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VÍDEO – Brusquense que filmou balão minutos antes da queda em Praia Grande diz que vento pode ter dificuldado a decolagem correta

Balão que ela voaria com a família pertencia a mesma empresa e já estava sendo inflado no momento do acidente

O jornal O Município conversou, de forma exclusiva, com a brusquense Isabelle Vechi, que viu de perto o trágico acidente com um balão de ar quente ocorrido na manhã deste sábado, 21, em Praia Grande, no Sul de Santa Catarina.

Ao lado da namorada e das três filhas dela, de 8, 9 e 12 anos, ela aguardava para embarcar em um dos voos turísticos quando presenciou a queda de um balão da mesma empresa, a Sobrevoar, que pegou fogo no ar e caiu, deixando oito mortos e 13 feridos.

Isabelle relata que três balões da empresa decolariam juntos, mas, diante das dificuldades enfrentadas na preparação, a equipe decidiu fazer as decolagens individualmente. O primeiro a subir foi justamente o que se envolveu no acidente.

"Havia muitos balões no local e cerca de 15 empresas atuando, mas a nossa foi a última a chegar. Nessa hora tinha mais vento, o que dificultou as decolagens. Demoraram para conseguir 'levantar' esse primeiro".

Após conseguirem colocar o primeiro balão no ar — o que caiu —, a brusquense conta que a empresa começou a inflar o balão que ela e a família voariam. Porém, cerca de cinco minutos depois, o outro já estava caindo.

"Todos os voos seguintes, inclusive o nosso, foram imediatamente interrompidos. Ficamos em choque e tremendo. As pessoas choravam ao ver aquela cena", conta.

Isabelle chegou a registrar em vídeo uma das tentativas da equipe para fazer o primeiro balão decolar. Poucos minutos após a gravação, ele foi tomado pelas chamas no ar e acabou caindo.

Detalhes do relato


Isabelle relatou que o grupo chegou ao hangar da empresa responsável por volta das 6h. Após breve espera, todos foram levados de van e micro-ônibus até o ponto inicial da decolagem. Segundo ela, o espaço parecia inadequado para a atividade.

"Era um lugar pequeno, com cerca de cinco balões. Ficamos ali por uns 15 minutos, até que nos informaram que o local seria alterado, pois o chão estava escorregadio e havia muitas montanhas próximas", conta.

O grupo então foi conduzido a um novo ponto, a aproximadamente 40 minutos do centro. No local, já havia dezenas de balões no ar. Isabelle descreve que, à primeira vista, o ambiente parecia seguro e bonito, mas que logo surgiram problemas nos balões da empresa.

"A ideia era colocar três balões para voar. No entanto, o primeiro apresentou dificuldades para subir. Pararam de inflar os outros dois e concentraram os esforços nesse primeiro. Quando finalmente conseguiram levantá-lo, começaram a inflar o nosso, mas cinco minutos depois ele já estava caindo", relembra.

Ela conta que presenciou toda a cena do acidente de perto e que chegou a filmar uma das tentativas da equipe para fazer o balão decolar.

"Ele começou a cair, depois subiu novamente e pegou fogo. De longe, vimos o que pareciam ser três pessoas se jogando. A altura era muito grande. Acredito que já estavam começando a queimar e tentaram escapar", relata.

O que aconteceu depois


Após o acidente, todos os voos foram cancelados e os passageiros retornaram ao hangar da empresa. No local, Isabelle teve contato com um dos sobreviventes da tragédia.

"Um dos rapazes contou que o piloto avisou que o cesto daria um solavanco no chão e que eles deveriam tentar sair nesse momento. Alguns conseguiram e sobreviveram, mas outros não. Os que não conseguiram sair acabaram morrendo", relata.

Com base no que ouviu e presenciou, Isabelle acredita que quatro pessoas tenham morrido carbonizadas dentro do cesto e outras quatro tenham se jogado do alto do balão ao perceberem o incêndio. Ao todo, 14 pessoas, incluindo o piloto, sobreviveram, algumas com ferimentos. Após o acidente, ela optou por retornar para Brusque.

O caso está sendo investigado pelas autoridades. A Polícia Civil já ouviu testemunhas e representantes da empresa responsável pelo voo. O acidente causou comoção em todo o país e reacendeu o debate sobre a segurança na operação de balões turísticos na região.

Assista ao vídeo gravado por Isabelle


Nas imagens, é possível ver uma das tentativas de decolagem do balão que, minutos depois, seria tomado pelas chamas no ar e acabaria caindo.

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