El Niño avança e indica atenção para o inverno de 2026
Especialista revisa cenário climático e destaca impactos entre julho e setembro
As mais recentes atualizações dos modelos climáticos internacionais, divulgadas ao longo de janeiro, apontam para uma reorganização do padrão atmosférico global, com indicativos consistentes para a formação de um novo episódio de El Niño 2026, a partir do outono.
Segundo as projeções, a tendência é de que o fenômeno ganhe força de maneira progressiva, com maior influência entre o inverno e a primavera.
No Brasil, essas simulações são acompanhadas por diferentes centros de meteorologia e institutos de pesquisa.
Em Santa Catarina, a Climaterra, entidade sediada em São Joaquim, no Planalto Sul catarinense, realiza análises próprias com base em modelos globais, adotados por serviços meteorológicos de referência.
A interpretação dos cenários é conduzida pelo especialista Ronaldo Coutinho, responsável técnico do órgão, reconhecido por estudos voltados à climatologia e por projeções de longo prazo sobre o comportamento atmosférico na região.

El Niño 2026 em formação
De acordo com a avaliação atual, a La Niña, que ainda exerce influência sobre o sistema oceânico-atmosférico, encontra-se em fase de enfraquecimento e tende a se dissipar ao longo dos próximos meses.
Esse processo abre espaço para o aquecimento gradual das águas do Pacífico Equatorial, condição essencial para o estabelecimento do El Niño em 2026.
Quando esse aquecimento ocorre de forma persistente, explica a Climaterra, há uma reconfiguração dos padrões de circulação atmosférica em escala global, com reflexos diretos sobre a América do Sul.
Entre os principais efeitos está o aumento da instabilidade, sobretudo na região Sul do Brasil e no Cone Sul de forma geral.
Em contrapartida, há tendência de redução dos índices pluviométricos no Nordeste brasileiro, onde os períodos mais secos costumam se intensificar durante episódios de El Niño.
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Toque aqui e participePossíveis impactos no Sul
Em anos sob influência do El Niño, o histórico climatológico aponta maior frequência de sistemas de baixa pressão e corredores de umidade, fatores que costumam contribuir para volumes elevados de chuva em curtos intervalos de tempo.
Esse tipo de configuração, conforme destaca Coutinho, tende a elevar o risco de transtornos associados ao excesso de precipitação, especialmente em estados como Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Áreas com bacias hidrográficas de resposta rápida, como a região de Brusque, costumam apresentar maior vulnerabilidade a cheias e impactos de maior proporção quando esse padrão se estabelece, ressalta o especialista.
Comportamento das temperaturas
Outro ponto que chama atenção nas projeções de longo prazo diz respeito ao comportamento térmico durante o inverno.
Segundo a análise técnica, a atuação do El Niño tende a dificultar a permanência de massas de ar frio por períodos prolongados no Sul do país.
Contudo, isso não significa ausência de frio.
Conforme explica o especialista da Climaterra, a tendência é de incursões de massas de ar polar mais pontuais, intercaladas com fases de temperaturas acima da média climatológica.
Na prática, a leitura atual indica redução na duração de episódios prolongados de baixas temperaturas, sem eliminar a possibilidade de dias frios ao longo da estação.
El Niño 2026 sob monitoramento
A Climaterra ressalta que todas as projeções atuais têm por base, as mais recentes atualizações dos modelos climáticos globais e permanecem sujeitas a revisões, à medida que novos dados atmosféricos sejam incorporados às simulações.
De momento, a leitura do cenário indica que o segundo semestre tende a apresentar um padrão climático desafiador, com maior instabilidade e um ambiente favorável à ocorrência de eventos extremos associados à chuva.
Diante desse possível contexto de El Niño em 2026, Coutinho destaca que o acompanhamento contínuo das atualizações e o planejamento preventivo seguem como medidas essenciais, sobretudo em áreas historicamente afetadas por enchentes.
Para Brusque e toda a região do Vale do Itajaí, a orientação é de atenção permanente, sem alarmismo, mas com base técnica e monitoramento constante das condições atmosféricas.
Com informações: Climaterra
O tempo na madrugada
Dando continuidade à edição deste sábado, o foco agora destaca as informações sobre o monitoramento do tempo na região brusquense durante a madrugada que passou.
A tabela abaixo apresenta o levantamento das temperaturas mínimas registradas logo após o romper da aurora, correspondentes a cada local indicado em vermelho.
A apuração também apresenta os índices de chuva registrados entre meia-noite e as primeiras horas do dia, conforme indicado nos campos em azul.
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Fotos dos leitores
A pauta deste sábado se encerra com fotografias encaminhadas por leitores, que ilustram como o início da manhã se configurou em diversos pontos do Vale do Itajaí-Mirim.
Confira deslizando para o lado.
Veja fotos do bairro Gabiroba em Botuverá | Fotos: Marcos e Sonia Bianchessi
Veja as fotos do bairro Tirivas em Presidente Nereu | Fotos: Amilton e Margareti Petry
Veja fotos da comunidade de Fazenda Rio Bonito em Vidal Ramos | Fotos: Jaison e Juliana Brambila
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