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STF: Banco Master, mais um caso de impunidade?

O esquema criminoso na vitrina dos noticiários é o golpe praticado pelos dirigentes do Banco Master, que custará mais de 40 bilhões de reais ao aos bolsos de investidores e ao sistema financeiro nacional. Pelo que tudo indica, infelizmente as ações penais terão o mesmo final de impunidade que o STF garantiu para os acusados e condenados da Lava Jato: liberdade e dinheiro do crime de volta nos bolsos.

No caso do Master, a investigação começou com a prisão dos cinco principais dirigentes do banco. No entanto, mal esquentaram a cela. A desembargadora de um tribunal federal entendeu que os investigados são gente boa e mandou colocá-los em prisão domiciliar. Hoje, só Daniel Vorcaro, o responsável maior, ainda é mantido em seu apartamento de São Paulo, cuja área deve ser maior que a soma de uma centena de celas dos presídios brasileiros. No Brasil, continua valendo o antigo ditado popular: rouba um bilhão e fica em liberdade ou preso numa mansão.

Não bastasse isso, o STF decidiu que é da sua competência processar a quadrilha. E o ministro Dias Toffoli, designado relator da investigação penal, apressou-se em decretar o sigilo total de todas as provas incriminatórias. A partir daí, a descrença numa justiça criminal empenhada em combater a grande criminalidade tomou conta da opinião pública.

Afinal, quem acredita na imparcialidade do ministro Toffoli se os seus familiares foram sócios do luxuoso resort Tayayá, no Paraná, que pertenceu a um fundo de investimentos controlado pelo Banco Master? A descrença tem crescido quando se sabe que esse ministro viajou no avião de um empresário, em companhia do advogado de um investigado para assistir a uma partida de futebol em Lima, no Peru.

Não param aí as ligações do ministro relator com o caso Master. Nos últimos três anos, Toffoli passou 168 dias no referido resort, onde se hospeda numa mansão principesca. Se pagou a hospedagem com dinheiro do próprio bolso ou se foi cortesia, ninguém saberá. Às escondidas, funcionários disseram à imprensa que Dias Toffoli é dono do resort. O que se sabe mesmo é que esse turismo principesco custou quase meio milhão de reais aos cofres da nação brasileira, com despesas de segurança para o ministro e sua família.

Finalmente, quem acredita que o STF julgará os acusados com o necessário rigor e imparcialidade, se a mulher e os filhos do ministro Moraes firmaram contrato de 129 milhões de reais para defender os interesses do banco Master? Quase a metade foi paga com dinheiro das fraudes contra o sistema financeiro. Nenhuma ação judicial foi proposta pelo escritório da Família Moraes, mas o todo-poderoso ministro teria conversado mais de uma vez com o presidente do Banco Central.

No entanto, na Corte nem na Procuradoria-Geral da República, ninguém quer saber o que Moraes conversou com a autoridade financeira. Querem saber, sim, quem teria vazado a informação para que seja severamente condenado.

Diante de tudo isso, é possível acreditar que os responsáveis pelo esquema criminoso do Banco Master serão devidamente processados e punidos?