André Vechi diz que orçamento teve superávit e critica dívida de 2003 ao abrir ano legislativo com discurso duro
Dívida foi atribuída ao governo Ciro Roza, e Vechi o chamou de “gestor irresponsável”
O prefeito de Brusque, André Vechi (PL), abriu o ano legislativo da Câmara com um discurso duro. Irritado, o chefe do Executivo disse que a prefeitura pagará R$ 16 milhões de uma dívida de 2003, herdada do governo do ex-prefeito Ciro Roza.
Vechi também rebateu “notícias falsas”, como definiu, em referência a um suposto rombo de R$ 20 milhões na Secretaria de Saúde. O prefeito afirma que houve superávit no orçamento geral da prefeitura em 2025, de R$ 41,5 milhões.
Em uma apresentação feita aos vereadores, Vechi incluiu o nome de Ciro como responsável pela dívida deixada à prefeitura. O prefeito considerou que o discurso era um “desabafo”, principalmente pela repercussão do suposto rombo na Saúde.
“No ano passado, foi levantado algo que me deixou muito chateado, uma notícia falsa, não crítica. Mas a verdade é filha do tempo. Fechamos 2025 e desmentimos a narrativa mentirosa de que havia um rombo na Saúde”, disse.
De acordo com o prefeito, o Executivo pagou R$ 1 milhão da dívida no ano passado, como sinal à Justiça, para não resultar em bloqueio de contas. Os R$ 16 milhões devidos serão parcelados para que o pagamento possa ser efetuado.
“É um desabafado. Todos nós (políticos) recebemos muitas demandas e encaminhamos para que possamos resolvê-la. A cidade está crescendo muito. Infelizmente, lá atrás, tivemos gestor irresponsável que gastou dinheiro sem sabermos a finalidade”.
Ano desafiador
Apesar da maior parte do discurso ter sido em tom crítico, o prefeito desejou aos vereadores um bom ano de trabalho. Além disso, lembrou das obras realizadas em 2025 e falou sobre os projetos de 2026 do governo.
“Será um desafiador. Ano de eleição sempre é com trabalho dobrado, sendo o vereador candidato ou não. Tenho certeza que todos conseguirão se manter unidos e independentes”.
Atendimento oncológico pelo SUS
Todos os vereadores fizeram discurso de boas-vindas. Durante a fala, o vereador Pedro Neto (PL) criticou o governo federal. Ele retomou o assunto da viabilização do atendimento oncológico pelo Sistema Único de Saúde (SUS) nos hospitais de Brusque. O início do serviço depende do aval do Ministério da Saúde.
“O governo federal ainda não assinou a portaria. Não entendo o motivo. Protocolamos mais um requerimento solicitando [o atendimento oncológico em Brusque] e vamos buscar alguma ação junto ao governo do estado. O Hospital Azambuja e o Imas já possuem a estrutura necessária”, afirma.
Caso Orelha
O vereador Cacá Tavares (Podemos) demonstrou preocupação com o caso Orelha. O cão comunitário de Florianópolis foi torturado e morto por adolescentes na Praia Brava, no início do ano. O caso teve repercussão nacional.
O parlamentar elogiou a manifestação em Brusque em que pediu justiça por Orelha. A preocupação, principalmente, foi ao ato cruel, o que, segundo ele, pode refletir em outras atrocidades que a humanidade é capaz de cometer.
“Quem faz isso com um cachorro pode fazer com uma criança também. É o tipo de ser humano covarde, que vai agredir a mulher um dia, que vai tratar mal o pai ou a mãe idosos. Se fosse um pitbull, duvido que iriam mexer”.