Na quarta reportagem da série Raio-X das Rodovias, pela primeira vez é abordada uma rodovia que não passa por Brusque. A SC-420 faz a ligação entre Guabiruba e Blumenau, também passando por parte do Gaspar Alto, mas tem impacto em toda a região.

A reportagem percorreu a rodovia, chamada de rua Pomerânia na parte que fica em Guabiruba, e de estrada geral do Gaspar Alto no trecho já em Gaspar, até o limite entre os dois municípios, acima do número 5.900.

Quando a reportagem esteve na rua Pomerânia, no sábado, 26, pela manhã, chovia uma garoa fina. Com isso, formou-se uma espécie de “nata” sobre o barro e as frenagens do carro já não eram mais tão eficazes.

A falta de segurança é uma reclamação latente de vários moradores. Embora seja uma rodovia utilizada pelas populações de Guabiruba, Gaspar e Blumenau, a via é estreita. Não existem placas ou qualquer outra sinalização.

Além de estreita, a SC-420 ainda possui um trecho semelhante a uma serra. A subida íngreme exige potência do carro, e atenção do motorista. Em vários pontos há apenas um barranco do lado da via.

Uma moradora ouvida pela reportagem chegou a chamar a atenção para o fato de que se alguém cair na mata, dificilmente será possível saber de seu paradeiro. Diversas curvas também são fechadas. Não existe placa de alerta.

Foram avaliadas, além das sinalizações vertical (pinturas) e horizontal (placas), os acostamentos, o pavimento e a conservação da rodovia. Há deficiência em todos os itens, mas os moradores reclamam mais fortemente de poeira e lama.

A queixa é comum em estradas de barro como a SC-420, porém, como a via é estreita, a lama é um quesito de segurança. Acostamento existe, mas apenas em alguns pontos. Noutros, há espaço para somente um carro passar por vez.

O pavimento é de barro e com a pouca chuva fina que caiu no sábado ficou esburacado. Assim como havia acontecido na rua Alberto Muller (SC-486), em reportagem anterior, a trepidação foi grande dentro do veículo.

Chama a atenção a conhecida imprudência dos motoristas. Muitos passaram em velocidade acima do aconselhável para a rodovia enquanto a reportagem esteve no local.

História antiga

O asfaltamento da rodovia é uma reivindicação de muitos anos da comunidade do bairro Pomerânia. No entanto, conforme o Município Dia a Dia tem acompanhado ao longo deste tempo, não existe definição no governo do estado.

Por duas vezes, o Departamento Estadual de Infraestrutura (Deinfra) informou que a via seria incluída no Plano Rodoviário Estadual, ou seja, estadualizada. Fora esse “detalhe” jurídico, em setembro o Deinfra comunicou que a SC-420 é inviável economicamente, já que o fluxo de veículos é considerado baixo.

Essa informação foi citada por vários moradores indignados. Eles garantem que o movimento é grande.


Inviável e sem previsão de execução

O Município Dia a Dia entrou em contato com a Agência de Desenvolvimento Regional (ADR) de Brusque, que encaminhou uma série de questionamentos à Gerência de Obras de Transporte (GOT).

A reportagem perguntou se existe projeto para a SC-420 e qual o prazo de execução. “Não existe projeto e nem previsão de contratação, estudos feitos pelo Deinfra concluíram que o segmento rodoviário não tem viabilidade econômica”, informou a Gerência do Deinfra.

Conforme já dito na matéria de setembro, para a pavimentação do acesso Guabiruba-Blumenau sair do papel, agora, só com a vontade política do governador Raimundo Colombo.


Poeira e lama

Sandra Noeli Krieger Suavi mora à beira da rodovia há 25 anos e diz que a maior queixa é a falta de asfalto. “O maior problema é a poeira e a lama”, afirma. Segundo ela, o pó é tanto que traz consequências à saúde.

Sandra diz que a poeira é um problema sério / Foto: Marcos Borges
Sandra diz que a poeira é um problema sério / Foto: Marcos Borges

A moradora diz que os filhos sofrem com a tosse por causa da poeira que não dá trégua. Além disso, existe a lama que leva sujeira para dentro das casas.

Um dos filhos de Sandra estuda na escola estadual João Boos. Ela conta que o ônibus escolar que o busca tem de enfrentar a “buraqueira” para passar por ali em dias chuvosos.


Buracos prejudicam veículos

Alisson José Kormann mora no início da parte de barro da rua Pomerânia. Além da poeira, reclamação quase onipresente nas conversas com os residentes, ele afirma que o pavimento precisa melhorar.

“Tem muito buraco quando chove”, afirma o jovem. Segundo ele, a patrola da prefeitura passa às vezes, porém, isso não resolve o problema completamente.

Alisson Kormann mora no início da rodovia / Foto: Marcos Borges
Alisson Kormann mora no início da rodovia / Foto: Marcos Borges

Um pouco mais adiante, Caique Natan Régis também diz que os buracos atrapalham. A patrola não passa em frente à casa dele porque é um ponto mais adentro da rodovia.

“Não passa nem caminhão pipa nem patrola”, afirma o morador. Ele conta que quando chove a população local tem de consertar os buracos porque o poder público não faz.


Falta manutenção básica

Acima do número 5.000, quase no Gaspar Alto, os moradores demonstram indignação com a notícia de que o Deinfra considerou a SC-420 “inviável economicamente” para asfaltamento. “Não temos nada aqui”, resume Acilio Batschauer.

Acilio Batschauer diz que moradores estão esquecidos / Foto: Marcos Borges
Acilio Batschauer diz que moradores estão esquecidos / Foto: Marcos Borges

Ele diz que o caminhão pipa – que molha a rua quando há sol e muita poeira – não vai até em frente à sua residência. O morador ainda questiona a falta de vontade política da prefeitura e do governo do estado.

Na mesma região, a família Oliveira mostra descontentamento com a segurança da rodovia. “Tem vários pontos de estreitamento nessa rua”, afirma Saionara de Oliveira. Ela diz que motoristas inexperientes podem cair nos barrancos ao longo da rua porque não existe segurança.

“A manutenção da rodovia é péssima, o carro tem que viver na oficina”, lamenta a moradora, que trabalha em Guabiruba e passa todos os dias pela SC-420. A mãe dela, Célia Maria Vargas de Oliveira diz que o pó atrapalha todos. Ela também cobra mais ação dos governantes.

“Falta vontade, já foi pedido tantas vezes”, diz Célia. O marido dela, Roberto Vilela de Oliveira, afirma que há, sim, movimento que justifique a pavimentação, diferente do que informa o Deinfra. “Só fazem promessa e não cumprem nada”, diz Roberto.


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