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Brusque registra alta nos homicídios em 2025 e ano se torna um dos mais violentos desde 2008

Apenas 2012 e 2013 tiveram mais casos que os registrados desde janeiro

Brusque já contabilizou seis homicídios até agosto de 2025, colocando o município a caminho de um dos anos mais violentos desde 2008, quando os dados começaram a ser sistematizados pela Polícia Civil.

Em comparação com anos anteriores, Brusque registrou aumento nos homicídios. Foram dois casos em 2023 e quatro em 2024. Nos últimos 17 anos, a cidade contabilizou 68 homicídios de um total de 92 crimes violentos graves, incluindo feminicídios, roubos seguidos de morte e lesões corporais que resultaram em morte.

Com base em dados recentes, o jornal O Município realizou um levantamento exclusivo que aponta que, em média, os crimes letais se concentram em homicídios e feminicídios cometidos na maioria dos casos, com faca, seguido de arma de fogo.

Com os seis homicídios registrados até o momento, Brusque já igualou os números dos anos de 2008, 2014, 2017, 2018 e 2021, ficando atrás apenas de 2012, com nove casos, e de 2013, quando foram registrados 11 homicídios.

O que diz a Polícia Civil


O delegado regional Fernando de Faveri afirma que a Polícia Civil acompanha de perto os números e lembra que os altos índices de 2012 e 2013 refletiram uma tendência nacional de aumento da violência.

Questionado se 2025 poderá impactar Brusque nos rankings de cidades mais seguras do país, ele pondera que ainda é cedo para conclusões. Segundo o delegado, apenas o encerramento do ano e uma análise detalhada de cada caso permitirão uma avaliação precisa.

De acordo com ele, o que se observa até agora são mortes ligadas a conflitos pessoais, muitas vezes banais, sem margem para uma intervenção prévia dos órgãos policiais.

“Se essa for, de fato, a realidade, não se pode estabelecer uma relação direta de causa e efeito entre o aumento das mortes e fatores como o crescimento populacional. No máximo, pode-se cogitar uma correlação, já que, quanto maior a população, maior a probabilidade matemática de ocorrência de conflitos cotidianos”.

Fernando ressalta que a situação difere de municípios onde homicídios estão ligados a disputas entre organizações criminosas, o que não ocorre em Brusque.

Em complemento, o delegado Fernando Farias, da DIC de Brusque, destaca que a cidade vinha se mantendo de forma positiva nos rankings de mortes violentas nos últimos anos, com poucas ocorrências.

“Já no ano de 2025, infelizmente, houve um aumento dessas ocorrências no primeiro semestre, porém não foram registrados casos envolvendo organização criminosa ou relacionada com o tráfico de drogas. As mortes estão ligadas a conflitos interpessoais, por discussões, desavenças momentâneas e motivos fúteis, sem previsibilidade por parte dos órgãos de segurança”.

Já Farias acrescenta que o incremento nos homicídios pode estar relacionado com o crescimento populacional de Brusque. “Com o aumento de pessoas, aumentam-se os conflitos, que podem refletir na segurança pública”.

“De todo modo, nossa taxa de resolução permanece em 100%, o que significa que, independentemente da causa, os autores são identificados e levados a julgamento pela Polícia Civil”, conclui Fernando de Faveri.

Padrões percebidos


A série de homicídios em Brusque neste ano revela padrões comuns nas motivações e nas circunstâncias das mortes. Em todos os casos, desentendimentos, brigas ou relações pessoais tensionadas resultaram em violência letal.

A maioria das vítimas tinha entre 21 e 50 anos. Quatro foram mortas a facadas e duas por disparos de arma de fogo. Os acusados, com idades entre 33 e 58 anos, variavam de empresários a desempregados, mas todos tiveram conflitos ou brigas com as vítimas.

As motivações foram pessoais ou emocionais: tentativa de furto, discussões sobre dívidas, brigas envolvendo relacionamentos ou desavenças diretas. Apenas um caso, o feminicídio de Terezinha Soares Moreira Martins, envolveu histórico de violência em relacionamento amoroso.

Os crimes ocorreram em residências, estabelecimentos comerciais e vias públicas, mostrando que a violência atingiu a comunidade de forma inesperada.

Detalhes de cada um


Dos seis crimes registrados, apenas em três houve divulgação pública dos nomes dos acusados.

As informações contidas abaixo foram obtidas de maneira exclusiva pela reportagem. 

1. Samuel de Jesus Constantino – (6 de fevereiro)

O homem de 21 anos foi morto com um tiro na cabeça após ser amarrado em frente à pizzaria Pizza na Pedra, no Centro de Brusque.

Segundo a defesa do acusado, dono do estabelecimento, o crime ocorreu após uma “situação tensa”, quando Samuel teria tentado furtar o local.

Acusado:

  • Nome: Alexandre Santana Thimoteo, conhecido como Alex;

  • Idade: 50 anos;

  • Naturalidade: Botefe (SP);

  • Profissão: empresário e comerciante;

  • Motivação: alega ter se defendido de furto e agressão;

  • Arma do crime: arma de fogo;

  • Situação atual: solto.


Vítima:

  • Nome: Samuel de Jesus Constantino;

  • Idade: 21 anos;

  • Naturalidade: Blumenau;

  • Profissão: desempregado;

  • Sepultamento: Cemitério Parque da Saudade.

João Henrique Krieger/O Município

2. Waldinei Dias – (15 de fevereiro)

O homem de 31 anos foi morto a facadas na saída de uma casa de shows no bairro Primeiro de Maio, em Brusque. O crime ocorreu após um desentendimento envolvendo um amigo da vítima, que havia oferecido flores a uma mulher. O companheiro dela teria reagido e atacou a vítima, que morreu no local. O acusado foi preso no dia seguinte.

Acusado:

  • Nome: não divulgado publicamente;

  • Idade: 33 anos;

  • Naturalidade: Caçador;

  • Profissão: pedreiro;

  • Motivação: desentendimento/briga;

  • Arma do crime: faca;

  • Situação atual: preso.


Vítima:

  • Nome: Waldinei Dias;

  • Idade: 31 anos;

  • Naturalidade: Vidal Ramos;

  • Profissão: trabalhava em estamparia;

  • Sepultamento: Cemitério Parque da Saudade.

Waldinei Dias | Foto: Arquivo pessoal

3. Wilson de Oliveira dos Santos – (21 de março)

O homem de 50 anos foi assassinado com facadas no bairro Thomaz Coelho após discussão com o agressor. Ambos estavam embriagados e se conheciam.

Acusado:

  • Nome: não divulgado publicamente;

  • Idade: 43 anos;

  • Naturalidade: Esperantina (PI);

  • Motivação: desentendimento/briga;

  • Arma do crime: faca;

  • Situação atual: preso.


Vítima:

  • Nome: Wilson de Oliveira dos Santos;

  • Idade: 50 anos;

  • Naturalidade: Mafra;

  • Profissão: desempregado;

  • Sepultamento: Cemitério Parque da Saudade.

Reprodução | Arquivo pessoal

4. Terezinha Soares Moreira – (29 de abril)

Terezinha Soares Moreira, de 43 anos, foi assassinada com quatro facadas pelo namorado, Vanderlei Pedroso Pereira. Ele já havia sido condenado por homicídio e tentativa de homicídio contra ex-companheiras.

Acusado:

  • Nome: Vanderlei Pedroso Pereira;

  • Idade: 49 anos;

  • Naturalidade: Pato Branco (PR);

  • Profissão: motorista;

  • Motivação: término de relacionamento (ciúmes);

  • Arma do crime: faca;

  • Situação atual: preso.


Vítima:

  • Nome: Terezinha Soares Moreira Martins;

  • Idade: 43 anos;

  • Naturalidade: Palmital (PR);

  • Profissão: auxiliar administrativa em supermercado;

  • Sepultamento: Cemitério Parque da Saudade.

Arquivo pessoal | Polícia Militar/Divulgação | Arquivo pessoal

5. Ronald dos Anjos Araújo – (3 de maio)

O jovem de 23 anos foi morto a facadas pelo amigo durante uma discussão sobre uma dívida. O acusado fugiu, mas foi preso em Curitiba.

Acusado:

  • Nome: Leonardo Oliveira dos Santos, conhecido como “Manaus”;

  • Idade: 35 anos;

  • Naturalidade: Manaus (AM);

  • Profissão: desempregado;

  • Motivação: desentendimento/briga;

  • Arma do crime: faca;

  • Situação atual: preso.


Vítima:

  • Nome: Ronald dos Anjos Araújo;

  • Idade: 23 anos;

  • Naturalidade: Macapá (AP);

  • Profissão: vigia.

Polícia Civil/Divulgação | Reprodução

6. Antônio Marcos Sousa – (7 de julho)

A morte de Antônio teria sido motivada por ciúmes. A vítima recebeu três disparos, todos de cima para baixo, na residência do agressor. O suspeito, de 58 anos, permanece preso preventivamente.

Acusado:

  • Nome: não divulgado publicamente;

  • Idade: 58 anos;

  • Naturalidade: Xaxim;

  • Motivação: desentendimento/briga;

  • Arma do crime: arma de fogo;

  • Situação atual: preso.


Vítima:

  • Nome: Antônio Marcos Sousa;

  • Idade: 35 anos;

  • Naturalidade: São Luís (MA);

  • Profissão: trabalhava em malharia;

  • Sepultamento: corpo foi transladado para o estado natal.

Arquivo pessoal

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