O que diz a Prefeitura de Brusque sobre processo que investiga danos em túmulos no Cemitério Parque da Saudade
Procedimento foi instaurado em novembro de 2025
Após atribuir aos fortes ventos os danos registrados em túmulos do cemitério Parque da Saudade, em Brusque, no dia 9 de novembro de 2025, a prefeitura abriu, dias depois, um processo administrativo para apurar o caso.
De acordo com o documento, a administração municipal informou que iria investigar denúncias de possíveis condutas irregulares ocorridas no cemitério, no âmbito da Secretaria de Obras.
Quase dois meses após a abertura do processo, o jornal O Município questionou a prefeitura sobre o andamento das apurações.
Em resposta à reportagem, o secretário de Obras, Ivan Bruns Filho, informou que o procedimento segue em investigação no Setor de Processos Administrativos Disciplinares (SEPAD) e que, até o momento, não há prazo definido para a conclusão dos trabalhos.
Apesar da abertura do processo, a própria prefeitura manteve a versão de que os danos teriam sido causados pela ventania.
Segundo o secretário, mesmo com esse entendimento, a administração decidiu instaurar a investigação para apurar os fatos junto aos servidores que levaram a situação à Secretaria de Obras.
O caso
Na manhã daquele domingo, moradores registraram pedras e estruturas de mármore rachadas ou parcialmente destruídas no cemitério.
Na ocasião, os danos foram inicialmente atribuídos a um possível ato de vandalismo. A reportagem tentou contato com a prefeitura naquele momento, mas não obteve retorno.
Dias depois, o poder público informou que os estragos teriam sido causados pelos fortes ventos que atingiram o município naquele fim de semana.
A versão de que a natureza seria a responsável chamou a atenção de parte da população. Em manifestações nas redes sociais, moradores questionaram a explicação e apontaram ser improvável que rajadas de vento, ainda que intensas, fossem capazes de rachar e derrubar estruturas de mármore e concreto.
Outra dúvida levantada dizia respeito a vasos de flores de plástico, pertencentes a outros túmulos, que permaneceram intactos, mesmo com sepulturas ao lado apresentando danos significativos.
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Toque aqui e entreMesmo diante das dúvidas levantadas, os coveiros José Cosme Bispo Costa e Dílson Gomes de Souza se manifestaram publicamente por meio de um vídeo gravado no local. Eles afirmaram que estavam de plantão no sábado, 8, data em que os danos teriam ocorrido.
“Não teve vandalismo. Já tivemos outros problemas dessa natureza aqui no cemitério. Essa hipótese de vandalismo teve que ser descartada. Essa narrativa foi feita por pessoas que não estavam presentes aqui e, infelizmente, causaram esse mal comunicado”.
Dílson afirmou que chegou a registrar a situação em vídeo (veja abaixo) durante a ocorrência dos ventos. “Eu tenho o horário e a gravação. Não tinha como ser vandalismo, não tinha ninguém aqui”.
Em outro trecho do vídeo, gravado na tarde de sábado, ele comenta: “o vento aqui fez uma desordem, viu? (…) Pegou as cabeceiras que são altas e jogou tudo para cima. Quebrou um bocado de túmulo. Parece que tem uns cinco ou seis quebrados”.
Assista ao vídeo gravado por um dos coveiros
Questionada sobre o prazo para a conclusão do procedimento, a prefeitura disse que ele está dentro do prazo de 60 dias, prorrogável conforme a necessidade. "Acredita-se que ele será prorrogado e tenha desfecho até a metade do ano".