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Bastidores da política e do Judiciário, opiniões sobre os acontecimentos da cidade e vigilância à aplicação do dinheiro público

Editorial: Pane no Samae

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Bastidores da política e do Judiciário, opiniões sobre os acontecimentos da cidade e vigilância à aplicação do dinheiro público

Editorial: Pane no Samae

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Nesta semana o Samae de Brusque identificou uma pane generalizada no sistema de captação de água, no bairro Guarani, conforme publicamos aqui no jornal O Município.

O problema comprometeu o abastecimento de água na terça e quarta-feira e ainda motivou o prefeito a publicar dois decretos. Um alertando contra os efeitos da estiagem e o outro dispondo sobre a racionalização do uso de água, estabelecendo a intensificação da fiscalização do uso do recurso hídrico.

O problema da pane foi mesmo uma grande quantidade de entulhos trazidos com as enxurradas pelo rio que assoreou a captação e entupiu as bombas. Mas o anúncio da racionalização da água é o atestado da falta de competência em gerir a autarquia. É inadmissível que captemos, mesmo na maior estiagem, menos de 2% da vazão do rio e somos obrigados a nos submeter a medidas restritivas ao consumo.

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Estamos numa área de água abundante e convivemos com a falta dela. A questão da estiagem é uma boa desculpa para desviar a atenção do real problema do Samae, que é a incapacidade de atender na plenitude o fornecimento de água.

Este não é um tema recente. Em sucessivas gestões há um descaso em relação à gestão e investimentos necessários. É claro que para uma atividade tão estratégica há direcionamentos. Há mais de 12 anos foi apresentada como solução o projeto de Cristalina que se fala agora, e tantos outros investimentos contemplados no Plano Plurianual que adormecem ou movem-se devagar, em descompasso com crescimento da cidade. Cada diretor que entra segue caminhos próprios, muitas vezes divergentes do plano.

A estiagem é uma boa desculpa para desviar a atenção do real problema do Samae, que é a incapacidade de atender na plenitude o fornecimento de água

Outro fator importante para entendermos como chegamos nesta situação é que os mecanismos que existem para fiscalizar, na verdade são cúmplices dos desmandos. Como exemplo temos o Conselho de Saneamento Básico, criado entre outras coisas para fiscalizar. No entanto é o próprio diretor-presidente do Samae que “preside” o Conselho tornando impossível sua missão. Conselho este que, aliás, reuniu-se raramente no ano passado. 

Outro cúmplice é a própria Câmara de Vereadores, que não só assiste passivamente, mas também disputa lotes de cargos na autarquia, a começar pelo diretor-presidente, que é um ex-vereador apadrinhado por um atual vereador. O cargo de diretor-geral também sendo ocupado por um ex-vereador, que não tem onde trabalhar e vai ganhar este prêmio de consolação.

O grande problema do Samae não é a pane no sistema de bombas, que foi facilmente resolvido, o problema é a politização sucessiva da entidade. É uma sequência de diretorias despreparadas, que não entendem nada do assunto e geram esta pane de gestão.

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É preciso urgentemente despolitizar o Samae. É o único jeito de trazer de volta seu protagonismo. É a única forma de motivar novamente seus colaboradores, que são competentes, mas não sabem que direção o chefe de plantão vai seguir. É a única forma de deixar de viver a “enjambração” de hoje para o trabalho planejado e a longo prazo. É a única forma de prover com abundância de água de nossa cidade, destravando seu desenvolvimento.

Enquanto isso não ocorrer vamos continuar a noticiar a falta d’água, as investidas do Ministério Público em relação às análises da água, falar dos despejos sem tratamento de seu lodo. Vamos noticiar as notificações da Agir pelo não cumprimento de metas, noticiar a falta de tratamento de esgoto, e a origem de tudo, noticiar o loteamento político da autarquia.

Para se ter boas notícias novamente, basta saber se o atual governo vai querer mudar esta realidade, enfrentando o aparelhamento político do Samae imediatamente, caso contrário vamos conviver com essas enxurradas de desculpas que nos deixam num deserto de ações, mesmo estando num oásis de recursos naturais.