“No dia do jogo, todo mundo podia faltar. Menos eu”. Com esta frase, José Aurino Gervasi, o popular Zé Aurino, resume sua história de dedicação aos clubes pelo qual teve passagem. Seu conhecimento de futebol, uma de suas paixões na vida, lhe rendeu 30 títulos nos cerca de 20 anos em que participou nos campeonatos de base e amadores de Brusque e região, sendo dez deles referentes à extinta e disputadíssima Liga Desportiva de Brusque (LDB).

Seu período de maiores glórias, o qual é bastante lembrado nos papos de boleiro pela cidade, foi no Clube Angelina. Lá ele ajudou a formar um plantel praticamente imbatível entre o fim dos anos 1990 e início dos anos 2000, que lhe renderam quatro taças da Liga, além do cobiçado – e até hoje ostentado no clube do bairro São Pedro – Troféu Transitório.

Mas a formação de um técnico multicampeão não foi da noite para o dia. Zé Aurino, como a grande maioria dos treinadores, começou sua carreira no futebol dentro das quatro linhas. Seus primeiros passos como ‘professor’ – que é como os jogadores vulgarmente chamam seus técnicos – foi em escolinhas e times de base. Com o tempo, ele descobriu que levava jeito para ser um grande estrategista.

Santos Dumont abre as portas
Zé Aurino teve uma história curta como jogador de futebol, parando após cerca de dois anos. Mas sua trajetória com o esporte havia apenas começado. No início da década de 80, o saudoso e eterno presidente do Santos Dumont, Paulino Coelho, o convidou para iniciar um trabalho com jovens atletas.

Ali, como explica, começou a arrancada para a glória. “A chave do sucesso quem me entregou foi o Paulino, que me deu a primeira oportunidade. Sou eternamente grato ao que ele fez por mim”. O técnico ajudou a formar as categorias Infanto, Infantil e Juvenil do Santos Dumont a partir de 1982.

O alvinegro do bairro Santa Terezinha estava licenciado da Liga quando, em 1986, o clube decidiu retornar apostando, principalmente, nos atletas formados na base. “Voltamos na segunda divisão da Liga e, naquele ano, fomos campeões. Nós trabalhávamos com mais de 300 garotos, e aquele título foi importante. Vencemos mais competições de base e também chegamos a ser a primeira equipe de Brusque a conquistar título fora da cidade, que foi a Copa Sulfabril, de Blumenau”.

Deste grupo vencedor, foi revelado o atleta Kléber Heil, que chegou ao profissionalismo jogando no Brusque Futebol Clube e em outras equipes do Brasil.

Primeiros títulos da Liga

O ex-técnico exibe o troféu transitório, conquistado no Angelina. Foto: Cristóvão Vieira

Depois de mais de 10 anos dedicados ao Santos Dumont, em 1994 Zé Aurino foi convidado para treinar o Clube XX de Junho, de Guabiruba. Lá ele foi tricampeão da Liga.

Mas um dos canecos mais valorizados por Zé Aurino foi com o Cruzeiro, do bairro Aymoré, também de Guabiruba. Com um elenco enxuto, além de poucos recursos e estrutura, ele também formou uma equipe campeã, faturando seu quarto título da Liga. “Se apostassem no começo daquele campeonato como ficaria a tabela no fim, seríamos apontados como últimos. Mas as coisas deram certo, o time encaixou e surpreendemos”, completa.

O tetra no Angelina
No fim dos anos 1990, Eduardo Gohr, então dirigente do Clube Angelina, convidou Zé Aurino para comandar a equipe em formação do bairro São Pedro. O elenco foi recheado com galácticos, em sua maioria ex-profissionais, como o zagueiro Solis, o goleiro Binho e o ponta Marcos Severo.

Com o Angelna, o técnico foi tetracampeão consecutivo. Em sua memória ainda está a escalação completa daquele time: “O elenco mais vencedor contava com Binho; Nido, Solis, Renê e Balila; Clovis, Catarina, Mano e Reinaldo; Marcos Severo e Paulinho Sestrem”, completa.

Nos últimos anos da sua carreira como técnico, deu tempo de conquistar mais dois canecos por outras equipes, o Cedrense e o América. Depois dos mais de 20 anos dedicados ao esporte, com fins de semana longe da família, hoje Zé Aurino não pensa mais em voltar ao futebol. “Aí posso ficar mais tempo com a minha neta”, brinca.

Lições do esporte
O futebol mudou a vida de Zé Aurino, e nas mãos do ex-técnico, as quais passaram cerca de 1 mil jogadores, outras vidas também mudaram. Para ele, o esporte molda caráter e precisa ser cada vez mais incentivado. “Aquelas crianças que foram treinadas por mim no Santos Dumont hoje em dia são pais de família, empresários. Ninguém foi para o lado errado, sempre procuramos fazer um trabalho para que o atleta fosse responsável fora de campo”.

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