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Pais denunciam Prefeitura de Brusque após filho ser internado por tomar medicação errada entregue pela Farmácia Básica

Receita indicava um anticonvulsivante, mas família recebeu um antipsicótico

Uma criança de 5 anos foi internada no Hospital Azambuja, em Brusque, após ingerir uma medicação diferente da prescrita em receita médica retirada na Farmácia Básica, localizada na Policlínica Municipal, no Centro da cidade. caso foi registrado em boletim de ocorrência e é investigado pela Polícia Civil.

Segundo o registro policial, o pai da criança esteve na Policlínica na tarde de quarta-feira, 21, por volta das 14h50, para retirar o medicamento fenobarbital (40 mg/ml), usado no tratamento contínuo de convulsões, que o menino já recebe há um ano.

No entanto, ao ser dispensado, ele recebeu três caixas de haloperidol, um antipsicótico de alta potência indicado para tratar esquizofrenia, transtorno bipolar e outras condições psiquiátricas.

De acordo com o relato do pai no boletim, ao perceber que o nome do medicamento era diferente, ele questionou a profissional responsável pela entrega.

Ainda assim, disse que recebeu a informação de que o remédio estava correto e que a diferença ocorria apenas por se tratar de um genérico. Confiando na orientação, o medicamento foi levado para casa e administrado à criança pela mãe.

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Primeiras reações e internação

A mãe relatou à polícia que administrou 48 gotas de haloperidol na quarta e na quinta-feira, sem saber do erro. Na noite de quinta-feira, 22, após a ingestão do medicamento, o menino começou a apresentar reações graves.

“Ele não conseguia abrir os olhos, estava paralisado, com o pescoço, as pernas e os braços tortos”, descreveu no boletim.

Diante da situação, a criança foi levada ao Hospital Azambuja, junto com os frascos da medicação. No hospital, os médicos suspeitaram de reação adversa e confirmaram para a família que os sintomas eram compatíveis com o uso indevido de haloperidol, medicamento que, segundo o próprio prontuário médico anexado ao boletim, é utilizado em casos de surto psicótico.

O menino permaneceu internado entre os dias 22 e 24 de janeiro e apresentou diversas crises durante o período de observação.

Alta do hospital

Conforme o boletim de ocorrência, após serem informados pela equipe médica sobre a causa das reações, os pais retornaram à Policlínica.

O pai relatou que conversou com o farmacêutico responsável, que inicialmente afirmou ser “impossível” que o erro tivesse ocorrido, mas disse que iria analisar a situação.

Segundo ele, o profissional também orientou o registro de boletim de ocorrência e a apresentação do laudo médico para que fossem adotadas as providências cabíveis.

As duas medidas foram tomadas pelos pais do menino, que recebeu alta na manhã de sábado, 24.

"Apesar da alta, continuamos observando ele. Nesta segunda-feira, 26, ele conseguiu comer, mas está com dificuldade de ir ao banheiro. Iremos levá-lo para uma consulta para continuar a avaliação", completou a mãe.

O que diz a Prefeitura

A Secretaria de Saúde de Brusque informou que acompanha o caso desde que tomou conhecimento do ocorrido.

Segundo a pasta, na sexta-feira, 23, à tarde, os familiares da criança compareceram à Farmácia Básica para devolver a medicação, sendo atendidos pelo farmacêutico responsável pelo atendimento anterior.

Nesta segunda, 26, a família teria participado de uma reunião com a equipe da Assistência Farmacêutica, como parte das providências adotadas pela Secretaria.

Após a reunião, foi determinado a abertura de procedimento técnico para apuração dos fatos, incluindo perícia, avaliação técnica e levantamento interno, com o objetivo de esclarecer as circunstâncias do ocorrido e, se necessário, adotar medidas administrativas cabíveis.

A Secretaria destacou ainda que, por se tratar de uma criança, as informações específicas são protegidas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), impedindo a divulgação de detalhes mais aprofundados.

Por fim, a pasta afirmou que a prefeitura mantém contato com a família e segue empenhada em garantir a segurança dos pacientes e aprimorar continuamente os protocolos de atendimento.

A Polícia Civil investiga a ocorrência.