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Conheça casal de Brusque que se prepara para o Mundial de Hyrox na Suécia

André Lucas Walendowsky e Stephani Cardoso se identificaram com a modalidade, que está em ascensão pelo mundo

O casal André Lucas Walendowsky, de 37 anos, e Stephani Cardoso, de 31, de Brusque, disputa em junho o Mundial de Hyrox, modalidade em ascensão no Brasil, que combina corrida e exercícios funcionais. A competição será realizada em Estocolmo, capital da Suécia.

Eles começaram há pouco tempo na modalidade, mas, no fim do ano passado, conseguiram se classificar para o Mundial da categoria dupla mista no Hyrox Rio.

O Hyrox surgiu na Alemanha em 2017 e se expandiu rapidamente. A prova é composta por oito trechos de 1 km de corrida intercalados com oito estações que incluem movimentos como sled push, burpee broad jump e remo indoor. A característica do Hyrox é justamente exigir que o atleta consiga alternar esforços sem queda significativa de desempenho.

André conta que o primeiro contato que teve com o Hyrox veio como consequência de sua vivência anterior no esporte.

“Eu já tinha passado por fases bem diferentes, como o CrossFit, o triatlo e depois a corrida de rua de forma mais intensa, com maratonas. Em algum momento, senti falta de um fortalecimento que não fosse a academia tradicional, algo que conversasse melhor com a corrida”.

Quando ele conheceu o Hyrox, primeiramente por vídeos e depois por um técnico que havia realizado um curso da modalidade, tudo fez sentido para ele.

“O que mais me chamou atenção foi essa proposta direta e dinâmica de correr forte e executar exercícios funcionais simples, mas exigentes. Quando fiz o primeiro treino prático, tive certeza de que aquele formato encaixava perfeitamente com o meu histórico e com o que eu buscava naquele momento”, destaca.

Modalidade surgiu na Alemanha, em 2017 | Foto: Arquivo pessoal

Apesar da exigência, André afirma que o esporte é acessível. “Não exige técnica complexa nem histórico de atleta profissional. O que ele pede é disposição para treinar e vontade de se desafiar. Qualquer pessoa pode começar, evoluir e competir dentro do seu nível. É justamente essa acessibilidade que faz a modalidade crescer tanto no mundo”. Segundo a HYROX GmbH, empresa por trás do esporte em nível global, a modalidade tem cerca de 1 milhão de praticantes atualmente. Em Brusque, o Hangar 360 é o único local credenciado para a prática do Hyrox.

“Nada foi construído do zero”

André conta que, de certa forma, os resultados rápidos em competição surpreendeu o casal, mas ele acredita que o background em diversas modalidades se encaixou no Hyrox.

“Olhando para trás, nada foi construído do zero. Foram anos de CrossFit, depois triatlo, muitas provas de corrida, maratonas, treinos consistentes e cuidado constante com alimentação, sono e saúde. O Hyrox acabou sendo um encaixe natural para tudo isso. Não foi um crescimento rápido, foi uma soma. A modalidade apenas revelou algo que já vinha sendo construído há muito tempo”, detalha.

Classificação para o Mundial

André conta que, durante a prova que garantiu o casal no Mundial, a ficha não caiu, mas, depois que a adrenalina baixou, eles entenderam a magnitude da conquista.

“Durante a prova, o foco está totalmente em executar, manter o ritmo e tomar decisões rápidas a cada estação. A real dimensão do que aquilo significava veio depois, quando entendemos o resultado com mais calma”.

Casal concilia rotina da empresa e da família para se dedicar à prática do Hyrox | Foto: Arquivo pessoal

No Rio, o maior desafio foi administrar o esforço do início ao fim. A corrida é o ponto forte do casal, mas o Hyrox exige muito controle para não se empolgar e comprometer as estações. “Foi uma prova dura e intensa, mas conseguimos aplicar bem tudo o que treinamos até ali, mesmo sem um ciclo específico para a modalidade”.

O que mais pesou, na opinião dele, foi o conjunto. “Não foi um treino isolado ou um período curto de preparação. Foram anos de consistência. Nunca deixamos de treinar e nunca abrimos mão do cuidado com alimentação, sono e rotina. Além disso, a força da dupla fez muita diferença. Treinar e competir como casal cria uma conexão grande. A gente se conhece bem, sabe respeitar o ritmo um do outro e ajustar no meio da prova. O resultado foi consequência dessas micro ações feitas ao longo do tempo”.

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A rotina

André e Stephani têm três filhos e administram juntos uma empresa, a Hoad, marca de vestuário voltada à prática do esporte. Apesar da rotina intensa de compromissos profissionais e familiares, a constância e a organização são a chave do sucesso.

“Nossa rotina é muito real. Temos a empresa, família e compromissos como qualquer pessoa. No dia a dia, conseguimos treinar cerca de uma hora a uma hora e vinte minutos. Não é o cenário ideal, mas é o cenário possível hoje. A chave está na organização e na constância. Preferimos treinar bem dentro do tempo que temos do que tentar fazer mais e não sustentar. O descanso também faz parte do processo”.

Preparação para o Mundial

De olho na competição na Suécia, o casal agora inicia uma nova fase. Diante do desafio, eles vão buscar uma rotina mais específica voltada ao Hyrox.

“Até aqui, competimos muito mais com base no histórico do que em um ciclo específico de Hyrox. Para o Mundial, precisamos evoluir principalmente na eficiência das estações funcionais, nas transições e na estratégia como dupla. Com seis meses de preparação, uma planilha bem estruturada e foco total na modalidade, acredito que dá para chegar muito mais competitivo”. Antes da competição na Europa, eles ainda participam do Hyron São Paulo, em abril.

Muito além dos resultados, porém, André valoriza os ensinamentos que o esporte lhes traz. “O maior aprendizado é que pensar a longo prazo sempre vale a pena. Nada disso aconteceu rápido. Foi uma construção feita com disciplina, escolhas diárias e alinhamento entre esporte, família e trabalho. O esporte mostra todos os dias que não existe atalho sustentável. Quando você cuida da saúde, mantém constância e respeita o processo, os resultados aparecem, não só na competição, mas na vida”, resume.