Ir para o conteúdo

Ex-Brusque é vítima de racismo no jogo entre Santa Catarina e Barra

Jogador do Barra registrou boletim de ocorrência

Cléo Silva, ex-Brusque, foi o jogador vítima de racismo no jogo entre Santa Catarina e Barra neste sábado, 7, nas quartas de final do Campeonato Catarinense. A partida foi paralisada por quatro minutos, e o árbitro acionou o protocolo contra racismo.

De acordo com a súmula do jogo, o árbitro Gustavo Ervino Bauermann relatou que Cléo Silva, que joga pelo Barra, o informou que um torcedor do Santa Catarina proferiu ato de racismo, o chamando de “macaco”.

A etapa 1 do protocolo prevê a interrupção da partida. Assim que o árbitro é informado sobre o possível crime de racismo, ele faz um gesto de “x” com os braços e o jogo é paralisado. Foi o que ocorreu no duelo entre Santa Catarina e Barra.

O caso aconteceu nos acréscimos do segundo tempo. Atletas que estavam no banco de reservas, de ambas as equipes, começaram a discutir com a torcida do Santa Catarina. As outras duas etapas, de suspensão e de cancelamento do jogo, não foram executadas.

O juiz acrescentou que não foi apresentado boletim de ocorrência sobre a denúncia após o fechamento da súmula. Porém, por meio de nota oficial, o Barra informou que o torcedor foi identificado e que Cléo Silva registrou o boletim após a partida, "formalizando a denúncia para que o infrator responda criminalmente pelos seus atos".

"Entendemos este como um ato isolado de um criminoso, que não representa a instituição Santa Catarina Clube, nem sua torcida em geral. O racismo não cabe no futebol, na sociedade e não será tolerado pelo Barra. O clube segue prestando todo o apoio jurídico e psicológico ao atleta", escreveu o time de Balneário Camboriú na nota.

Árbitro Gustavo Ervino Bauermann faz "x" com braços e aciona protocolo contra racismo | Foto: NSports/Reprodução
Jogadores do Barra e do Santa Catarina discutem com torcida | Foto: NSports/Reprodução

Protocolo da Fifa

O protocolo contra racismo foi aprovado no 74º Congresso da Fifa em Bangkok, Tailândia, em maio de 2024. De acordo com a federação, o gesto foi criado para capacitar jogadores, membros da comissão técnica e árbitros a se posicionar contra o racismo.

Ao cruzar os punhos, os jogadores podem sinalizar diretamente ao árbitro que estão sendo alvo de abuso racista, o que leva ao início do protocolo que pode ter até três etapas.

Barra avança

Dentro de campo, o Barra venceu o Santa Catarina por 1 a 0, no estádio Alfredo João Krieck, em Rio do Sul. O jogo de ida havia terminado empatado em 1 a 1. Na volta, fora de casa, o time de Balneário Camboriú levou a melhor em um jogo recheado de polêmicas.

O gol aconteceu no final do duelo. O VAR foi acionado para análise de possível toque de mão na origem da jogada, mas o juiz manteve o gol. O Santa Catarina chegou a empatar, mas o VAR anulou após identificar impedimento.

O Barra se classificou para a semifinal do Catarinense e aguarda o próximo adversário. Já o Santa Catarina, com a eliminação, vai disputar as quartas de final da Taça Acesc 70 anos.