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EXCLUSIVO – Ex-companheira de homem assassinado no Cedro Alto, em Brusque, alega sofrer difamações: “dizem que eu era amante”

Mulher disse que meses após o término, Antonio ainda tinha ciúmes e acreditava que ele queria matar ela e a mãe

O jornal O Município conversou, de forma exclusiva, com a ex-companheira de Antonio Marcos Sousa, morto a tiros no dia 7 de julho, em uma rua do bairro Cedro Alto, em Brusque.

A mulher, que preferiu não se identificar, procurou a reportagem para esclarecer o relacionamento antigo que manteve com Antonio e relatou estar sofrendo retaliações de membros da comunidade por causa de sua antiga ligação com a vítima.

Na semana passada, a reportagem apurou, em primeira mão, que o Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC) apresentou, no dia 14 de agosto, a denúncia contra o homem acusado de matar a tiros Antonio, que tinha 35 anos.

O acusado, de 58 anos, ainda não teve o nome divulgado e permanece em prisão preventiva.

O que diz a ex-companheira


Segundo a mulher, ela decidiu falar por não suportar mais os boatos de que teria sido amante do acusado.

"Estou cansada. No dia em que aconteceu, não quis falar porque não queria fofoca. Mas todo dia inventam uma mentira sobre mim. Estão dizendo que eu era amante, e isso não é verdade. Eu tenho dois empregos, e meu único problema com Antonio foi porque comprei um terreno e ele não aceitou. Tenho boletins de ocorrência e comprovações. Preciso me defender", afirmou.

A ex-companheira relatou que Antonio teria feito ameaças a pessoas próximas, inclusive à mãe dela, que a acompanhava em pagamentos relacionados ao terreno.

"O Antonio já tinha ameaçado minha mãe várias vezes. Eu levava ela para pagar o terreno porque ela não dirige. Ele também ameaçava o proprietário. Minha mãe chegou a me contar que ele ia constantemente à casa dele para fazer ameaças", disse.

Ela também contou que, no dia do crime, chegou a sentir que poderia ser alvo de um atentado.

"No dia do ocorrido, saí para trabalhar às 5h40. Ele estava me vigiando no posto de gasolina, escondido em uma parte escura. Quando passei, vi o olhar dele fixo em mim. Tive a sensação de que ele poderia fazer algo contra mim. Acredito que ele queria me matar e também a minha mãe", relatou.

De acordo com a mulher, o comportamento de Antonio havia mudado nos últimos tempos.

"Ele bebia demais, usava drogas, era agressivo e me perseguia em todo lugar. Ficava desconfiado, queria saber se eu estava com alguém. Uma vez chegou a pedir para eu devolver o dinheiro e desfazer a compra do terreno", disse.

Ela afirmou ainda que tentou buscar ajuda com familiares de Antonio, mas não obteve apoio.

"Eu tinha contato com a mãe dele e cheguei a avisar que ele entrava no meu condomínio para me vigiar. Ela pediu que eu não chamasse a polícia e que falasse com ela, que daria um jeito. Mas ele mesmo dizia que não obedecia ninguém. Por isso acabei não levando o boletim de ocorrência adiante", contou.

Boletim de ocorrência


A mulher enviou à reportagem o boletim de ocorrência registrado no dia 25 de fevereiro de 2024. No documento, relatou que o relacionamento com Antonio havia terminado há cerca de sete meses, mas que ele continuava perseguindo-a. À época, ambos ainda trabalhavam na mesma empresa.

Segundo o registro, durante o expediente ela não podia conversar com colegas sem que Antonio fosse tirar satisfações. Ele também enviava mensagens ameaçadoras às pessoas que falavam com ela.

Ainda conforme o BO, quando ela saía da empresa, Antonio a esperava próximo ao carro, xingando-a de “vagabunda”, pedindo para reatar e acusando-a de se envolver com outras pessoas.

Ela relatou também que ele consumia bebidas alcoólicas diariamente, chegando a trabalhar embriagado. A situação deixava a mulher apreensiva, com medo de que ele “perdesse a cabeça” e cumprisse as ameaças. Ela ainda destacou que temia perder o emprego diante dos comportamentos de Antonio.

Por fim a mulher enviou à reportagem conversas que Antonio teria mantido com outra ex-namorada. Nas mensagens, ele demonstrava comportamento semelhante: ciúmes excessivos e perseguição, mesmo quando a outra mulher tentava se afastar.

Detalhes do crime segundo a denúncia


Segundo o documento, no dia do crime, Antonio teria ido até a casa do suspeito para esclarecer dúvidas sobre o relacionamento de sua ex-companheira com o proprietário da residência.

A denúncia aponta que ele estava incomodado e com ciúmes porque a ex-companheira teria comprado um terreno do suspeito e realizava os pagamentos pessoalmente. Na ocasião, Antonio estava desarmado e não conseguiu se defender.

Testemunhas que realizavam obras próximas relataram não ter ouvido discussões ou gritos, apenas disparos. O laudo cadavérico indica que os tiros foram de cima para baixo, sugerindo execução da vítima, possivelmente quando já estava caída.

Ainda segundo a denúncia, o suspeito fugiu do local, mas se apresentou à Delegacia de Polícia posteriormente, sendo preso em seguida por decisão judicial.

O MP-SC aponta que o homicídio ocorreu por motivo fútil e envolveu o uso de recurso que tornou impossível a defesa da vítima.

A denúncia também informa que a arma utilizada já estava em posse do suspeito de forma irregular, escondida em sua residência, e os disparos foram confirmados pelos exames periciais.

A denúncia pede que o acusado seja julgado no Tribunal do Júri e que realize um ressarcimento no valor de R$ 50 mil à família da vítima pelos danos sofridos.

O jornal O Município mantém aberto o espaço para manifestação da defesa do acusado, caso queira se posicionar sobre o caso. 

Quem era a vítima


Antonio era natural de São Luís (MA), mas morava em Brusque. Trabalhou por cerca de quatro anos em uma malharia em Nova Trento, no turno da noite, das 22h às 5h. Colegas o descreveram como “uma pessoa trabalhadora”.

A morte dele foi comunicada a funcionários da empresa por meio da reportagem de O Município. Um colega que preferiu não se identificar contou que mantinha apenas uma relação profissional com Antonio e que, após ele sair da empresa, não teve mais contato.

Outro ex-funcionário relatou que Antonio chegou a ser jogador de futebol profissional, com passagens por clubes da Indonésia, Austrália, Paraná Clube e outros times menores.

Apesar disso, Antonio também tinha histórico policial. De acordo com a Polícia Militar, ele possuía passagens por lesão corporal e ameaça, com registros acumulados ao longo dos anos.

O corpo de Antonio foi trasladado para Itapecuru-Mirim (MA) ainda na mesma semana do crime, onde ocorreu o sepultamento.


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