Padre indiciado por dois casos de importunação sexual em Brusque é denunciado pelo Ministério Público
Processo foi encaminhado ao juiz responsável
O jornal O Município apurou, em primeira mão, que o padre Vicente de Paula Neto, indiciado por dois casos de importunação sexual em Brusque, foi denunciado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC).
Antes do oferecimento da denúncia, o órgão propôs um acordo de não persecução penal ao investigado, mecanismo previsto em lei que permite evitar o andamento do processo criminal mediante o cumprimento de condições, como prestação de serviços ou pagamento de multa.
O benefício, no entanto, foi recusado pelo padre, o que levou o Ministério Público a apresentar a denúncia à Justiça.
A ação por parte do MP-SC representa um novo avanço no caso, que passou a ganhar repercussão em todo o estado desde o dia 12 de dezembro de 2025.
Na data, a Delegacia de Polícia Civil da Comarca (DPCO) de Brusque informou o indiciamento do primeiro episódio envolvendo o religioso.
Desde então, O Município publicou uma série de reportagens exclusivas sobre o caso. As matérias abordaram desde a identificação do padre até manifestações da Comunidade Bethânia, onde ele atuava como coordenador, além do posicionamento da Diocese de Guarapuava.
A diocese determinou, de forma temporária, a proibição do exercício público do ministério sagrado por parte de Vicente.
Na prática, a medida impede o religioso de celebrar missas, administrar sacramentos, presidir cerimônias religiosas, realizar pregações ou atuar oficialmente como padre em atividades públicas ou institucionais.
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Toque aqui e participe!Com o oferecimento da denúncia, o processo foi encaminhado ao juiz responsável pela vara. Caberá ao magistrado analisar o recebimento da ação e marcar audiência de instrução e julgamento.
Após a oitiva das partes e de eventuais testemunhas, além da análise das provas, o juiz proferirá a decisão final em sentença.
Primeiro caso
A principal prova reunida pela Polícia Civil no primeiro inquérito encaminhado é um vídeo em que Vicente aparece em diferentes momentos dentro de uma loja situada no interior de um supermercado de Brusque.
As imagens mostram o padre, por diversas vezes, passando a mão e apertando, por cima da calça, a região do pênis enquanto circulava pelos corredores do estabelecimento e encara o atendente, de 19 anos. O registro ocorreu no dia 1º de outubro de 2025, por volta das 13h25.
O jovem afirmou que ficou paralisado e sem reação durante a abordagem do padre no local onde trabalhava.
Em depoimento à Polícia Civil, Vicente afirmou que os movimentos teriam ocorrido em razão de coceira e negou qualquer conotação sexual.
Assista ao vídeo
Segundo caso
Após a conclusão do primeiro inquérito, a Polícia Civil foi informada sobre a possibilidade de um segundo episódio, que acabou confirmado com o avanço das investigações. O caso teria ocorrido no dia anterior ao primeiro, em local próximo.
Segundo a investigação, no dia 30 de setembro, por volta das 12h35, o padre esteve no mesmo supermercado. Após escolher alguns produtos, ele se dirigiu a um caixa onde trabalhava um adolescente de 17 anos.
De acordo com o inquérito, durante o atendimento, Vicente teria adotado comportamento considerado inadequado, com gestos idênticos aos do primeiro caso e olhares de cunho sexual direcionados ao jovem.
Ainda conforme a apuração, durante o intervalo de trabalho do adolescente, o padre teria permanecido do lado de fora do supermercado, aguardando a vítima. Não consta na denúncia uma justifica do padre sobre os atos registrado no segundo caso.
Após analisar o conjunto de provas, que inclui imagens de câmeras de segurança, relatos e documentos, a Polícia Civil reuniu os dois episódios em um único procedimento e concluiu pelo indiciamento do padre pelo crime de importunação sexual, cuja pena prevista pode chegar a cinco anos de prisão.
Nenhum dos dois jovens continua trabalhando nos locais onde atuavam quando os fatos ocorreram.
Até a publicação desta matéria, não houve retorno nem procura do indiciado por qualquer espaço de manifestação.
O espaço segue aberto para manifestação de qualquer uma das partes citadas.