Em 2015, o Brasil ficou em 70º lugar no Índice Global de Inovação – pesquisa co-publicada pela Universidade Cornell, Escola de Pós-graduação em Negócios (INSEAD), na França, e pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual – que avaliou 141 países em indicadores relacionados a inovação, economia, política e outros aspectos.

O resultado do país é preocupante, já que a cada ano, vem perdendo posições neste ranking. Em 2011, por exemplo, o Brasil estava em 47º lugar. Uma das possibilidades de reverter esse resultado ruim está na parceria entre as empresas e a universidade. Quando a academia e o setor empresarial se unem, as chances de gerarem resultados positivos se multiplicam.

O Centro Universitário de Brusque (Unifebe) visualizou o potencial inovador da região e, no ano passado, inaugurou o Centro de Tecnologia e Inovação em Fabricação, que aliado aos cursos de Engenharia de Produção e Engenharia Mecânica, tem como objetivo melhorar o processo de produção nas indústrias, além de promover pesquisas e formar profissionais capazes de liderar o cenário nacional em tecnologia de produção.

Para o coordenador do Centro de Tecnologia, Denis Boing, o laboratório beneficia tanto a Unifebe quanto as empresas, com a qualificação dos acadêmicos e docentes e o investimento em pesquisa. No laboratório, explica, os acadêmicos atuam em projetos de pesquisa aplicados em cooperação com a indústria.

“Se a empresa tem um problema a ser solucionado, uma oportunidade de melhoria, um novo produto, nós atuamos no sentido do aprimoramento dessa condição”. Assim, o acadêmico tem a oportunidade de estagiar nas empresas parceiras, além de atuar em conjunto com profissionais já experientes.

“Isso faz com que os dois lados cresçam juntos. A cada dia a empresa está mais dentro da universidade e a universidade mais dentro da empresa. Essa é a nossa ideia”.

Em pouco mais de um ano, o Centro de Tecnologia e Inovação em Fabricação já fez parcerias com empresas como a Zen, ZM, Açopeças e agora está em tratativas para iniciar um projeto com a Bosch. “Num futuro próximo, nossos acadêmicos poderão até extrapolar as fronteiras de Brusque”.

Um dos diretores da Açopeças, Pedro Schmitt, diz que a parceria com a universidade já tem gerado resultados positivos para a empresa de Guabiruba, que é fabricante de peças para o setor automotivo. “Temos parceria com a Unifebe desde o início do curso de Engenharia de Produção. Nesse período, já conseguimos resolver problemas com clientes e fornecedores utilizando os laboratórios da instituição e o conhecimento de seus estudantes. É um trabalho em conjunto”.

Schmitt destaca também a troca de conhecimento possibilitada pela parceria. Um trabalho semelhante ao que ocorre com as empresas e a academia na Europa. “Temos uma troca de conhecimento bilateral, já que podemos fazer pesquisas orientadas pela necessidade da indústria. É um modelo que dá muito certo na Europa e estamos investindo aqui também”.

Atualização constante

Boing diz que o nível de tecnologia da atualidade exige que os colaboradores de empresas de qualquer setor se atualizem constantemente. “A busca por uma profissionalização, aperfeiçoamento, visa acompanhar o mercado e todo seu dinamismo, eu costumo dizer que hoje, ensino médio não basta, graduação não basta, pós-graduação também não basta, é importante a constante atualização”.

Os avanços da tecnologia, inclusive, serão os responsáveis por grandes mudanças no mercado de trabalho nos próximos anos e, por isso, é cada vez mais importante o foco na qualificação. “Grandes especialistas da área dizem que, em dez anos, 50% dos trabalhos que existem hoje não vão mais existir, e serão criados outros 50% de novos postos de trabalho que nós ainda não conhecemos. A qualificação aliada à tecnologia é o futuro”, avalia.

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