Ir para o conteúdo

EXCLUSIVO – “Fiquei paralisado e apavorado”, diz jovem que denunciou padre por importunação sexual em Brusque

Após investigar o caso e analisar todas as provas, a Polícia Civil concluiu o inquérito e indiciou religioso pelo crime

O jornal O Município conversou, de forma exclusiva, com o jovem de 19 anos que denunciou o padre Vicente de Paula Neto por importunação sexual em Brusque. O depoimento foi concedido à reportagem na tarde desta quarta-feira, 17.

Segundo o relato, o jovem afirmou que ficou paralisado e sem reação durante a abordagem do padre no local onde trabalhava. O depoimento detalhado do atendente, somado às imagens de uma câmera de segurança, embasou a investigação da Polícia Civil, que já concluiu o inquérito e indiciou o religioso pelo crime.

De acordo com o jovem, o padre entrou no estabelecimento onde ele trabalha como atendente e permaneceu no interior da loja por cerca de oito minutos.

Desde a chegada, o comportamento chamou a atenção do denunciante, que afirmou ter visto o religioso, por diversas vezes, passar a mão e apertar por cima da calça, na região do pênis.

O atendente contou que, inicialmente, a conversa parecia comum, mas logo passou a gerar desconforto. Segundo ele, o padre manuseava um dos produtos da loja e fazia comentários que, somados aos gestos na região íntima por cima da calça e ao fato de encarar o funcionário, foram considerados “estranhos”.

“Ele ficava apertando o produto e dizia como era gostoso apertar. Em certo momento, enquanto mexia no órgão genital, ele perguntou que horas eu ia sair da loja. Questionei, de forma assustada, o motivo da pergunta e, então, ele desconversou, dizendo que queria saber que horas a loja fechava”.

O atendente afirmou que não conseguiu reagir no momento. “Ele me encarava o tempo todo e rapidamente fiquei muito apavorado. Não sabia o que fazer. Fiquei paralisado, tremendo, com ânsia de vômito”.

O jovem afirmou que só conseguiu registrar o boletim de ocorrência algumas horas depois, quando conseguiu se acalmar. Ele enviou o documento ao jornal para a conferência.

Questionado, disse que mantém todos os detalhes da versão apresentada à polícia e que decidiu falar publicamente após ver manifestações de apoio ao padre nas redes sociais.

“Ter coragem para tornar o caso público é uma forma de evitar que novas situações semelhantes ocorram. Tenho certeza de que eu não fui o primeiro nem serei o último. Pessoas desse tipo sempre fazem isso. É muito perigoso, ainda mais por se tratar de alguém que tem contato com crianças e com muita gente. As provas falam por si só”.

O caso foi investigado pela Polícia Civil que, após analisar todas as provas, concluiu o inquérito e indiciou o padre pelo crime de importunação sexual.

O procedimento agora segue para análise do Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC), que informou que não irá se manifestar.

Comunidade se manifesta


Ainda na manhã desta quarta-feira, 17, a Comunidade Bethânia enviou uma nota de esclarecimento sobre o indiciamento do padre. No documento, a Comunidade reafirma publicamente a confiança no sacerdote.

Para ler a nota basta clicar aqui. 

Arquidiocese inicia apuração própria


Após a conclusão do inquérito ser divulgado pela própria Polícia Civil, areportagem entrou em contato com a assessoria da Arquidiocese de Florianópolis, responsável pelas paróquias de Brusque, para esclarecer o caso.

Segundo apuração da reportagem, feita na segunda-feira, 15, a Arquidiocese informou que tomou conhecimento da situação e que já havia iniciado uma investigação interna para reunir mais detalhes.

A reportagem tentou contato novamente com a assessoria na manhã da terça-feira, 16, mas não obteve resposta. 

Detalhes do indiciamento


As equipes da Polícia Civil analisaram as imagens das câmeras de segurança e identificaram o veículo usado pelo padre, registrado em nome de uma entidade religiosa. Com isso, o homem foi localizado e intimado para prestar depoimento.

No interrogatório, Vicente negou ter agido com intenção sexual. Ele declarou que estava no local para comprar um presente e produtos pessoais. Também afirmou que os movimentos na região íntima ocorreram devido a um incômodo dermatológico.

Disse ainda ter se sentido observado pelo atendente, sugerindo que o funcionário teria desconfiado de um possível furto. “Não tive intenção de constranger ninguém”, afirmou durante o depoimento.

Após avaliar as imagens, os relatos e os documentos reunidos, a Polícia Civil concluiu pelo indiciamento do suspeito pelo crime de importunação sexual, cuja pena pode chegar a cinco anos de prisão.

O inquérito, que tramita sob segredo de justiça, foi encaminhado ao Juízo da Vara Regional de Garantias da Comarca de Itajaí e ao Ministério Público, que, embora tenha informado à reportagem que não se manifestaria sobre o caso, é responsável pela avaliação, continuidade da persecução penal e pelas demais medidas cabíveis.

A reportagem tenta, desde segunda-feira, 15, contato com o padre para obter esclarecimentos, entre eles a existência de eventual comprovação médica de que ele estaria com algum incômodo dermatológico. Até a publicação desta matéria, não houve retorno.

Questionada pela reportagem, a Delegacia de Polícia da Comarca (DPCO), responsável pela investigação, informou que também não irá comentar o caso.

O caso continua sendo acompanhado e novas informações estão sendo apuradas.

Leia também:

1. PRIMEIRA MÃO – Delegado atualiza caso de moradora que acusa o pai de agressão em Brusque
2. Montanhistas de Brusque encerram 2025 celebrando conquistas e desafios
3. Motorista embriagada colide Porsche contra poste e empresária de Balneário Camboriú morre
4. Prefeitura de Guabiruba divulga agenda dos serviços durante recesso de fim de ano; confira
5. Homem morre por parada cardiorrespiratória após se envolver em acidente em São João Batista


Assista agora mesmo!


Primeira fábrica de fogos de Guabiruba encerrou atividades após explosão fatal:


Siga-nos no Instagram
Entre no canal do Telegram
Siga-nos no Google Notícias