Entenda por que autor de assassinato em Brusque estava solto mesmo após matar outro homem no mesmo local
Primeiro caso ocorreu em 2018 e teve anulação de julgamento, entre outras reviravoltas
O jornal O Município teve acesso à sentença que condenou Thiago de França, em 2019, pelo homicídio de Rodrigo dos Santos, ocorrido em 2018 na praça Barão de Schneeburg, em Brusque.
O caso voltou a repercutir após Thiago, natural de Maceió (AL), ser acusado de matar outro homem no mesmo local, mais de sete anos depois. O segundo crime aconteceu em 21 de dezembro do ano passado e teve como vítima Anderson Maia, de 33 anos.
A brutalidade do assassinato gerou questionamentos sobre como Thiago estava, de certa forma, em liberdade, já que anos antes havia cometido um homicídio semelhante no mesmo local.
Segundo apurou a reportagem, o segundo crime ocorreu cerca de seis meses após Thiago deixar o regime fechado e progredir para o semiaberto, decisão judicial concedida em 12 de junho de 2025.
Detalhes do primeiro caso
De acordo com a denúncia, o primeiro homicídio aconteceu na noite de segunda-feira, 28 de maio de 2018, por volta das 20h40. A investigação aponta que Thiago, então com 36 anos, se desentendeu com Rodrigo dos Santos por motivos considerados fúteis.
Após ingerir bebida alcoólica, ele passou a agredir a vítima com chutes e socos. Em determinado momento, Rodrigo caiu no chão e foi golpeado por Thiago com uma faca de cozinha pelas costas, no lado esquerdo do corpo, próximo ao pulmão.
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Toque aqui e entreRodrigo foi socorrido pelas equipes de resgate e encaminhado para atendimento médico. Ele permaneceu hospitalizado, mas morreu cerca de dois meses depois, em decorrência das complicações causadas pelo ferimento.
Segundo a investigação, o ataque ocorreu de surpresa, o que impossibilitou qualquer reação ou defesa por parte da vítima.
Reviravoltas no processo
O processo judicial teve reviravoltas ao longo da tramitação. O primeiro julgamento, no qual Thiago recebeu pena de 12 anos de prisão, ocorreu no dia 16 de agosto de 2019, mas foi anulado pela Justiça após recurso interposto pela defesa, o que exigiu a realização de um novo júri.
O segundo julgamento, que foi marcado para o dia 20 de março de 2020, demorou a ocorrer em razão das restrições impostas pela pandemia da Covid-19, período em que sessões presenciais do Tribunal do Júri foram suspensas ou limitadas.
Quando o caso voltou a julgamento, no dia 9 de outubro de 2020, a promotoria pediu o aumento da pena imposta a Thiago de França, mas o pedido não foi acolhido pelo Judiciário. A condenação foi mantida em 12 anos de prisão pelo homicídio de Rodrigo dos Santos.
Após cumprir parte da pena em regime fechado, Thiago obteve progressão para o regime semiaberto em junho de 2025.
Pouco mais de seis meses depois, voltou a cometer um crime com características semelhantes ao que havia cometido anos antes.
Prisão em Maceió
A nova acusação levou à prisão de Thiago de França em Maceió (AL), após semanas de buscas. Segundo o delegado titular da DIC de Brusque, Fernando Farias, a detenção ocorreu graças a denúncias da comunidade.
“De acordo com informações fornecidas pelo denunciante, ainda não confirmadas, a mãe do suspeito teria juntado dinheiro para a passagem, e ele teria sido recebido por um primo em Alagoas. Com isso, ele retornou à sua cidade natal e estava escondido no bairro Jacintinha, em Maceió”, explicou o delegado.
Com base nesses relatos, a Polícia Civil de Brusque contatou as autoridades locais, que fizeram diligências e localizaram Thiago em uma residência, garantindo sua prisão sem confronto.
Farias acrescentou que, “possivelmente em breve, ele será transferido para Brusque para responder pelo crime preso”.
A expectativa é que, após o interrogatório, o inquérito seja encaminhado ao Ministério Público, que avaliará a formalização de denúncia.