“Tenho que fazer o que é certo e não o que é fácil”, diz prefeito de Brusque sobre obras que afetam o trânsito
André Vechi (PL) admite que recebe críticas, mas que intervenções estruturantes são importantes para o futuro da cidade
Brusque vive meses de muitas intervenções estruturantes, que afetam o trânsito e o dia a dia dos moradores, mas que devem ter impactos positivos para a mobilidade e a qualidade de vida após serem finalizadas. Em entrevista exclusiva ao jornal O Município, o prefeito André Vechi (PL) falou sobre os impactos atuais e futuros dessas obras.
O prazo para entrega da macrodrenagem na avenida Primeiro de Maio é até o fim do primeiro semestre de 2026. O prefeito de Brusque relata que recebe reclamações sobre o trânsito na região diariamente, mas, apesar do eventual prejuízo para a sua popularidade no momento, ele prefere pensar no longo prazo.
“Algo que eu tenho para a minha vida é fazer o que é certo e não o que é fácil. Também aprendi uma coisa quando eu trabalhei com o Napoleão (Bernardes, atual deputado estadual) que a popularidade, principalmente para quem está na vida pública, passa muito rápido, tanto para o bem quanto para o mal. Quando acabarem essas obras do Primeiro de Maio, em algum tempo, as pessoas não vão mais lembrar dos problemas. E quando a primeira chuva vir a gente vai poder mostrar que valeu a pena. Então, a popularidade, ela passa muito rápido. E o que fica no fim do dia, que é o que as pessoas lembram, é a credibilidade. É algo que você carrega para a vida”.
Segundo André, o seu objetivo ao final do mandato é deixar na memória das pessoas ter sido o prefeito que teve a coragem de enfrentar problemas que seus antecessores não tiveram.
“Para ser justo, a obra de macrodrenagem seria feita pelo ex-prefeito Ari Vequi, tanto é que eu apenas assinei a ordem de serviço. Mas a gente vai mexer também no esgoto, sabendo que é super impopular. Poderia fazer como outros prefeitos que empurraram o mandato sem mexer com isso, só fingir que estou fazendo alguma coisa”.
Para o prefeito, essas obras que “cavam” a cidade e que a população não percebe diariamente o impacto “melhoram a saúde e a qualidade de vida das pessoas”.
“Quero sair da Prefeitura com a consciência tranquila, sabendo que eu fiz o que foi necessário para melhorar a vida do cidadão brusquense, ainda que isso possa me causar um desgaste político. Em relação a isso, não tem problema. E tomei decisões impopulares mesmo. Alguém poderia falar que é porque estou reeleito e não tenho mais preocupação com eleição, mas fiz também no outro mandato”.
A popularidade passa muito rápido. E o que fica no fim do dia, que é o que as pessoas lembram, é a credibilidade
André Vechi, prefeito de Brusque
Esgoto
O leilão que definirá a empresa que irá administrar o sistema de esgoto sanitário de Brusque por pelo menos 35 anos deve acontecer no dia 27 de fevereiro, se não houver empecilhos no processo licitatório.
O palco será a Bolsa de Valores (B3), em São Paulo. Será o maior processo de licitação da história da cidade em termos financeiros. São aproximadamente R$ 750 milhões em investimento privado.
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Toque aqui e participe!O prefeito se diz animado para o leilão e que entre cinco e sete empresas devem participar. O critério para uma empresa vencer a concessão é o de menor tarifa. É possível aplicar até 17% de desconto no valor a ser cobrado.
Em caso de empate na licitação (muito provável que aconteça), o segundo critério será o de maior outorga. As empresas darão lances. Quem oferecer o maior valor ao poder público para executar o serviço vencerá o processo.
Nova Beira Rio
O lote 2 da ampliação da Beira Rio já foi liberado, da altura da empresa Irmãos Hort até a ponte José Germano Schaefer (Pilolo), no bairro Rio Branco. Por enquanto, a prefeitura não tem intenção de utilizar este trecho como área de lazer nos mesmos moldes da avenida Luiz Henrique da Silveira, a margem esquerda.
Um parque será construído para lazer em uma área alagável nas proximidades da Irmãos Hort. Ele deve começar a ser construído ainda no primeiro semestre, assim como o lote 3, que vai da ponte do Pilolo até a ponte Alois Pettermann, no bairro Dom Joaquim.
Em relação ao problema nas calçadas do lote 1 da Beira Rio, André explicou que os danos foram causados pela dilatação devido às altas temperaturas e que as empresas do consórcio responsável iniciaram de imediato os reparos.
Ele ainda destaca que isso não preocupa para futuras enchentes do rio no futuro. “A obra pública tem garantia de 5 anos. A empresa não se opôs em nenhum momento em relação ao conserto, que é feito sem custo para o município. Em uma obra de R$ 50 milhões, esses problemas acontecem. A gente não consegue controlar a força que o rio vem. Mas a qualidade é melhor (em relação aos trechos antigos). Vai trazer uma proteção muito grande. Quando a água invadir a pista, ela pode infiltrar por um local ou outro, mas, pela qualidade da obra, a gente não espera que tenha nenhum dano importante”.
Segundo André, a prefeitura já percebeu uma melhora no trânsito na região dos bairros Guarani, Souza Cruz, Rio Branco e Dom Joaquim devido à inauguração do lote 1. Com o lote 2, o prefeito aponta que a tendência é que melhore ainda mais.
Política e eleições
Recentemente, o governador Jorginho Mello (PL) anunciou que o prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), será o seu vice nas eleições de 2026.
Em Brusque, os vereadores do Novo são os maiores críticos do governo Vechi na Câmara, mas, segundo o prefeito, eles mantêm um bom diálogo e ele está disposto a tê-los na base.
“Muito embora o posicionamento dos vereadores do Novo tenha sido de uma maior independência, em alguns momentos até de críticas ao governo no ano passado, eu tenho politicamente um bom relacionamento com o Novo. Atendo os pedidos que vêm dos dois (Felipe Hort e Rick Zanata), a gente nunca fez uma distinção. O Novo é um partido que tem algumas regras muito peculiares e eu me identifico com a sigla, foi a primeira que eu me filiei. Com essa composição, tem-se essa abertura para uma aproximação. É claro que não é algo automático, é algo que se constrói. Mas, da minha parte, não vejo problema, inclusive gostaria de ter o Novo mais próximo do governo”.
De acordo com André, o vice-prefeito Deco Batisti (PL) e o vereador Jean Pirola (PP) seguem sendo os nomes da prefeitura para as eleições de 2026. Outras figuras de partidos da base, porém, devem se candidatar, como Cacá Tavares (Podemos) e Jean Dalmolin (Republicanos). Ele reforça que não haverá represálias a quem não apoiar os candidatos da administração municipal.
Para o prefeito, a cidade tem capacidade de eleger ao menos dois representantes. Ele admite, porém, que não vê uma mobilização, até agora, para que moradores de Brusque votem em políticos da cidade.
“Eu não percebo que tem essa consciência na rua. Eu percebo que se discute há muito tempo. Algumas lideranças sempre destacam, principalmente na época da eleição, a necessidade de termos um deputado aqui. Mas temos que levar em consideração que aproximadamente metade da população de Brusque não é originalmente daqui. Essas pessoas talvez não tenham o conhecimento histórico da política da cidade. Temos uma boa relação com o governador, com alguns deputados de fora, mas eu ou alguém da equipe tem que destinar uma parte do meu tempo para essas articulações. Então, acho que o deputado estadual ajudaria muito nisso. Mas, sobretudo, na questão do envio de recursos mais volumosos para tocar projetos grandes”.