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Na Dinamarca, a última carta. No Brasil, prejuízo bilionário

O correio da Dinamarca entregou a última carta no dia 30 de dezembro do ano passado. Certamente, o remetente dessa missiva ficará conhecido na história como o autor da derradeira correspondência entregue em mãos por um carteiro, daqueles que, a pé ou de bicicleta, entregam cartas e outras correspondências no endereço do destinatário. A decisão governamental foi tomada porque as pessoas quase não usam mais o correio, que tantos bons serviços prestou aos dinamarqueses, durante mais de quatro séculos.  

A entrega da derradeira carta foi apenas um dos capítulos do processo de desativação do serviço postal público da Dinamarca. Lá, o imponente prédio da sede do correio de Copenhague foi vendido e hoje é ocupado por um hotel de luxo. Na verdade, tudo muda e tem o seu tempo. Muitas instituições, após cumprirem a sua missão, perdem a sua utilidade e acabam desaparecendo. 

É o caso dos Correios que prestou serviços de inestimável relevância à humanidade. No entanto, já se foi o tempo em que as pessoas trocavam cartas, enviavam telegramas e quando viajavam mandavam cartões postais para familiares e amigos, serviços que foram a razão de existir dessa instituição. No Brasil, lamentavelmente, caminhamos na contramão da tendência mundial de privatização do serviço postal.

Aqui, a empresa estatal dos Correios teve o astronômico prejuízo de R$ 6 bilhões entre janeiro e setembro de 2025 — o valor total do ano ainda não foi divulgado. Um governo sério, comprometido com o princípio da responsabilidade fiscal, já teria tomado a iniciativa de privatizar esse sucateado órgão público. O atual governo, no entanto, se recusa a admitir que o correio já cumpriu a sua função histórica de garantir a livre comunicação entre as pessoas. 

Na verdade, hoje todos se comunicam ou se conectam, direta e instantaneamente por meio das redes sociais. O fato é que ninguém mais deixa de ter, nas mãos ou no bolso, o seu mágico aparelho chamado celular.

No Brasil, teremos que aguardar algum tempo ainda para ler a notícia sobre a última carta entregue pelos Correios. Infelizmente, o governo petista reza pela cartilha da estatização e resolveu apresentar um “plano” de recuperação financeira de uma empresa pública atolada numa dívida bilionária cada vez maior. Serão R$ 12 bilhões de empréstimos bancários garantidos pelo governo federal, porque sem esse absurdo aval, nenhuma instituição financeira séria cometeria a loucura de emprestar dinheiro para uma empresa em estado de completa falência.  

Pelo histórico de desastrosas administrações, despesas crescentes, receitas em queda e prejuízos cada vez maiores, com certeza a empresa estatal não terá condições de pagar a gigantesca dívida. 

O final da novela, infelizmente, já é conhecido. A conta será paga pelo Tesouro Nacional, ou seja, pelos contribuintes.