Ir para o conteúdo

Saiba quantos casos de hanseníase foram registrados em Brusque nos últimos anos

Doença tem diagnóstico e tratamento totalmente gratuitos pelo SUS

Os registros de hanseníase em Brusque ao longo dos últimos anos reforçam um alerta importante: mesmo com diagnóstico e tratamento totalmente gratuitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a doença continua sendo identificada no município.

Embora os números sejam considerados baixos, eles são relevantes justamente por se tratar de uma enfermidade que, em um cenário ideal, não deveria registrar nenhum caso.

Levantamento histórico mostra que, entre 2000 e 2025, Brusque contabilizou 90 casos de hanseníase. Em alguns anos, houve apenas uma notificação, enquanto em outros os registros chegaram a seis ou sete casos.

Em 2024, por exemplo, foram seis diagnósticos confirmados. Em 2025 foram registrados dois casos. O histórico mostra que a doença nunca deixou de existir na cidade, o que exige vigilância permanente.

Doença ainda presente, apesar dos números baixos

No Brasil, a hanseníase segue como um problema de saúde pública, com mais de 20 mil novos casos registrados por ano, conforme dados consolidados em 2025 com base em levantamentos anteriores.

Santa Catarina apresenta índices menores que a média nacional, mas não está imune, e Brusque integra esse cenário. Cada caso identificado indica que a bactéria circulou na comunidade e que o diagnóstico não ocorreu no estágio mais precoce possível.

Veja quantos registros o município teve nos últimos anos

AnoCasos
20001
20011
20027
20036
20042
20065
20076
20086
20093
20101
20112
20123
20132
20143
20157
20161
20174
20183
20193
20203
20216
20223
20234
20246
20252
Total90

O que é a hanseníase

Para esclarecer dúvidas e aproximar o tema da realidade das pessoas, o coordenador do Serviço de Clínica Médica do Hospital Azambuja e médico, Antônio Lanna, explica que a hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pela bactéria Mycobacterium leprae.

“Ela foi conhecida por muito tempo como lepra, um termo abandonado pelo preconceito que carrega. Hoje, é fundamental reforçar que a hanseníase tem tratamento e cura total”.

WhatsApp

As notícias chegam antes para quem está no grupo de WhatsApp do jornal

Toque aqui e entre

Segundo o médico, a doença atinge principalmente a pele e os nervos periféricos, responsáveis pela sensibilidade das mãos, pés e face. A transmissão ocorre pelas vias respiratórias, por meio de tosse ou espirro, mas apenas em situações de contato próximo e prolongado com pessoas que ainda não iniciaram o tratamento.

“A partir do momento em que o paciente começa a medicação, ele deixa de transmitir a doença”.

Sintomas que merecem atenção

O sinal mais comum da hanseníase é o surgimento de manchas na pele, que podem ser claras, avermelhadas ou acastanhadas, acompanhadas de perda de sensibilidade.

“Essas manchas geralmente não doem e não coçam, mas ficam dormentes. A pessoa deixa de sentir calor, frio ou dor naquele local”, explica Lanna.

Além das manchas, a doença pode causar formigamento, dormência nas mãos e nos pés, sensação de choque e até diminuição da força muscular. “Se a pessoa perceber uma mancha dormente ou alterações de sensibilidade, deve procurar uma unidade de saúde imediatamente”.

Tratamento gratuito e cura

A hanseníase tem cura e o tratamento é oferecido gratuitamente pelo SUS em todo o país. Ele é feito com a combinação de antibióticos e pode durar de seis meses, nos casos mais leves, até 12 meses, nas formas mais avançadas.

“É fundamental não interromper a medicação. Curar a doença previne incapacidades físicas e devolve qualidade de vida ao paciente”.

Prevenção passa pelo diagnóstico precoce

A principal forma de prevenção é o diagnóstico precoce e o tratamento imediato dos casos identificados. Quando um paciente é diagnosticado, familiares e pessoas que convivem na mesma residência devem ser avaliados.

Também é indicada a aplicação da vacina BCG nos contatos que ainda não foram imunizados, medida que ajuda a reduzir o risco das formas mais graves da doença.