Crime sem solução: inquérito sobre furto de equipamentos da Prefeitura de Botuverá é arquivado por falta de provas
Técnico destacou que autores não pareciam conhecer a relevância dos itens, que eram de baixo valor comercial
O Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC) arquivou o inquérito que apurava o furto de equipamentos pertencentes à Prefeitura de Botuverá, registrado em 6 de setembro de 2024.
A decisão, datada de 17 de outubro deste ano, apontou que as provas reunidas pela Polícia Civil não foram suficientes para identificar os responsáveis pelo crime.
O furto ocorreu por volta das 17h24, na rua João Morelli, no Centro, onde funciona a sede da prefeitura.
Do local, foram levados a porta metálica que protegia a sala de informática, equipamentos de informática e o portão de ferro que dava acesso à torre de comunicação do Município. Uma placa de aviso também foi danificada durante a ação.
Detalhes do relatório
Segundo o relatório, as imagens de câmeras de segurança ajudaram a reconstruir parte da movimentação.
Elas mostram que três veículos estiveram no Morro das Antenas, onde fica a torre: um Chevrolet Corsa branco, um Fiat Uno modelo novo e um Fiat Uno modelo antigo, todos veículos característicos de empresas terceirizadas que prestam serviço de manutenção em redes de telefonia.
O Corsa teria saído do local às 18h38 já carregando a porta metálica furtada. O cruzamento de registros indica ainda que o carro passou pela rodovia Pedro Merizio, sentido Brusque – Botuverá, às 15h35, e que o momento mais provável da ação criminosa foi quando moradores ficaram sem internet, às 17h24.
O técnico de informática da prefeitura destacou outro ponto: quem furtou não parecia conhecer o valor dos equipamentos levados.
Os itens subtraídos eram de baixo valor comercial, e justamente o furto destes aparelhos permitiu que a invasão fosse descoberta a tempo de gerar imagens e registrar as placas, caso contrário, o crime dificilmente seria percebido.
Depoimentos não esclareceram a autoria
A proprietária do carro utilizado no dia do furto afirmou ter o veículo desde 2016 e declarou que não sabia de nenhuma irregularidade envolvendo o automóvel. Segundo ela, o carro estava sendo usado por seu marido para atividades profissionais e pessoais, já que ele atua na área de obras civis.
Afirmou não ter qualquer relação com as pessoas mencionadas na investigação e explicou que possui uma empresa registrada em seu nome apenas para fins administrativos, destinada ao recebimento dos serviços executados pelo marido. Disse não ter vínculos familiares ou sociais em Santa Catarina e se colocou à disposição das autoridades.
O ajudante de estruturas metálicas relatou trabalhar há mais de cinco anos com o supervisor que conduzia os serviços na região. Ele afirmou não ter testemunhado o furto e só tomou conhecimento dos fatos durante seu depoimento.
Contou que esteve com a equipe nos municípios de Brusque e Botuverá realizando adequações em torres, juntamente com outros trabalhadores contratados pela mesma empresa. No dia do crime, relatou que estavam em um morro de Botuverá quando dois homens chegaram em um carro branco com bagageiro, dizendo atuar no mesmo ramo e perguntando sobre outras torres.
O ajudante afirmou ter apenas indicado o caminho. Disse também que os outros integrantes da equipe utilizavam um modelo mais novo de Fiat Uno, mas não sabia informar detalhes como placas.
Já o supervisor de obras, marido da proprietária do veículo, confirmou utilizar o carro da esposa para trabalhar. Disse que tomou conhecimento do furto somente pela imprensa.
Relatou que esteve prestando serviços na região nos dias anteriores, mas que, na data do crime, deixou o local de trabalho por volta das 8h e retornou a São Paulo devido a um problema de saúde de seu filho, deslocamento que, segundo ele, pode ser comprovado por câmeras da rua onde mora.
Afirmou não recordar se recebeu ligação de um funcionário no fim da tarde e explicou que costuma utilizar ferramentas fornecidas por empresas contratantes, sempre devolvendo o material. Declarou ainda que, no horário do furto, o veículo estava com seu filho, razão pela qual não soube informar onde o automóvel esteve naquele momento.
O supervisor apresentou notas fiscais, registros de serviço e fotos tiradas do alto de uma torre no dia anterior ao furto, indicando a presença de equipes e veículos no local de trabalho.
Decisão final
Sem elementos que confirmassem a autoria, o Ministério Público concluiu que as provas eram insuficientes para oferecer denúncia. O inquérito, portanto, foi arquivado.
Assista agora mesmo!
Como a caverna de Botuverá foi encontrada na década de 1950:
Siga-nos no Instagram
Entre no canal do Telegram
Siga-nos no Google Notícias