Ir para o conteúdo

Mensagens, áudios e mais: veja como agia suspeito de praticar golpes preso nesta semana em Guabiruba

Ele contava versões distintas a cada cliente, mas sempre conduzia a conversa ao mesmo objetivo

O jornal O Município obteve acesso a prints de conversas e gravações de áudio analisados pela Polícia Civil antes do cumprimento da prisão preventiva de Iago Bretzke, ex-gerente de uma cooperativa de crédito suspeito de fraudar moradores e empresas de Brusque e Guabiruba.

A operação, chamada “Confiança Quebrada”, foi deflagrada na quarta-feira, 10. A ação apura estelionato, falsidade ideológica e lavagem de capitais em Guabiruba. Além da prisão de Iago, apontado como principal suspeito, equipes também cumpriram mandados de busca e determinaram o bloqueio de bens.

A investigação identificou 11 vítimas, entre pessoas físicas e jurídicas. Segundo o delegado Fernando Farias, titular da Divisão de Investigação Criminal (DIC) de Brusque, os valores desviados eram transferidos para contas do próprio investigado ou de pessoas próximas.

Os mandados de busca foram cumpridos na casa de Iago e em endereços ligados a ele. Policiais apreenderam documentos, notebooks, celulares e extratos bancários que serão analisados pela equipe de investigação.

O delegado explicou, durante coletiva realizada na manhã de quarta-feira, 10, que o nome da operação faz referência à forma como as fraudes eram conduzidas. “É em decorrência do abuso de confiança que o principal investigado utilizou para praticar os crimes”.

Segundo ele, Iago atuou em duas agências e se aproveitava da relação próxima com os clientes. O delegado afirmou que, “com base na confiança que foi ganhando, ele acabou se utilizando dessa relação para aplicar golpes”.

Conversas com as vítimas


Os prints de conversas obtidos pela reportagem mostram como o esquema funcionava. As mensagens seguem um padrão: Iago pedia autorização para usar parte do limite bancário dos clientes, prometendo devolução rápida dos valores.

“Preciso pagar duas faturas que não posso atrasar e elas vencem na segunda. Na terça-feira vou receber. Na tua conta tem limite aprovado para aumentar cheque especial... será que pode me emprestar?”, escreveu a uma das vítimas.

A promessa de retorno aparecia em todas as abordagens. “Por acaso não poderias me emprestar aquele seu pré-aprovado né? Até a primeira parcela eu já vou receber aquele valor”, disse em outra conversa.

Em um diálogo que chamou atenção, o suspeito pressiona o cliente a assinar um contrato. “Vais estar por aí à tarde? Que daí gero o contrato e mando via link para ti. [...] aproveitar que nossa gerente chata ainda está em seu último dia de férias”.

Reprodução

Os prints também revelam a preocupação de alguns clientes diante da demora para receber o dinheiro de volta. “A mulher te pagou? Realmente fiquei preocupada pois é um valor alto”.

Em resposta, Iago tenta tranquilizar a vítima. “Se ela não pagar até amanhã eu vou pegar o limite da conta do meu pai da maquininha e depois coloco lá. Fica tranquila. Teu negócio é comigo. Não precisa ficar preocupada. Eu não vou te trapacear nunca”.

Áudios investigados


Iago não se comunicava com as vítimas apenas por mensagens, mas também por áudios. Com voz calma, ele apresentava histórias diferentes para cada cliente, sempre com o mesmo objetivo: convencê-los a autorizar operações em seus limites bancários ou emitir boletos em nome próprio.

Em um dos áudios, ele tenta criar proximidade antes de fazer o pedido. “Ontem à noite vi um stories da sua filha e daí lembrei que fiquei a semana toda que passou e a outra ‘matutando’ com quem eu poderia conversar. E ontem parece que foi por Deus que era para mim ver e mandar mensagem para ti”.

Depois da primeira resposta da cliente, ele desenvolve a narrativa. No áudio, afirma que teria valores a receber, mas que precisava antecipar contratos para viabilizar uma portabilidade.

Ele detalha que “tem um valor que vou receber de um casal parcelado” e, por isso, precisava que a vítima emitisse boletos em seus CNPJs para que ele pudesse antecipá-los. Ao tentar convencer a cliente, diz que os pagamentos “são super certos, super pontafirme”, e reforça a necessidade de confiança mútua para justificar a proposta.

Em outro trecho, ele admite que o pedido envolvia uma quantia elevada. “Mas eu sei que é um valor alto, 30 mil, né? Então, às vezes, se não conseguir tudo, uma boa parte já me ajuda bastante”.

Na sequência, sugere que a vítima envie seus CNPJs para consulta, prometendo agilizar a abertura de conta, liberar limites e organizar fluxo de caixa. Ele encerra dizendo que, caso a cliente não enviasse os dados no domingo, retomaria o contato na manhã seguinte.

A abordagem se repetia com outras vítimas, sempre baseada em confiança e sigilo. “Eu vou ver contigo isso porque a gente tem confiança um no outro, tá? Porque senão jamais eu ia perguntar isso pra outra pessoa”, diz em outro áudio.

Na sequência, pergunta se a vítima teria “três cadastros de Brusque” para emissão de boletos e tenta tranquilizá-la ao afirmar que assumiria toda responsabilidade pelos pagamentos. “Tu podes ficar tranquila, por quê? Porque daí, conforme eu recebo, eu já pago o boleto. [...] É a minha palavra, é a minha responsabilidade”.

Ele encerra pedindo desculpas pelo incômodo e reforçando que o receio era apenas dele, mantendo a estratégia de convencimento que, segundo a Polícia Civil, se repetiu em todas as abordagens.

Detalhes do método


Farias também detalhou o método que mantinha o esquema ativo sem levantar suspeitas. Segundo ele, quando algum cliente percebia um prejuízo, o investigado cobria o rombo com recursos retirados de outra conta.

“Ele manipulava as contas de modo que, quando o cliente notava, ele preenchia o furo e dizia que estava tudo certo, mas logo em seguida retirava de novo”.

O delegado explicou que as vítimas entregavam dados, assinaturas e autorizações para movimentações bancárias que depois eram desviadas. “Ele conseguiu auferir praticamente R$ 1,6 milhão dessas vítimas”.

A Polícia Civil ainda investiga a participação de pessoas que recebiam parte dos valores. Para Farias, há indícios de que familiares e conhecidos tinham ciência da origem irregular do dinheiro. “A gente acredita que sim, porque ninguém recebe dinheiro sem justificativa e acha que está tudo certo”.

O bloqueio judicial pedido pela DIC busca assegurar o mesmo valor (R$ 1,6 milhão) em bens dos investigados. A corporação segue examinando o material apreendido para esclarecer todas as etapas do esquema.

Leia também:

1. Carro capota na rodovia Pedro Merizio, em Botuverá
2. Trecho da Beira Rio de Brusque será totalmente interditado neste domingo; confira rotas alternativas
3. Energia começa a ser restabelecida nos bairros de Brusque
4. Superintendente da Fundema, de Brusque, é exonerado; saiba quem é o substituto
5. O que se sabe sobre o caso do jovem morto após briga iniciada em Brusque


Assista agora mesmo!


Vilas dos Operários: o que aconteceu com as moradias construídas pela Fábrica Renaux em Brusque:


Siga-nos no Instagram
Entre no canal do Telegram
Siga-nos no Google Notícias