Altair Silvério, 56 anos, é homem simples, mas perseverante. O morador do bairro Limeira é exemplo de que é possível, com prevenção e consciência, vencer o câncer de próstata.

Silvério é calmo e fala com o sotaque característico de Francisco Beltrão (PR), de onde veio há mais de 23 anos para Brusque. Pai de três filhas e casado, ele não se deixou abalar pela notícia de que estava com a doença.

Silvério tem apenas um rim, por isso, há mais de dez anos ele faz acompanhamento com o urologista, para prevenir problemas. Consciente, todo ano ele vai ao especialista para o checape.

Foi numa destas idas, em 2016, que o médico Rudimar Reis percebeu um problema na próstata de Silvério. Ele fazia exames periódicos, portanto, foi fácil identificar que a glândula estava aumentada.

Silvério conta que num espaço de dois meses a próstata dele cresceu vertiginosamente, apesar de ele estar tomando um remédio forte para tentar controlar a situação. Isso acendeu o sinal de alerta do médico – que pediu exames.

O resultado não foi animador: 62% da próstata de Silvério estava comprometida. “O médico me disse: ‘vai ter que operar’. Eu falei: ‘não tem problema nenhum doutor, vamos ver o que o senhor pode fazer’”, lembra Silvério.

Silvério não se abateu nem mesmo quando soube que o câncer na sua próstata era maligno. Como já explicado anteriormente, todo câncer é necessariamente maligno, mas no linguajar popular ainda é comum referir-se desta forma.

“O meu psicológico não foi afetado em nada”, garante Silvério. Em casa, todos receberam a notícia com a certeza de que a cura viria.

Ainda que não tenha caído em depressão ou tido pensamentos negativos, Silvério temia receber essa notícia. “Foi sem desespero. Eu sempre tive receio de receber essa notícia, mas fazia checape e conversava com o médico”, diz.

Operação e recuperação
Como a próstata de Silvério estava a crescer, a cirurgia dele foi feita rapidamente. No dia 17 de maio de 2016, ele foi operado e ficou três dias no Hospital Azambuja.

A cirurgia foi um sucesso. A próstata, tomada pelas células cancerígenas, foi totalmente retirada. Como não havia atingido tecidos fora da glândula, e portanto não havia metástase, foi possível curar o paciente.

Mas tão importante quanto a cirurgia foi a recuperação. E foi complicada. Silvério ficou em casa com a sonda para urinar por 15 dias e seguiu todas as recomendações médicas.

Até a época da operação, Silvério trabalhava numa fábrica de salgadinhos, em Brusque. Carregava sacos de 50 quilos de milho várias vezes ao dia.

Ele se afastou do trabalho por três meses para se recuperar da cirurgia e depois retornou ao trabalho pesado. Uma das sequelas mais comuns da retirar da próstata é a incontinência urinária.

Silvério conta que no começo teve de usar até mesmo pequenas fraldas devido à urina. Até hoje essa condição continua, mas tem melhorado muito, comenta o paciente que venceu o câncer.

Hoje, Silvério já está aposentado. Vive em casa com a mulher e uma filha. Sai para dançar periodicamente e tem o cotidiano normal.

Otimista por natureza, ele fala do câncer como se estivesse a falar da Copa do Mundo de 1994 ou de quando estava no Paraná: coisa do passado.

Silvério faz parte de um pequeno grupo de homens: os que se previnem. Ao aceitar conceder a entrevista, ele disse que espera que, com isso, mais pessoas se conscientizem sobre a necessidade das consultas periódicas.

“Por que a mulher vive mais do que o homem? Porque se cuida mais”, resume Silvério.

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