Caps AD atua no tratamento de mais de 100 pessoas com dependência química em Brusque
Serviço oferece atendimento multiprofissional, atividades em grupo e apoio às famílias
O Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD) de Brusque atende atualmente 103 pacientes em acompanhamento para dependência química. O serviço organiza os atendimentos conforme o grau de dependência e a realidade de cada pessoa, com estratégias que vão desde cuidados mais intensivos até ações voltadas à reinserção social.
Há casos em que os pacientes chegam ao serviço com vínculos familiares rompidos.
“Tem paciente com nível de dependência muito elevado, que já não tem mais vínculo com a família. Nesses casos, o Caps busca fazer uma reconstrução para que depois seja possível uma reinserção na sociedade”, explica o enfermeiro do Caps AD, Obadias Dias de Sousa.
A unidade conta com uma equipe multiprofissional formada por médicos, enfermeiros, psicólogos, psiquiatras, farmacêuticos, entre outros profissionais. Segundo Obadias, a dependência química raramente ocorre de forma isolada.
“Ela passa muito por questões de saúde mental. Muitas vezes existe um transtorno de base ou um trauma, e a pessoa encontra no álcool ou nas drogas uma forma de escape.” De acordo com ele, em algumas situações, o tratamento do transtorno mental precisa ser priorizado. “Por isso, em alguns casos, a gente trata primeiro o transtorno para depois trabalhar a dependência.”
O Caps AD atua de forma integrada com o Caps de saúde mental e também recebe encaminhamentos das Unidades Básicas de Saúde, que funcionam como porta de entrada do sistema.
O atendimento inclui acompanhamento individual e atividades em grupo, como oficinas de música, rodas de conversa sobre atualidades, grupos de ressignificação de vida e ações voltadas à inserção no mercado de trabalho, com orientações sobre elaboração de currículo e comportamento em entrevistas. “As atividades buscam oferecer estratégias para enfrentar o uso da substância e ajudar a lidar com a ansiedade e com a realidade”, afirma Obadias.
A maior procura por tratamento está relacionada ao uso de álcool, seguida por cocaína e crack. Também há aumento na busca por ajuda em casos de dependência de jogos, embora muitas pessoas ainda não reconheçam esse comportamento como um vício.
O enfermeiro destaca que parte da população ainda resiste em procurar o serviço. “Muita gente que se mantém funcional, tem emprego, acaba se comparando com pessoas em situação de rua e acha que é diferente.” Segundo ele, o estigma também dificulta o acesso. “A sociedade ainda olha para o CAPS como um lugar de ‘gente doida’, mas não é. É um espaço aberto para todos que precisam de ajuda.”
Além do atendimento aos pacientes, o Caps AD realiza atividades com familiares. “É fundamental conscientizar a família de que existe um processo de evolução. O paciente não vai melhorar da noite para o dia.” Conforme Obadias, o tratamento exige acompanhamento contínuo. “A luta é para a vida toda, porque não existe ex-dependente. A família precisa estar preparada e ser aliada nesse processo.”
Pessoas em situação de rua, por exemplo, demandam acompanhamento mais frequente. “Se essa pessoa continua na rua, a tendência é aumentar o uso da substância. Por isso, ela precisa frequentar o Caps mais vezes.”
Já pacientes que desenvolvem estratégias para lidar com a dependência podem reduzir o tempo de permanência no serviço. “Isso depende da avaliação do técnico de referência, da necessidade real do paciente e também da voluntariedade.” Segundo ele, o funcionamento do serviço exige compromisso mútuo. “O Caps funciona como uma via de mão dupla: o paciente precisa querer e o serviço constrói a proposta junto com ele.”
O Caps AD de Brusque funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h, na rua Riachuelo, 45, no Centro.