Mata-leão e uso de cadarço: os detalhes da denúncia do MP-SC sobre o estupro e assassinato de professora em SC
Homem foi denunciado pelos crimes de homicídio, estupro e ocultação de cadáver
O Ministério Público de Santa Catarina denunciou, nesta segunda-feira, 1º, Giovane Correa Mayer, de 21 anos, pelos crimes de homicídio, estupro e ocultação de cadáver da professora e pesquisadora Catarina Kasten, morta em 21 de novembro, em Florianópolis.
Catarina foi encontrada morta na trilha que liga a Praia da Armação ao Matadeiro, no Sul da Ilha. Segundo o boletim de ocorrência, ela saiu de casa por volta das 6h50 para uma aula de natação e não chegou ao destino.
O companheiro percebeu a demora e iniciou as buscas depois das 9h. O corpo foi localizado horas mais tarde, em meio à mata.
Detalhes do crime
Por volta do meio-dia, o companheiro de Catarina foi informado, em um grupo de mensagens, de que objetos da jovem haviam sido encontrados na trilha. Após confirmar com a professora de natação que ela não esteve na aula, acionou a Polícia Militar.
As buscas avançaram no início da tarde. Dois turistas relataram ter visto um corpo no interior da trilha. Equipes de saúde, Polícia Civil e Polícia Científica foram mobilizadas para o atendimento.
A denúncia apresentada pelo promotor João Gonçalves de Souza Neto, da 36ª Promotoria de Justiça da Capital, trouxe informações novas sobre o caso. Para o Ministério Público, o feminicídio ocorreu para “assegurar a ocultação e a impunidade do estupro previamente praticado”.
O histórico de violência do suspeito, o vício em drogas e as circunstâncias da morte levaram a promotoria a apontar premeditação.
As investigações indicam que Giovane esperou pela vítima. Ele se escondeu atrás de uma lixeira para observar a movimentação na trilha, conforme registraram câmeras de monitoramento. A emboscada ocorreu instantes antes de Catarina chegar ao local.
A denúncia afirma que ela foi abordada antes das 7h. O agressor aplicou um “mata-leão” para imobilizá-la e a arrastou para um ponto isolado da mata, onde cometeu a violência sexual. Não há confirmação sobre quanto tempo ela permaneceu sob controle do criminoso.
Após o estupro, segundo o Ministério Público, Giovane usou um cadarço para asfixiar Catarina. A asfixia, descrita como recurso que dificultou a defesa da vítima, integra as qualificadoras do feminicídio. Em seguida, o suspeito arrastou o corpo até uma área de difícil acesso e baixa visibilidade, na tentativa de ocultá-lo.
A família acionou a polícia depois que Catarina não retornou para casa. Por volta das 14h, dois turistas encontraram o corpo durante uma caminhada pela trilha.
Logo depois, a Polícia Militar localizou o suspeito, que admitiu ter asfixiado a jovem e relatou a violência sexual. O material genético recolhido na cena foi encaminhado para análise.
Identificação do suspeito
A identificação do autor ocorreu após a análise de câmeras de segurança e de fotos feitas por turistas que estranharam o comportamento dele na região.
Com o suspeito reconhecido, equipes da corporação o encontraram na residência onde morava, na Praia da Armação. Giovane confessou o crime e indicou onde havia deixado o corpo. Roupas usadas no ataque foram apreendidas.
Natural de Viamão (RS), ele vive no Sul da Ilha desde 2019 e costumava circular pela trilha. À polícia, relatou ter retornado de uma festa naquela manhã. Ele permanece preso enquanto a Polícia Civil conclui o inquérito.
Quem era a vítima
Catarina era pós-graduanda em estudos linguísticos e literários na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e formada em Letras Inglês. Professora e pesquisadora, planejava ingressar no doutorado. Antes disso, cursou engenharia de produção e participou do Centro Acadêmico.
Investigação de outro caso
A morte de Catarina levou a Polícia Civil a reabrir uma investigação de estupro contra uma idosa de 69 anos, registrada em 2022. Isso porque Giovane havia sido testemunha desse crime e agora é considerado suspeito da violência ocorrida há três anos.
A Polícia Civil informou que irá confrontar vestígios genéticos e demais materiais coletados nos dois casos para verificar possíveis compatibilidades. O suspeito, que confessou o ataque contra Catarina durante depoimento, nega participação na agressão à idosa.
Além disso, a polícia apura se familiares próximos podem ter relação com os fatos investigados.
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