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Por que a escola brasileira não deslancha?

Este jornal publicou, na última terça-feira, os resultados ruins das escolas públicas de Brusque, nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio, de acordo com as metas estipuladas pelo MEC. Se levarmos em conta que os padrões do MEC não são lá aquelas coisas, a situação não é nada animadora. Mas não vejo […]

Este jornal publicou, na última terça-feira, os resultados ruins das escolas públicas de Brusque, nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio, de acordo com as metas estipuladas pelo MEC. Se levarmos em conta que os padrões do MEC não são lá aquelas coisas, a situação não é nada animadora. Mas não vejo tal resultado como problema localizado, que possa ser resolvido pelas secretarias municipal ou estadual de Educação. O problema é endêmico. É uma perda absurda de qualidade, que vem engolindo todo o ensino brasileiro há décadas. Quando nossos estudantes são submetidos a testes internacionais, a situação é muito mais vexatória. Soube, há algum tempo, que alguns haitianos que chegaram a frequentar escola pública em Itajaí ficaram horrorizados. Não conseguiam conceber a indisciplina, o desleixo, o faz de conta que dominava o colégio. E eles vinham do país mais arrebentado das Américas.

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Os métodos de alfabetização que utilizamos hoje são lentos e ineficazes, e estão impostos, para todo o Brasil, pela base comum do MEC. Quando um professor se dispõe a fazer mestrado, é submetido, na imensa maioria dos casos, a um caminhão de leituras de textos marxistas, desconstrutivistas, de teoria de gênero e de toda essa engronha ideológica que transforma a escola em quartel general da revolução esquerdista. Quem está preocupado em pensar os reais problemas da educação e encontrar soluções simples para enfrentá-los?

Não precisa ir muito longe para isso. Reúnam em Brusque alguns dos nossos notáveis professores de outrora, alguns já fora de combate, outros aposentados, mas atentos.

Garanto que eles têm muito mais a ensinar do que qualquer mestrado em teoria socialista.
O que nós precisamos é que a escola volte a ter como objetivo a formação intelectual sólida que tinha outrora, com disciplina, respeito, patriotismo. Eu estudei em uma escola estadual de um bairro praticamente sem urbanização na periferia de uma cidade do norte do Paraná. Quando fui estudar em Florianópolis, num dos melhores colégios do Estado de Santa Catarina, não me senti, em nenhum momento, em desvantagem. Muito pelo contrário. Mas por quê? Entre outras coisas porque, graças a Deus, minhas professoras nunca ouviram falar em Paulo Freire ou Emília Ferreiro. Fui alfabetizado em apenas um ano pelo “Caminho Suave”, e depois era redação, ditado, gramática, correção, mais ditado, e assim em todas as matérias. Não tinha nem um décimo das frescuras pedagógicas que foram sendo inventadas ao longo do tempo, ninguém queria fazer revolução nenhuma.

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Aliás, estavam fazendo a melhor revolução possível, dando a mim, um magricela desvitaminado, sem nenhuma vantagem econômica ou social, a possibilidade de estar de igual para igual, em conhecimento, com qualquer filho da elite. O dia em que recuperarmos essa gana de ensinar e aprender – realmente – identificaremos os obstáculos que nos impedem de ir à frente. Enquanto mantivermos as viseiras ideológicas que nos amarram, continuaremos nos iludindo… e sentindo vergonha do Haiti.