Polícia Militar registra queda de quase 50% nos casos de roubo em Brusque

Entretanto, número de furtos teve crescimento de 6% entre 2016 e 2017

Polícia Militar registra queda de quase 50% nos casos de roubo em Brusque

Entretanto, número de furtos teve crescimento de 6% entre 2016 e 2017

O ano de 2017 registrou, segundo dados da Polícia Militar de Brusque, uma queda de 46% no número de roubos. Foram 94 casos, contra os 202 ocorridos em 2016. Em relação aos furtos, foram 662 incidências, 38 a mais do que no ano anterior.

Já no primeiro bimestre de 2018, também de acordo com a PM, houve uma queda de 30% nos crimes de roubo e de 25% nos de furto, em comparação com os números referentes ao mesmo período do ano passado. Foram 45 registros de furtos e 10 de roubos até o dia 28 de fevereiro.

De acordo com o comandante do 18º Batalhão da PM de Brusque, tenente-coronel Moacir Gomes Ribeiro, essa queda se deve ao trabalho que a PM realiza continuamente, por meio do policiamento ostensivo, rádio patrulha e do setor de inteligência, que identifica os locais e horários de maior incidência de crimes.

O delegado da Polícia Civil, Leandro Sales, acredita que, em Brusque, “é possível opinar que crimes de furtos e roubos são crimes de oportunidade. Há, sim, crimes que são praticados por autores especializados na prática de tais infrações penais, mas em geral são crimes que o autor decide quando a oportunidade aparece”.

“A presença da PM inibe a ação de criminosos”, diz. “Quando fazemos operações, rondas e ações de prevenção, retiramos de circulação não apenas veículos ilegais, mas também pessoas que são procuradas pela Justiça, o que aumenta a sensação de segurança.”, diz Sales.

O comandante informa que a polícia está agindo também sobre o tráfico e, segundo ele, o número de drogas apreendidas pela PM nunca foi tão alto. Em 2017, foram apreendidos 139.710kg de maconha, 9.028kg de crack e 2.720kg de cocaína; em 2018, 2.088kg de maconha, 4.186kg de crack e 2.249kg de cocaína. “O tráfico é um chamariz do crime: causa furtos, roubos, homicídios.”

Sales acrescenta que a dependência química também é um fator que contribui para o cometimento deste tipo de crime. “Não é incomum usuários subtraírem veículos de conhecidos e até de familiares para trocar por drogas ou para pagar dívida de droga, sendo uma preocupação cada vez maior em todo médio e grande centro”.

Em se tratando de roubo, Sales diz ainda que é preciso considerar que o agente tem como característica pessoal a agressividade, visto que é um crime que envolve violência ou ameaças graves e o uso de algum tipo de arma.

Mapeamento dos locais de risco
A partir das denúncias realizadas pelo 190, a PM consegue mapear os pontos de maior criminalidade e intensificar a vigilância nessas áreas. Por isso, o comandante enfatiza a importância da denúncia, pois é através dos registros pelo 190 que é feita a verificação de onde e quando os eventos acontecem.

Gomes afirma que, além de ajudarem no mapeamento do crime, as denúncias auxiliam na aproximação com a comunidade, e também que a polícia está satisfeita com a diminuição dos índices.

Segundo o delegado Sales, da Polícia Civil, “no geral, há uma colaboração muito importante da comunidade por meio das denúncias anônimas, indicando quem foi o ator de determinado fato, já auxiliando no direcionamento das investigações”.

“Mas ainda falta muito para atingirmos um patamar ideal, temos muito no que melhorar. É importante lembrar que a segurança pública é um conjunto de ações, com a PM, a Polícia Civil, a comunidade, as instituições”, diz Gomes.

Sales concorda: “Eis que houve um incremento substancial no material humano das polícias Civil e Militar, tornando mais eficiente a prevenção e possibilitando que haja uma investigação dos fatos, o que dá à sociedade sensação de segurança e combate a impunidade. As instituições não estão, acredito, no ideal para a cidade, falta muito, mas, apesar da crise que assola o país, a segurança em Santa Catarina melhorou”.

Oportunidade para o crime
Gomes reforça que a comunidade não deve dar oportunidade para o cometimento de crimes: ao viajar, pedir para algum vizinho ou parente ficar de olho na casa; não estacionar os veículos em locais ermos; verificar se as portas e janelas estão bem fechadas ao sair de casa. O comandante relembra também a importância da Rede de Vizinhos, programa que faz a ligação direta das regiões da cidade com a PM.

De acordo com Sales, os crimes de furto são de mais difícil investigação, pois os órgãos públicos só tomam conhecimento dos fatos muito depois de terem sido cometidos, afinal, a vítima ou não presencia a ocorrência, ou não percebe que ele aconteceu.

Já no caso de roubos, Sales acredita que a chance de prisão do agente é maior, visto que o crime é notificado à PM ou à Polícia Civil com mais imediatismo, o que permite o flagrante por parte dos policiais que estão em patrulhamento.

Em relação aos dados referentes ao primeiro bimestre deste ano, o comandante explica que os fatores por trás do crime devem ser levados em consideração. “O número de furtos, por exemplo, tende a ser maior no primeiro semestre do ano, que é quando as pessoas viajam, vão para o litoral, e deixam as casas vazias.”

Para o comandante, em relação aos furtos e roubos, o mais difícil não é a investigação do crime ou a apreensão do agente, mas o fato de que a legislação brasileira favorece a reincidência do crime: “Nós temos agentes que são até ‘conhecidos’ da polícia. Muitas vezes, a vítima de furto ou roubo pensa que nada é feito, mas a gente fica enxugando gelo, nesse prende e solta. A gente se depara com a lei, que facilita para o criminoso”, diz.

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