cruzassem na guarita de controle de acesso ao estacionamento da casa noturna, que fica numa estreita estrada de acesso".

Segundo a defesa, Waldinei, que saía do estacionamento com seu carro, parou para entregar o ticket ao segurança, reconheceu o acusado, que aguardava a passagem do veículo para subir a estrada com sua moto. A vítima então teria chamado a atenção do acusado, "ofendendo-o, desafiando-o a 'descer' da moto porque queria lhe bater".

Na nota enviada à reportagem, a defesa afirma que o acusado, bastante nervoso, aceitou o desafio, estacionou a moto e, após colocar o capacete no guidão, ao se virar para Waldinei, foi "surpreendido com um forte soco no nariz".

Em seguida, a defesa afirma que a vítima agarrou o acusado, "tentando imobilizá-lo e agredi-lo ainda mais, momento em que, em total desvantagem, o acusado conseguiu sacar a faca para repelir a agressão que sofria".

Explicação do recurso


Sergio explica que a alegação de legítima defesa não se baseia diretamente nas "graves ofensas e humilhações sofridas" pelo acusado dentro do estabelecimento, mas se refere à "violência cometida pela própria vítima quando, em momento posterior, as partes se encontraram na entrada do estacionamento".

Na nota, o advogado destaca que o acusado se apresentou à polícia no dia seguinte aos fatos, quando foi submetido a exame de corpo de delito. A defesa afirma ainda que o exame teria constatado "a lesão em seu nariz e em outras partes do corpo".

Sobre a tese de nulidade, a defesa afirma que ela está relacionada a questões processuais, uma vez que "se sentiu prejudicada em suas prerrogativas de atuação, tendo sido negado até mesmo requerimento de acesso às filmagens do estabelecimento".

Já o afastamento das qualificadoras, conforme a defesa, é solicitado porque entende-se "que os fatos não se enquadram nas hipóteses legais indicadas pela acusação".

Leia o restante da nota da defesa na íntegra:

"Obviamente que respeitamos o luto dos familiares e amigos da vítima. O que se apurou é que era uma boa pessoa e o acusado, inclusive emocionando-se em seus depoimentos, lamentou muito o ocorrido. Enfim, acreditamos que a ocorrência se deve, principalmente, à falibilidade humana a que estamos todos sujeitos, e nos pareceu importante esclarecer que, sempre e sempre, há um outro lado dos acontecimentos que deve ser considerado e ponderado antes de fazermos qualquer julgamento".


Assista agora mesmo!


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