“Eu vinha descendo a Serra da Claraíba e o caminhão ficou sem freio, com uma carga de toras. E eu, para não jogar para baixo, porque não ia sobrar nada, joguei no barranco e graças a Deus tive sorte, que o caminhão parou”.

O relato acima aconteceu em meados de 1980. O jovem caminhoneiro Valmor José dos Santos transportava toras de madeira em direção a Brusque. Foi o maior aperto que passou em quase quatro décadas de estrada.

Estrada esta que lhe acolheu por influência do pai, já falecido, que montou uma serraria, comprou alguns caminhões e, em um deles, alocou o filho e ensinou-lhe o ofício.

“Era pouco movimento e era estrada de chão, coloquei na contramão, no barranco. Se eu jogo para baixo, a gente se matava tudo”, relata seu Valmor, hoje motorista do transporte universitário que leva alunos de Brusque até a Univali, em Itajaí e Balneário Camboriú.

Atualmente com 65 anos, Valmor relata que encontrou no ônibus sua identidade na estrada: nunca gostou de levar cargas em caminhões, por estradas perigosas e distantes.

Morador do bairro Souza Cruz, na entrada da Travessa Lagoa Dourada, ele iniciou o serviço com ônibus em 1984. Alguns anos depois, em 1990, passou a se dedicar exclusivamente ao transporte universitário.

Na época, tudo era mais difícil. Seu Valmor pegava estrada de chão até estacionar o ônibus em frente à universidade. Hoje, garante, o asfalto trouxe tranquilidade.

“Ficou melhor a estrada, antes era aquela buraqueira, tinha que andar devagarzinho, é aluno que a gente tá puxando, então tem que cuidar né?”, conta ele.

Convivendo com estudantes todos os dias, ele ainda encontra na rua, já formados, aqueles que por longos anos transportou em direção à universidade | Foto: Marcelo Reis

A rotina do motorista começa às 5h30, hora em que chega à garagem da empresa. Ele se apronta e 6h45 está no terminal, para levar a turma matutina que estuda no Litoral.

“A gente trabalha com os alunos, não posso reclamar. Me tratam bem. Se a gente se dá ao respeito é respeitado”, resume, ao ser questionado sobre seu relacionamento com os estudantes.

Valmor cita diversos nomes de estudantes que transportou diariamente e hoje, já formados, o reconhecem na rua. “Gente que andava comigo hoje é médico, advogado, enfermeiro. São bem conhecidos e me conhecem bem”.

Oficialmente, está há 12 anos aposentado, mas segue na ativa. Depois de buscar os alunos nas faculdades, ele retorna à garagem da empresa por volta das 13h30, quando dá por encerrado o expediente.

Por volta deste horário, aliás, foi quando seu Valmor, que literalmente já levou milhares de estudantes para a formação profissional, concedeu esta entrevista. Ao finalizar, resume novamente o que pensa do ofício que exerce.

“Os alunos sempre foram legais comigo, têm respeito com a gente. Eu sou contente de viajar com eles”.

 

“Eu vinha descendo a Serra da Claraíba e o caminhão ficou sem freio, com uma carga de toras. E eu, para não jogar para baixo, porque não ia sobrar nada,
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